31 de mar de 2015

Comprando livros em inglês no Brasil


Como bookaholic, passei por vários estágios: bibliotecas, livros emprestados dos colegas, feiras de livros que só vão em cidades do interior uma vez por ano e cobram seus dois rins pelo que está por R$9,90 na internet, até então descobrir a internet de fato e lotar a estante do que não li até hoje. Você se identificou? Possivelmente. Depois da estante lotada (e contando...), eu entrei numa nova fase: quero ler em inglês! Chega de encher prateleiras com livros de promoção do submarino que eu só comprei por impulso e esqueci. Há cerca de um ou dois anos (minha memória é ridícula), fiz o acordo comigo de só comprar o que estiver louca para ler e dar preferência para os livros em seu idioma natal.

Foi o início de uma nova saga. 

Como uma boa saga, a minha começou com amor proibido, no caso, entre euzinha e o Better World Books. Minha mãe não confia na internet o suficiente para me emprestar os dados do seu cartão de crédito para fazer compritchas, muito menos se estivermos falando de um site gringo que ninguém do círculo ~físico~ de amigos e parentes pode afirmar ser confiável (nem muitas pessoas do círculo virtual, mas vamos deixar isso de fora). Isso resultou em horas no google atrás de informações reais de onde comprar livros em inglês no Brasil, onde pode ser feliz e pagar com boleto. Eu ainda não consegui a liberação do bendito cartão para torrar meu grandioso salário de estagiária no BWB, porém estou bem contente com o que encontrei em terras tupiniquis. O que nos trás aqui, nesse post, o que eu tanto procurei antes de arriscar nas importações e não encontrei.

Submarino

Esse é site que você corre quando quer um livro. Melhores preços, boas condições, todo mundo dá atestado de confiabilidade... Mas um péssimo estoque de importados. Se você fizer uma busca superficial entre categorias, vai se deparar com incontáveis edições de Harry Potter e mais uma quantidade significativa de títulos que já foram lançados no Brasil. Tem alguma série que bomba mundo a fora? Vai ter versão original no submarino, isso é certo.
Vantagem: O preço. Eu tinha a ideia de só comprar livros gringos que não tivessem edição brasileira, mas depois de colocar os preços em perspectiva, mudei de opinião. Se você já lê em inglês e quer muito conhecer uma série, vale a pena conferir se não tem no site. Quando eu comprei The Maze Runner, por exemplo, o preço que paguei pelos três livros (mais frete) não foi nem metade do valor do box brasileiro em seus melhores dias. Além disso, ocasionalmente tem alguma promoção interessante, como 3 livros por R$30. É uma infinidade de títulos de Nicholas Sparks e Marian Keyes, mas se garimpar bastante, pode achar algo que se faça valer.

Cultura

Foi então, nessa fase, que conheci a Cultura. A livraria não faz muita parte do dia a dia de quem não versão física na cidade, já que raramente faz promoções e os preços são bem amargos, mas logo ela se tornou minha meca. É o primeiro lugar que corro se quero algum livro, e é o lugar que fico porque, né, encontro.
Vantagem: Tem tudo, cara! Tudo! É um livro mais desconhecido no Brasil, pouca gente fala na internet, mas você viu e quer? Lá tem! Se não tiver, você pede por email e ELES CONSEGUEM PARA VOCÊ! Os preços são caros se você for uma pessoa mão de vaca acostumada a comprar só promoções (não se ofenda, estou falando de mim), mas em comparação, são bastante justos. Claro que as versões hardcover custam ao equivalente a um ovo de chocolate trufado, e eu tenho prioridades, mas os paperbacks não doem a alma, nem tiram o sono de arrependimento. Além disso, a entrega é bastante ágil e o atendimento online é tão bom que quero abraçar o responsável pelas social medias. 

Saraiva

Estou bastante dividida quanto a Saraiva. Como pôr na balança uma experiência muito boa e outra muito péssima? Dá equilíbrio ou alguma pesa mais? 
Eu fiz duas compras de importados na loja: na primeira vez, comprei Requiem e Clockwork Princess. O prazo era de 10 semanas e chegou em 4. Isso, amigos, é a glória. Depois disso eu comprei Billy and me e Isla and the happily ever after. Mesmo prazo. Depois de 10 semanas, Billy foi entregue. Isla levou seis meses. Eles não deram satisfação nenhuma, mas mandaram o livro hardcover quando eu comprei paperback. Quero guardar remorso, mas consigo pensar em perdão... Sacomé, né?
Vantagem: Preço e continuação de série. Quando você quer muito uma continuação e não quer esperar sair em português, a Saraiva provavelmente vai fazer o melhor preço. A briga vai ficar no prazo de entrega: ele joga longe e você pode dar sorte ou querer brigar com a atendente do chat. Ainda assim, acho que 20 dilmas por Isla foi um preço ótimo a se pagar na semana de lançamento, e se tivesse entregue no prazo, eu devotaria mais amor pra Saraiva do que para Cultura. 

