28 de out de 2015

A tentação de Lila e Ethan • Jessica Sorensen


A tentação de Lila & Ethan - Segredo #3
Sem spoiller
Autora: Jessica Sorensen
Editora: Geração
ISBN: 9788581302751
Páginas: 376
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Autores são senhores criadores de expectativas. É o trabalho deles, afinal. Mas hoje vamos conversar sobre autores de new adults que tem prazer em desenvolver personagens secundários e delinear seu futuro, só para depois avisar que tem um novo livro que a gente vai precisar ler se quiser saber o que acontece com fulaninhos. Aff, a gente sempre quer saber o que acontece com fulaninhos. Eu poderia estar falando de Katie McGarry, Jamie McGuire ou qualquer outra, mas hoje meu papo é com você, Jessica Sorensen.

Desde o primeiro livro de Micha e Ella, tivemos doses da tensão sexual que rolava solta entre Lila e Ethan. Era óbvio que o casal iria precisar de um livro para chamar de seu, considerando a fixação da autora em encher estantes com personagens já conhecidos. Então que ao dar uma folga para seus primeiros protagonistas, Sorensen chamou seus amigos para o centro do palco e, cá entre nós, todo mundo precisa do centro do palco? Centro do palco tem consequências, meus caros.

A autora sempre teve o trabalho de fazer os dois personagens parecerem ousados, característica típica de melhor amigo de principal, porém quando eles são os principais toda aquela ousadia parece necessitar de um passado, afinal, ninguém se diverte só por diversão, não é mesmo? Foi aí que o letreiro do “Desnecessário” começou a piscar na minha cabeça.

Com Ella e Micha longe, Lila e Ethan se tornam melhores amigos. Dividindo a narrativa, a gente vai aprendendo mais sobre os personagens tanto na visão de si, como do coleguinha. Aí que a autora criou aquele drama, aquele passado, aquele trauma e todos aqueles algo. Não é inesperado, considerando o gênero, porém eu estava achando divertido um casal feito de ousadia e alegria, principalmente considerando que Ella e Micha já tinha sido aqueles aqueles DUAS VEZES.

Pela decepção, eu não curti o livro. Foi algo muito diferente do que eu esperava, o que se tornou mais do mesmo. A tentação de Lila e Ethan toca em tramas consideradas tabus que o new adult tornou clichê, e sabe clichê em cima de clichê? Pois é. É uma pena de verdade que Jessica Sorensen ainda não tenha batido as expectativas colocadas com o primeiro livro que escreveu. 

27 de out de 2015

A febre • Megan Abbott


Autora: Megan Abbott
Editora: Intrinseca
ISBN: 9788580577990
Páginas: 272
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Eu estudo marketing, trabalho com marketing, faço pesquisa sobre marketing. Me considero, então, bastante capaz de identificar técnicas de vendas bem feitas. Blurbs de capa, por exemplo, envolvem muitas outras variáveis além de um elogio aleatório. No caso de A febre, um livro misterioso com uma capa que remete a surtos psicóticos, a primeira chamada não só confirma a bizarrice do enredo, como também tem o toque arrasador de ser chamado de perturbador pela autora mais perturbada do século. Isso que chamo de estratégia de marketing bem feita.

Vi muita gente querendo ler A febre pela sinopse. Verdade, chama a atenção: Um belo dia na escola de Deenie, sua melhor amiga, Lise, começa a convulsionar no meio da aula. No dia seguinte, sua outra amiga, Gabby, tem um ataque semelhante. Isso continua acontecendo com várias meninas da escola numa proximidade de tempo que faz a comunidade entrar em pânico. Mas, como eu disse, não foi o plot que chamou a minha atenção. Foi Gyllian Flynn chamar a escrita de Megan Abbott de perturbadora. Temos aí um livro de terror? Possivelmente.

Possivelmente em partes. A Febre tem sim algo de muito sombrio em sua sinopse, um suspense muito forte que abre possibilidade para as mais inúmeras explicações: de mutação genética numa vacina de HIV a influência do coisa ruim na face da terra. Você fica sem saber em que acreditar, formulando as mais diversas teorias, o que deixa o suspense muito palpável. Em alguns momentos, Deenie faz comentários e metáforas a respeito de suas amigas que sofreram ataques que faz arrepiar a espinha do coitado do leitor.

Mas essa atmosfera não é em tempo integral, pois Abbott mescla muito do mistério com rotina comum de garotas adolescentes, problemas cotidianos que a adolescência faz parecer o caos. Há uma quebra, então, de quando estamos falando sobre problemas sinistros que atingem a comunidade e sobre problemas drama queen que atingem só as meninas do ensino médio. Abbott narra muito bem esse segundo plot, mas ele mata todo um clima maneiro que tinha sido criado antes, sabe? Por melhor que fosse, eu não gostava dele. Vamos falar mais sobre as convulsões!!!

Em compensação, eu gostei bastante de quando a autora amarrou tudo e criou uma coerência entre as partes. Abbott soube muito bem ligar os assuntos, os personagens, explicar situações e dizer porquês. Não é a melhor parte do livro porque aqueles comentários metafóricos de Deenie que comentei antes são realmente ótimas e únicos. Mas meu segundo lugar na lista de melhores coisas do livro, definitivamente, os nós de ligação. 

Tem várias coisas muito boas a respeito de A febre: a forma como a trama é desenvolvida, amarrada e vendida. Porém, ao mesmo tempo, tudo isso é entregue por meio de uma narrativa muito detalhista, descritiva e lenta. No final, achei o livro cansativo. Com elementos interessantes, mas cansativos. Acreditei de verdade que Gyllian Flynn se perturbasse com coisas piores.

26 de out de 2015

Desejo proibido • Sophie Jackson


Autora: Sophie Jackson
Editora: Arqueiro
ISBN: 9788580414509
Páginas: 416
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Desejo Proibido é a sinopse que você já conhece: Kat, moça certinha com passado traumático, vai trabalhar como professora para presidiários e conhece um detento badboy, Carter, que mexe com ela. Eles sentem uma atração danada e, obviamente, proibida. Porém, acima disso, existem ~segredos~ que podem abalar o possível relacionamento, que os liga de incríveis maneiras. Blablabla, gente, aquele de sempre.

Nada contra o velho blablabla de sempre, fato claramente perceptível pela quantidade de new adults genéricos na minha estante. Eu nunca me importei de cair em terras conhecidas quando a autora consegue fazer algo para me prender. Não precisa ser inesperado, apenas cativante - e por 250 páginas, é impossível largar Desejo proibido.

O livro tem dois momentos bem definidos. No inicio, por mais absolutamente clichê, é muito divertido. Tinha Carter secretamente apaixonadinho, o que era adorável, além de uma Kat muito vou-não-vou, o que também era adorável. Seus encontros tinham provocações, diálogos inteligentes e fazia do livro uma leitura realmente viciante. Daí as coisas do enredo meio que dão certo. Daí as coisas do enredo meio que desandam. Essa perca de ritmo é algo maneiro quando é madrugada e você precisa achar um capítulo que dê para largar e ir dormir, porém não tão maneiro quando você está acordada e quer aquele mesmo nível de empolgação e, bem, não encontra.

O que acontece, nesse segundo momento do livro é algo meio noveleiresco, com vilões prometendo vingança e mocinhos xonadinhos preocupados com os vilões e demais dilemas da vida. Nada contra drama (NADA contra, definitivamente), mas este simplesmente não convence, porque não é dramalhão, apenas uma sugestão do que pode acontecer. O casal já está muito estabilizado, sem aquela empolgação e provocação da conquista, da expectativa. Se é para seguir essa linha de novela, vamos ser mexicanos e fazer bem feito! Vamos jogar um prato no chão, derramar vinho na cabeça da amiguinha, gritar "OH VOCÊ COMO PODE ARRIBA" e carregar na pronúncia do R.

Uma coisa que me incomodou é que todos os personagens importantes, num sentido social, eram homens. Grandes executivos, advogados, pessoas que realmente influenciavam no cenário: homens. Empoderamento de mulher é algo muito importante, e precisa ser abordado em livros cujo publico alvo é esse. Fica chato quando todas as partes de ação sejam protagonizadas pelos caras, e as manas sejam retratadas apenas como figuras maternas (o que inclui Kat como professora). Tá que a mãe da protagonista, Eva, é senadora. Verdade, é mesmo. Porém ela não aparece como tal na história, apenas como lembrete de onde vem a fortuna da família. Eva é o tempo todo retratada como a mãe superficial e insensível. A imagem que faz para o leitor é bonita? Não.

Por mais da metade da leitura, Desejo proibido foi um cinco estrelas favoritado: viciante, carismático, envolvente. As páginas restante tiraram uma estrela e invocavam uma preguicinha que eu não queria sentir com o livro, mesmo que, no geral, ainda pense nele como uma leitura muito boa. 

23 de out de 2015

Playlist da semana!


Atenção que tem playlist e atenção de novo porque tenho tanta música nova para dividir com vocês que vamos ficar nessas cadeiras por bastante tempo. A não ser você levante para dançar. Eu sei que eu vou.

Heroes (we could be) - Alesso ft. Tove Lo: Miga Tove Lo é maravilhosa. Na batida de Alesso, então, incrível! Não é surpresa para ninguém o sucesso de Heroes, uma das eletrônicas que a gente mais vê por aí.
Outside - Ellie Goulding ft. Calvin Harris: E já que estamos falando de parcerias eletrônicas entre pessoas maravilhosas: Outside. Tudo bem que o single não é recente, mas o que fazer se os parça só me avisa agora dessa delicia? O que não importa, pois só precisou de meia hora para que eu decorasse a letra e já partisse para cantar junto a melodia também.
Black magic - Little Mix: Até então, eu não tinha caído nas graças de Little Mix. Até então, a girlband era bem mediana. Porém vamos falar sobre Black magic, a letra mais grudenta desse século, como eu ouvi enquanto tocava no ônibus e passei o resto da semana cantando, até descobrir o nome, o cantor, o álbum e o endereço para onde eu mandava minha carta de agradecimento por essa música.

Don't wait - Mapei: Menina Mapei surgiu na fila do pão e passou na frente de todo mundo. Com sua melodia levinha e animadora ao mesmo tempo, é um sucesso instantâneo. Percebe-se pelo modo que você nunca tinha ouvido a música conscientemente, mas já conhecia a bendita letra inteira.
Don't - Ed Sheeran: Música velha, eu sei. Eu inclusive já devo ter falado de Don't antes, mas provavelmente porque estava apaixonada pelo refrão. Agora decidi aprender a letra inteira para cantar junto e estou apaixonada pelo conjunto. Esse, btw, é meu passo anterior a fazer cover do Eminem. Vamos aguardar os próximos capítulos da novela do meu talento. 
Locked away - R. City ft. Adam Levine: Some batida latina e Adam mozão Levine e temos essa música excelente como resultado. Batida latina: melhor batida.
Hello - Adele: Já dançamos, já ficamos animados, mas agora vem curtir um pouco da fossa porque Adele, A Dextruidora está de volta. Se antes, quando estávamos melancólicos, comíamos sopa de letrinhas para vomitar Someone like you, agora a nova palavra que vai formar é Hello. Quero em todas as trilhas sonoras do mundo, obrigada.

Encontrando-me • Cora Carmack


Encontrando-me - Losing it #3
Autora: Cora Carmack
Editora: Novo Conceito
ISBN: 9788581637129
Páginas: 288
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Estou aqui fazendo cálculos (não muitos porque sou de humanas), e conclui que já li muitos (MUITOS!) new adults. Conheci muitos autores, li inúmeros clichês, e tive vários remembers das novelas mexicanas que cresci assistindo no SBT. Depois disso, tentei criar uma lista de autores de NA que ficaram favoritos por mais de uma história, e um dos primeiros nomes que saltou na mente foi Cora Carmack. Talvez por estar lendo um livro de Cora Carmack, mas isso não tira o crédito de que ela é uma das melhores autores de new adult que já passou na minha estante. E vamos recapitular: foram muitos(!).

Encontrando-me é o último volume da trilogia que começou em Perdendo-me, e no momento, me sinto órfã. Os três livros da série, por motivos diferentes, foram leituras ótimas e viciantes. Todos envolveram madrugadas que eu deveria estar dormindo ou horas que eu deveria estar estudando. Carmack é incrível por ser clichê e ser especial ao mesmo tempo, o que, pode parecer que não, mas é raríssimo.

Porque quando você lê muitos clichês, as histórias ficam embaralhadas na mente e se misturam personagens. Não é sempre que rola um destaque. Porém me pergunte as histórias de Carmack e vou saber contar para você – e não só a que li ontem. A autora é engraçada, é doce, ela tem seus clichês mas também surpreende em algum detalhe.
No último livro (AI QUE DÓ), temos Kelsey, a velha e boa pobre menina rica, e Hunt, que ~tem segredos~. Parece tão batidão quanto uma música do McLeozinho, né? E talvez seja – por metade. Kelsey é sim um clichê de new adult ambulante – mas Hunt não. A autora desenvolveu o relacionamento deles de uma forma calma e crível, através de mochilão na Europa (que por si só: ♥♥♥), e manteve um mistério até o final, para né, aflição. O mistério, por sua vez, foi muito inesperado, pois foi longe do que estamos acostumados no gênero, mantendo a essência que o livro (e a série) tinha apresentado até ali. E é bem legal como depois você revê as pistas e vê que estavam todas ali, mas como se esperava clichê, não viu. Bem maneiro.

Outro ponto positivo é o crescimento de Kelsey. Como característico de livros com eurotrip e road trip, os personagens estão perdidos em quem são, e passam a história para se encontrar. E aí que tá outra belezura do livro de Carmack: quando Kelsey precisou de ajuda para achar a si mesma, ela contou com ela mesma (e Bliss, do primeiro livro). Nada de síndrome da dozela em perigo que precisa do principe no cavalo branco, como foi sugerido no inicio do livro. Não desvaloriza a luta das mana, e acho isso incrível em new adult.

Encontrando-me é ótimo, em todos os pontos que você imaginar. É engraçado, é fofo, tem muitas frases bonitas e reflexivas e também tiradas sarcásticas. Juro, quem precisa de mais? Porém temos mais: bons personagens, química palpável e desenvolvimento crível. Já falei em eurotrip?

Sobre Cara  Carmack: QUERO MAIS!!!!!

16 de out de 2015

Não olhe para trás • S. B. Hayes


Autora: S. B. Hayes
Editora: Bertrand Brasil
ISBN: 9788528620290
Páginas: 322
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Se você, assim como eu, busca pelo livro de terror da vida, com certeza se deixa levar muito pela capa. Se a arte gráfica assusta na primeira impressão, você sempre pode olhar para ela e associar a filmes de terror e outras coisas para dar um algo a mais à narrativa quando algum suspense se fizer necessário. Imaginação é tudo, caras.

E essa acaba sendo a chave para que Não olhe para trás, de S. B. Hayes, consiga ser mais que um young adult e mergulhe no horror com vontade. A história, que segue Sinead em busca de seu irmão, Patrick, acaba oscilando forte entre ser um romance clichê (e batidíssimo para nós que crescemos lendo Crepúsculos e todos os genéricos sobrenaturais) e um suspense maneiro com momentos bizarros. Então, cada vez que a narrativa perdia o fio da meada de ser assustadora, você vinha com a imaginação, dava uma conferida na capa e imaginava crianças fantasmas onde não tinha crianças fantasmas. Posso ou não ter dado uma conferida marota no quarto antes de apagar as luzes para dormir.

Como eu tinha lido a orelha do livro, eu sabia de mais da história. Na boa, não faça isso. As informações dadas pela sinopse são tão avançadas que podem ser consideradas spoillers, de modo que a caminhada até chegar no lugar X perde totalmente a graça. O que você precisa saber sobre o livro, basicamente, é que Sinead tem uma relação bizarra com o irmão mais velho, que é perturbado e gosta de fazê-la correr em círculos atrás dele. Numa dessas buscas por Patrick, Sinead acaba em uma casa estranha, comandada por uma freira mal humorada, onde outras coisas estranhas acontecem.

Parece muito mais American Horror Story Asylum do que é de fato. Não olhe para trás, como eu disse, dá muita publicidade para um romance comum e previsível. Sinead conhece James e tudo que que consigo pensar sobre o casal é bla bla bla. Eu não senti química (ou qualquer coisa, na verdade), e por mais que pareça importante para o enredo, achei muito fraco e supérfluo. Tire essa melação barata e me dê um pouco mais de descrição de cenário e THAT IS WHAT I'M TALKING ABOUT!
Porque, de longe, descrição é o ponto forte da história. Hayes introduz um cenário sombrio e coloca o leitor lá dentro. A simples frase "não olhe para trás" foi colocada num momento tão certo que tinha uma parede atrás de mim, mas vamos fazer o sinal da cruz e jogar água benta três vezes por cima do ombro direito porque nunca se sabe. Associado aos momentos sinistros com a família de Sinead, o relacionamento perturbado entre ela, a mãe e o irmão, minha nossa, caros, que livro sinistro. Mas daí encontrávamos James novamente e passarinhos cantantes, paixão fulminante, balela romântica. 

Com altos e baixos bastante definidos, Não olhe para trás é uma história que consegue assustadora e entediante num equilíbrio surpreendente. Se você estiver lendo e chegar em algum momento "nossa, que saco, não sou obrigada", continue, porque uma hora melhora e você fica com medo de alguma sombra. No geral, é uma história bem construída, que dá credibilidade ao suspense e não faz milagres ilógicos para agradar. 

Porém continuamos na busca do terror perfeito.

10 de out de 2015

A escolha perfeita do coração • Bianca Briones


Batidas perdidas #3Autora: Bianca Briones
Editora: Verus
ISBN: 9788576864509
Páginas: 154
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Eu não tenho nada contra a prática de vender a alma para o capitalismo. Eu sei que não é politicamente aceito admitir isso, porém, na verdade, até apoio a causa. Produzir, vender, gerar economia e estimular o comportamento consumismo... Cadê o problema nisso? Mas calma, não vou dar nenhuma aula de economia, estou apenas preparando o terreno para contar para você que super aceito ser feita de trouxa por autores que decidem publicar mais do que devem só pra ~fazer a economia girar~.

Sou otária nesse sentido e ok. Por me apegar muito a personagens, aceito ler seus capítulos extras, novos pontos de vista ou qualquer outra coisa que derive de um livro favorito. É sempre possível retomar o sentimento daquele primeiro livro, não?

Se você já me ouviu falar de Batidas perdidas do coração, deve estar cansado da repetição. Mas só mais uma vez para quem é novo nas minhas divagações (oi, seja bem vindo!): dor. Batidas é uma história comovente e angustiante, que se provou surpreendente e one of a kind. Logo quando soube deste lançamento, esperei que A escolha perfeita do coração fosse o capítulo feliz de Rafa e Vivi, ou então a retomada daquela tortura psicológica toda e mais bombas para ter que lidar. Fosse feliz ou triste, seria envolvente.

O que eu encontrei foi mais uma obra do capitalismo e estou passando muito tempo nos prédios de humanas. Pois é.

Assim: não dá. Bianca inclusive admite nos agradecimentos que esse livro foi escrito para ter algo para lançar na Bienal desse ano. Tipo, poxa! É notável como a história foi mal trabalhada nessa continuação que nunca deveria ter existido. O enredo, que nem merece ser comentado porque não vale a pena, conseguiu destruir o que tinha sido tão incrivelmente desenvolvido no anterior. Os personagens perderam a veracidade, o romance perdeu a credibilidade e o final de Batidas que eu li e reli porque ♥, tive que reler para conferir se o inicio de Escolha fazia sentido. Infelizmente fazia, embora a impressão que dava era que a autora pegou uma borracha e refez o ponto final de Rafael e Viviane. E, além do mais, Descompasso infinito do coração já avançava no futuro, logo o que houve aqui foi drama por drama e nenhum suspense. E nem era aquele drama bom.

Continuarei lendo livros extras que não preciso, continuarei lendo os livros da Bianca, mas estaria mentindo se dissesse que A escolha perfeita do coração foi algo além de uma decepção. Por mais que a economia precise girar, podemos ao menos usar um pouco mais do bom senso para ver o que é legal para os fãs e o que é um tiro no pé? Ainda assim, recomendo Batidas. E só Batidas. 

8 de out de 2015

Entre o amor e a vingança • Sarah MacLean


O clube dos canalhas #1Autora: Sarah MacLean
Editora: Gutemberg
ISBN: 9788582352939
Páginas: 304
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Acredito que há um limite de romances históricos que uma pessoa pode ler até se tornar repetitivo. Talvez eu já tenha chegado a esse limite. Desde que descobri o gênero, me tornei uma fã fiel e devorei cada obra de cada autora que o twitter recomendou. Continuo fazendo isso, aliás. Porém aquele sentimento de novidade que surgia sempre que eu entrava em meados do século 18, foi substituído por “século 18 de novo?”. Século 18 foi paradão.
Isso porque os livros, para romancear a época, se prendem sempre nos mesmos clichês. É o que vende para os fãs do gênero, e eu entendo isso, mas quem sabe algumas mudanças cá e acolá não criem uma mudança positiva, não é mesmo? Entre o amor e a vingança é a história de um canalha e uma moça respeitável que quer casar amor. O canalha quer casar por vingança. Eu já devo ter visto isso acontecer umas cinco vezes no século 18.

Porém essa não é uma resenha negativa, caso esteja pensando. É uma resenha “estou cansada do tipo, mas como não tenho juízo, vou recomendar um livro para você não ter juízo junto comigo”. Pela repetição, a gente se prende nos detalhes, no que tem de especial para trazer a tona e criar um diferencial. Entre o amor e a vingança também é clichê no seu “a mais”, porém o que fazer se esse clichê é um dos meus favoritos em romances e fazem parte dos meus favoritos? Migos, deem boas vindas à mais uma história de amizade de infância!

Amizade é uma coisa que dá credibilidade ao romance, e Sarah MacLean sabe disso. Esse tipo de livro é uma sequencia de esperados: reencontro, explicação para o que aconteceu para o distanciamento, reconquista da confiança, melhores amigos de novo QUE LINDOS, LINDOS! A autora não apressou as etapas e conseguiu criar uma tensão sexual quase que real.

Sabe o que se torna diferencial quando até o diferencial é clichê? A boa escrita. Sarah MacLean desenvolveu personagens, nuances, crenças, e deu credibilidade para tudo. Entre o amor e a vingança é uma leitura viciante, mesmo que esperada em todos os critérios.

Porém vamos dar uma agitada no século 18? Por favor? 

PS: Eu sei que Downton Abbey não é século 18, ok? Mas me representa.

7 de out de 2015

Entre dois amores • Carolina Estrella


Autora: Carolina Estrella
Editora: Planeta
ISBN: 9788542205534
Páginas: 288
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A coisa com autores nacionais é que a gente vê diariamente sua luta pelo reconhecimento. Eles estão no facebook, no twitter, no skoob e no youtube, o tempo todo, se esforçando para ser comprados e levados tão a sério quanto um escritor gringo que tem “Best seller do The New York Times” como aposto do nome. É admirável. Tão admirável que, algumas vezes, conta mais sua dedicação em dividir a história com um público maior do que a história que será dividida com o publico maior.

É seu meu jeito sutil como uma morsa de dizer que eu adoro a Carol Estrella, mas esse seu novo livro... Sentimentos conflitantes.

Quando eu li a sinopse, gostei de verdade. Tanto que neste mesmo dia, minha memória falhou bonitaço e eu fiquei divagando se a história da menina que se apaixona pelo professor particular que a ensina a gostar de literatura clássica era algo que eu tinha na estante ou apenas tinha lido na internet. Eu estava empolgada. Continuava empolgada quando o livro chegou. Ainda mais empolgada quando o passei na frente de tudo que estava na espera.

Nem preciso dizer no que ~tanta empolgação~ deu.
Entre dois amores é uma boa ideia, mesmo sendo nada original. Helô não gosta de livros, mas se vê em conflito quando o “vizinho implicante”, César, a obrigada a ler alguns clássicos. É a velha história do garoto da casa ao lado, que poderia funcionar acima de todos os clichês. Dito isso, uma coisa era decisiva para fazer o livro funcionar ou não: os personagens. Um livro com bons personagens é sempre um bom livro. Um livro com personagens insuportáveis... Bem, faça as conexões.

Já disse alguém sábio que de gênio e louco todo mundo tem um pouco. Isso é levado a novos níveis com esse livro, onde sociopatia disfarçada de sentimentos puros é quase um elemento obrigatório na fórmula mágica da composição de personagens. Na boa, tem certas situações que FRANCAMENTE MIGOS. Se eu estivesse no lugar da Heloísa quando César falava “certas coisas”, eu teria:
( )Ido para Vegas e casado com a benção do Elvis;
(X)Ido na polícia e pedido uma ordem de restrições porque, novamente, FRANCAMENTE MIGOS!
Não ter bons personagens leva o livro inteiro pro saco. Se a narradora não é legal, ela não vai ter bons diálogos, nem boas divagações. É muito irritante o modo como Helõ é superficial, egoísta e se acha a senhorita miguxa. Falsiane você, hein queridinha. Tem um momento em que ela diz que amadureceu e PFFFFF. E César simplesmente não é natural. Eu não conheço um César, não imagino conhecer um César, não consigo imaginar o César. Não com credibilidade, pelo menos.


Para não dizer que o conjunto geral me desagradou, quero realçar que a diagramação ficou bem bonita – o que não é para menos, já que Helo é alguém que se preocupa tanto com beleza. Entre dois amores é um erro que puxou outro e acabou mal. Infelizmente. Vou continuar acompanhando o trabalho de Carol por causa de sua dedicação para com a literatura tupiniquim, mas não porque tive alguma boa experiência com sua escrita.

6 de out de 2015

Becky Bloom em Hollywood • Sophie Kinsella


Becky Bloom em Hollywood #7Autora: Sophie Kinsella
Editora: Record
ISBN: 9788501105721
Páginas: 560
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 Eu já li mais de 10 livros da Sophie Kinsella, cada um com suas muitas páginas. Nunca reclamei. Nunca tive motivo. Sabe aquele livro que você nem precisa ler para marcar cinco estrelas e favorito no skoob? Essa era Sophie Kinsella para mim: engraçada, inteligente e imbatível. Estou aqui hoje para contar sobre o primeiro livro quatro estrelas da autora. É com muita dor no coração, parças.


Quatro estrelas não é um resultado ruim. Becky Bloom em Hollywood não é ruim. Mas sabe a tal da decepção que você nunca esperou? As expectativas altíssimas não atendidas são tapas na minha cara. Eu esperava abrir o livro e devorá-lo no mesmo dia, que é meu comportamento comum com Kinsella independentemente do número de páginas. Então passaram dias, semanas e eu me arrastava na leitura. Não conseguia ficar presa, inteirada e animada. Era Becky se colocando em confusões totalmente desnecessárias em busca da fama hollywoodiana.

Foi a primeira vez que quis entrar no livro para gritar com Becky. Eu sei que a personagem não é a mais certinha da literatura, mas era isso que dava seu charme. Só que dessa vez ela está tão egoísta que cansa. Até os outros personagens sumiam, já que Becky não saia do próprio umbigo. Mal teve Luke, Suze virou secundária e pobre Minnie, mal passou de citação.

Ok, posso estar exagerando, mas para um livro de 560 páginas? Quero mais personagens - velhos, novos, todo  mundo! Quero os diálogos impagáveis que só Becky e sua turma conseguem proporcionar! Ter uma tirada maravilhosa a cada 50 páginas? POUCO, MUITO POUCO.

Claro que chega um momento que a leitura vai e rende. Ou talvez eu só estivesse muito determinada em chegar ao final. Becky Bloom em Hollywood é o pior livro dessa série enorme. Pior livro porque todos os outros são maravilhosamente ótimos, mas ainda assim. Agora resta esperar que Sophie Kinsella recupere a mão para a continuação. Becky Bloom em Vegas, isso mesmo produção?

5 de out de 2015

A vingança de Mara Dyer • Michelle Hodkin


A vingança de Mara Dyer #3Autora: Michelle Hodkin
Editora: Galera Record
ISBN: 9788501104649
Páginas: 378
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Quero falar sobre Bliss. A resenha de hoje, como você já deve ter notado, é A vingança de Mara Dyer, mas eu quero falar sobre Bliss. Você lembra do quão desesperada em estava por esse livro? Na minha cabeça imaginativa, Bliss seria o livro de terror que eu tanto quis e nunca encontrei. Porém ele teve muita informação e o terror perdeu a forma, como todas as vezes que eu tentei o gênero.

Pegou o link que quero fazer?

Mara Dyer era uma promessa de noites aterrorizantes para quem lesse antes de dormir. Nunca aconteceu, mas brincou bonito de ser bizarro no seu primeiro volume. Porém, como toda série que evolui, uma hora precisa deixar de suspense e dar explicações. Esse é o momento em que autores pegam a arma e dão o tiro no próprio pé (amo essa expressão, já percebeu?). É por isso que eles são sagazes e esperam o último volume. Ainda assim, uma hora a resposta não-tão-sinistra-assim vem.

O mais incrível de Mara Dyer eram os problemas psicológicos. Esse era o charme da série para mim. A esquizofrenia, sabe? Aquela leve possibilidade de tudo ser uma mentira inventada na mente perturbada da protagonista? Incrível! Por si só, temos aí uma trama genial. A autora colocou todos os elementos para que houvesse esse mistério, por mais que já tivesse começado sua rede de explicações no segundo livro. Só que ao chegar em Vingança, bate aquela dose de realidade fantasiosa e precisamos aceitar que tem um autor por trás de tudo que pode ou não ter tido as mesmas ideias de conclusão que você.

Eu lembro de ter ficado em estado de choque com o final do livro anterior, e começar Vingança foi uma atividade lenta de interação. Mara está muito perdida, e ficamos perdidos junto dela. Contudo, Hodkin conseguiu maravilhosamente seguir numa linha em que a trama pegasse um ritmo intenso sem nunca correr ou dar impressão de ter sido uma mudança abrupta de narrativa. É uma escrita muito boa, que me faz perdoar a resolução não tão legal que achei da história toda.

Nesse ultimo livro, não temos aquelas tiradas divertidas, engraçadas e cheias de ego. Em compensação, temos uma protagonista muito mais perturbada. Mara tem ações assustadoras, e essa é totalmente a melhor coisa (quem não tem cão, caça com gato e esses ditados genéricos). Algumas cenas, como uma que lembrou bonito o surto de esquizofrenia de Caminho das Indias, é eletrizante.

Com altos e baixos, A vingança de Mara Dyer fecha a trilogia com uma soma consideravelmente positiva. Se eu pudesse apenas explicar o suspense com algo do tipo de filme de terror que nunca vou assistir, poderia até dizer que essa é o livro de terror que procurei em Bliss e não encontrei. Michelle Hodkin consegue arrancar muitas emoções conflitantes nesse último livro, e está de muitos parabéns por isso.