1 de abr de 2016

Era uma vez no outono • Lisa Keyplas


Autora: Lisa Keyplas
Editora: Arqueiro
ISBN: 9788580414950
Páginas: 288
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Eu imagino os novos ricos americanos encontrando aristocratas europeus no limbo dos personagens fictícios e estalando os dedos porque "parece que o jogo virou, não é mesmo queridinhos?". É estranho, considerando o tanto de cultura americana que consumimos, ver os gringos do tio Sam sendo marginalizados em algum cenário. Porém, nos romances de 1700 e bolinhas, eles são (eram?). Era um vez no outono foi a primeira vez que encontrei uma protagonista sem sotaque elegante dentro do gênero. Foi novidade!

A jovem e obstinada Lillian Bowman sai dos Estados Unidos em busca de um marido da aristocracia londrina. Contudo nenhum homem parece capaz de fazê-la perder a cabeça. Exceto, talvez, Marcus Marsden, o arrogante lorde Westcliff, que ela despreza mais do que a qualquer outra pessoa.
Marcus é o típico britânico reservado e controlado. Mas algo na audaciosa Lillian faz com que ele saia de si. Os dois simplesmente não conseguem parar de brigar.
Então, numa tarde de outono, um encontro inesperado faz Lillian perceber que, sob a fachada de austeridade, há o homem apaixonado com que sempre sonhou. Mas será que um conde vai desafiar as convenções sociais a ponto de propor casamento a uma moça tão inapropriada?
De romances cujo único foco é romance estamos exaustos. Precisamos, e rápido, de elementos novos que deixem o clichê nosso de cada dia com algo especial. Nessa série de Kleypas esse elemento é a sororidade. A capacidade da autora de construir relacionamentos paralelos ao casal principal é uma das melhores coisas em seus livros. Em Os Hathaway tínhamos uma família unida e divertida que sobrepunha tudo o demais. Nessa série temos um grupo de mulher que got each other's back. Sem bad blood por aqui, monamour.

Uma coisa sobre romances de época é que os protagonistas masculinos nunca são ~interessantes~. As protagonistas femininas, por vez, sempre devem ter algo especial: língua afiada, pensamento crítico, tendências feministas antes mesmo do termo existir. Porém o mesmo não acontece com os senhores. Eles são sempre genéricos, não? Encantadores, claro, mas não repletos de características particulares que os fazem diferentes. A fórmula para composição de mocinhos é quase tão cheia de passos exatos quanto a de composição de livros do Rick Riordan. Kleypas não trouxe nada novo nesse sentido, quero dizer.

No geral, Era uma vez no outono é um livro fácil. Falo isso tanto para a boa quanto a má interpretação. O gênero não é de exigir do leitor, verdade, mas a impressão que esse dá é de não fazer esforço algum para dificultar as coisas. Sem plot twist, sem agonia, nada disso - nem quando é a intenção da autora fazer drama/mistério. Esse é o que chamo de livro feliz, quando os personagens principais não precisam comer o pão que o diabo amassou para chegar ao felizes para sempre na última linha da última página.
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