Amazon

Tá no Brasil e não vende boleto, que palha assada.

30 de mar de 2015

Ruína e Ascensão — Leigh Bardugo


Ruína e ascensão - Sombra e ossos #3Autora: Leigh Bardugo
Editora: Gutemberg
ISBN: 9788582352335
Páginas: 344
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Eu aprendi a diferença entre fantasia e sobrenatural há pouco tempo. Tudo a mesma coisa? Não segundo o twitter. Desde então, reparei que minha estante é quase lotada de sobrenaturais e não deixa muito espaço para fantasia. Não é meu gênero favorito? Bem possível. Um dos poucos (verdadeiramente poucos) títulos com esse estilo foi a trilogia Grisha, uma ótima leitura não marcante. Ler o último volume, Ruína e Ascensão, foi apenas reforçar o por quê desses livros não funcionarem para mim: eu não os considero memoráveis.

Com a exceção, obviamente, de Harry Potter, mas enfim.

O livro final da trilogia Grisha serviu para o único propósito de dar um ponto final para a saga de Alina e seus companheiros de batalha. Batalha essa que tem tudo para ser o ápice épico (?) dos três volumes, sendo capaz de encerrar esse ciclo do jeito fantástico que fantasias se obrigam por conta do trocadilho.

Não vou dizer que isso não aconteceu. Aconteceu. Marcou? Nem um pouco. Foi épica? Não que eu lembre. Eu senti uma dificuldade tremenda para me reconectar com os personagens e sua situação atual, como se o livro anterior tivesse ocorrido há anos. Por boa parte do inicio, eu lia sem vontade, apenas em busca do que elemento que me fisgou anteriormente. Sendo sincera, eu nem lembrava o que era, mas sabia que existia e era bom. Então eu fui lendo, avançando, desbravando preguiçosamente o universo da Alina, Órfã, Santka, Conjuradora do Sol, se encaminhando para ter tantos nomes quanto Daenerys, Mãe dos Dragões (e esse evento no facebook). Só fui ficar genuinamente empolgada com o enredo quando Nikolai deu seu ar da graça, e nisso já tínhamos andado um considerável número de páginas.

A melhor parte do enredo fica entorno do crescimento de Alina como protagonista, abraçando seus poderes e capacidades, mas eu não conseguia evitar de enxergar Bella se descobrindo como vampira nessas cenas. Além disso, sentia a trama fraquejar quando o romance entrava na história. Os sentimentos da protagonista são muito óbvios durante toda a narrativa, por mais que a autora queira induzir uma ou outra coisa. Contanto, como eu ainda sou ressabiada com a reviravolta do primeiro volume e não consigo não gostar de Darkling, fiquei irritada como o foco ficava em Maly. A simples respiração do garoto quando aos olhos de Alina me irritava. Eu não consigo ver sal nesse heroizinho entediante, porém ele é retratado como o mais corajoso dos guerreiros. E vou achar eternamente injusto que Nikolai não receba seu devido valor, em qualquer âmbito narrativo: ele é tão obviamente o melhor personagem, custa alguém reconhecer?

O livro tem força junto dos personagens secundários. Bardugo insiste em colocar Alina como o centro das atenções e, por mais que ela cresça e se desenvolva como heroína, ela nunca se torna rainha da situação de fato. E talvez foi isso, aliado com a lembrança de volumes antecessores muito bons, que eu não consegui me encantar com Ruína e ascensão. Pior que isso: o gosto de adeus que ficou foi bem desagradável. Se eu entrar numa fase de fantasias futuramente, vou reler e ver se mudo de opinião. No momento? Um tchau bem fácil de dizer.

27 de mar de 2015

My boyfriends' dogs — Dandi Daley Mackall



Sexta feira. Dia de resenha de livro gringo. Aqui. Oficial. É sério, pode cobrar.


Autora: Dandi Daley Mackall
Editora: Dutton Juvenile
ISBN: 9780525422181
Páginas: 265
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Em 2014, eu fiz essa promessa de ler pelo menos um livro em inglês por mês e no final do ano somar 20 (não sou péssima em matemática, apenas vou ler mais de 1... eventualmente). Então, como sou muito séria com metas, esses títulos meio que pulam da estante para minhas mãos antes mesmo de eu perceber, antes mesmo de ver se tem outras prioridades na fila. Antes mesmo de virar a capa para ler a sinopse. Com My boyfriends' dogs a gente já tira várias impressões - precipitadas - só com o título, não é mesmo?


Na minha cabeça, My boyfriends' dogs seria um chick lit, em que a protagonista (de 20 e poucos anos) vive suas aventuras amorosas a la Robin Scherbatsky (posso ou não ter pesquisado no google), roubando o cachorro dos caras a cada namoro mal sucedido. Isso aconteceria até ela encontrar o amor da sua vida que, saca só, é dono de um gato (sou team cats, sorry). O que eu definitivamente não esperava é que esse fosse um livro situado no ensino médio. Com uma estudante de ensino médio. Alguém que não fosse a Robin. Isso desanima as expectativas, mas né, eu sempre digo que isso é algo ótimo.

No maior estilo Deixe a neve cair, My boyfriends' dogs parte da proposta de uma tempestade. Está caindo o mundo lá fora e Bailey Daley acaba presa num café (que conta com a grande população de três pessoas) com vestido de baile e seus três cachorros: Adam, Eve e Shirley. Como a noite é grande e ir em outros lugares é impossível, ela é convidada a contar sua história sobre como conseguir seus três animais, todos de seus antigos namorados. É como se fosse um livro de três contos: um contando sobre Went que lhe deu Adam, Mitch que lhe deu Eve e Derek que lhe deu Shirley.

Mas vale reforçar que Bailey é super madura. Na primeira página do livro, quando você abre, tem um trecho da narrativa e, por aqueles parágrafos, você não nota que ela está no high school e não tem um longo histórico de relacionamentos. Eu li o prólogo e estava certa que minha ideia sobre a trama tinha acertado na mosca. Ela é uma boa protagonista, o que faz o livro sair da esfera young adult e se adaptar para fãs de outros gêneros mais maduros. É fácil se identificar com ela.

Ainda assim, como esse formato não é meu favorito, não rola aquele encantamento com a trama. A protagonista é boa, verdade, mas não é capaz de carregar a história nas costas. Os contos podem ser interligados, mas são contos: você meio que já sabe como tudo termina. Além de ser curto para que você se cative com os personagens. Não que você queira, já que quem divide o foco com Bailey são, né, ex namorados - que tem esse prefixo por alguma razão.

É o livro ideal se você quer começar a ler em inglês, porém, se for ler em busca de um chick lit divertido e de linha continua, não é aqui. My boyfriends' dogs foi uma leitura rápida e agradável, mas também superficial e esquecível.
Nível de inglês: Fácil

26 de mar de 2015

08 versões de Take me to church para glorificar de pé!


Numa lista das músicas mais fortes dos últimos tempos, é impossível não citar Take me to church, que surgiu do nada e, quando vimos, já estava no topo das paradas. Não sei nem dizer o que tem de tão incrível na melodia, mas é inegável o sucesso. E o que acontece quando temos um hit desses? Exato, uma quantidade inesgotável de covers e versões que só conseguem melhorar aquele já excelente refrão. Outros cantores já entraram na roda, celebridades de youtube e moços criativos que sabem fazer mashups. Estou ainda mais apaixonada por essa música do que estava uma hora atrás, se é que é possível. SÃO MUITOS TIROS, GALERE!

25 de mar de 2015

After: Depois da verdade — Anna Todd


After: Depois da verdade — After #2
Autora: Anna Todd
Editora: Paralela
ISBN: 9788565530842
Páginas: 632
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After é oficialmente um daqueles casos que você sabe que vai ler só para ficar irritada e mesmo assim fica ansiosa. É daqueles casos que você está lendo, bufando, querendo jogar água em todos os personagens, e não consegue deixar de lado nem por um minuto. Eu não sei qual o feitiço, mas tenho certeza que Anna Todd fez alguma coisa para deixar suas MUITAS páginas irritantes tão irresistíveis.

São 600 páginas de quase nada! Um nada muito bom, mas ainda assim: nada. Não existe um enredo conciso para todo esse tamanho, mas Todd se esforça bastante para preencher essa quantidade absurda de páginas. Muito se deve ao fato de ser uma fanfic, em que leitores estão ávidos por mais e mais capítulos de pura enrolação, porém, quando esse formato passa um livro, há uma necessidade gigante de enxugar essas várias cenas que não acrescentam em nada o propósito final. Mas, apesar disso, After não cansa, pois a autora é uma ótima feiticeira na arte de viciar. Chega a ser impressionante.

Nem adianta comentar uma sinopse pois não há nada de novo. Se você leu After: é aquilo mesmo, continuando. Se você não leu After: é o romance entre um babaca e a garota certinha enquanto o babaca fica cada vez mais babaca e a garota, cada vez mais boazinha por ser o correto a se fazer. Inovador que uma beleza!

Funcionaria muito bem, como foi anteriormente, se os personagens não estivessem tão inseguros. É muito, cara, demais. Essa insegurança e falta de amor próprio é a base do relacionamento, então sim, eu consigo ver um problema aí. Eu quero que eles tenham amizades paralelas, passem minutos separados e toquem sua vida sem precisar dar explicação, ou pior, pedir permissão. É PEDIR DEMAIS, UNIVERSO? Aparentemente, sim. Enquanto isso tenho que me contentar com a fantasia de bater no Hardin com esse livro (são 600 páginas, cara, sente o perigo!) e as MA-RA-VI-LHO-SAS cenas em que Tessa está bêbada. Dê uma batida de cereja para essa menina e veja ela se transformar na melhor pessoa. É errado da minha parte desejar que a menina passe o livro inteiro bêbada? E os outros livros seguintes também?

Ao mesmo tempo que você acha que esse é o livro em que Hardin vai ser encantador em tempo integral, para compensar seus erros grotescos, se depara com o cara sendo muito insuportável. Eu juro que não entendo porque torço por esse casal, já que tenho uma vontade danada de socar Hardin mais frequente do que é considerado correto. E eu não sou violenta, caso você esteja se perguntando. O cara irrita, faz bobagem, diz coisas ainda piores, e é muito angustiante. Como ele consegue se redimir em alguns momentos? EU NÃO SEI! Eu me entendo? NÃO ME ENTENDO.

Estou frustradíssima.

O pior de tudo é querer. Ler. Mais. Todos os problemas dos personagens, da narrativa, das situações, saltam aos olhos. Eu poderia fazer uma lista do que há de errado com isso tudo e porquê os personagens deveriam viver sua vida separadamente, em continentes diferentes, ao invés de seguirem sem aprender com os próprios erros, mas nessa mesma lista eu deveria repetir que fiquei presa nesse livro por horas a fio até ter certeza que eu tinha chegado no último ponto final. Eu não gosto de ser feita de boba, mas sinto que é o que Anna Todd faz comigo. E vai continuar fazendo, porque eu continuo sem vergonha na cara e não quero abandonar esse pessoal problemático. GRR!

  • Playlist especial:

(Desculpa, não resisti)

24 de mar de 2015

Primeiras impressões: The Royals, essa maravilhosa ♥


The Royals não foi citada no post de melhores estreias da mid season. Uma falha épica da minha parte, confesso. Afinal, essa foi a única estreante que coloquei na grade antes mesmo do piloto. Eu sabia que ia ser bom. Eu sabia que the Royals seria paixão, amor, fogo e sedução. Me dê mais cinco minutos e eu componho um ótimo sertanejo universitário para esclarecer o quão empolgada eu fiquei com essa premissa. Você pode ver pelo fato de eu não ter feito nenhuma sutileza misteriosa no título desse post. O amor é maior que eu, meus caros.

Gossip Girl: That is what I'm talking about. Depois de dois anos sem minhas doses inéditas de jóvis ricos e inconsequentes, dois anos que não consegui superar, eu tenho algo para suprir essa carência na watchlist. Eu não queria dizer isso para não ser precipitada, mas é impossível esconder a referência. The Royals, a primeira produção de ficção do E!, já foi lançada com esse estigma e qualquer um que se deixar seduzir pelo series premiere de uma hora vai entender o porquê. Eu posso listar, então com  a sua licença:
  1. Eles são absurdamente ricos;
  2. Inconsequentes;
  3. Egoístas;
  4. