16 de mai de 2016

Encrenca • Non Pratt


Autora: Non Pratt
Editora: Verus
ISBN: 9788576864103
Páginas: 307
Não há muitos livros sobre gravidez da adolescência. Pelo que analisei da minha estante (sem olhar para ela já que estamos a 60km de distância, então perdoe falhas), não li muito com o tema - por mais que young adult seja uma parcela bem grande das minhas prateleiras. Por essa razão, Encrenca era algo novo a ser lido: o cenário clichê com um assunto que merece ser falado. Gravidez na adolescência é bem assustador, né?
Quando o colégio inteiro descobre que Hannah Sheppard está grávida, ela tem um verdadeiro colapso. E quem está ao seu lado é Aaron Tyler, um aluno novo e o único garoto que não parece ter segundas intenções em relação a ela. Desejando compensar seus erros do passado, Aaron toma uma difícil decisão: ele se oferece para fingir ser o pai do bebê. E, temendo revelar quem é o verdadeiro pai, Hannah aceita.
Hannah tem 15 anos e está grávida. Por ela ter transado com mais de um cara da escola, a gravidez foi o último toque para ela ganhar o título de vadia na escola. Por essa razão, eu gostaria de alterar o tema chave desse livro. Encrenca não deveria ser sobre gravidez, e sim sobre slut shaming.

É isso que eu faria se eu tivesse escrito Encrenca. Porém eu não escrevi Encrenca. E não sei se a autora tem a mesma opinião que eu sobre slut shaming.

Em alguns momentos da trama, Aaron, que tem lá seu papel de herói, seu papel de salvador que impediu a menininha devassa de ficar ainda mais falada nos corredores, pensava coisas como "talvez Hannah não fosse tratada assim se ela usasse uma blusa mais respeitável. Tenha santa paciência. E a pior parte que não há uma condenação desse pensamento, uma amadurecimento do personagem, qualquer coisa assim. Não, pensar na respeitabilidade das roupas de Hannah é tido como natural. Ele está certo, e a personagem aprende a colocar decote ~do tamanho certo~ ao mesmo tempo que a gravidez avança e ela vai se sentindo menos desejável. 

A questão é: Hannah se sentia bem com uma saia curta, com uma calça justa, com o terceiro botão da camisa aberto. Ela se sentia bem! Que bom para ela! Porém foi preciso ela se sentir desconfortável com o próprio corpo, nas próprias roupas, para que sua figura fosse dada como comportada e digna de protagonismo. Quem lê Encrenca sem querer problematizar, tira como mensagem final que garotas devem usar roupas respeitáveis ou já podem esperar a gravidez aos 15 anos. Me ajuda @Deus.

Isso irrita muito, mas é uma leitura um tanto compulsória. Aaron ganhou apenas minha preguiça e irritação, mas Hannah gera empatia. Eu quis acompanhar sua situação, ver como ela ia lidar com isso tudo e esperando que ela finalmente se respeitasse o suficiente para encarar a situação sem precisar de Aaron nenhum falando sobre respeitabilidade de roupas decotadas. Além disso, há um pequeno mistério (tão óbvio que nem merecia essa nomenclatura) com cada um dos personagens que puxa a leitura até um ponto próximo ao final. Não para saber o que é, mas sim, como vai ser resolvido. 

Se fosse sobre slut shamig, Encrenca seria 10. Sendo como gravidez na adolescência, errr, não é um 10.
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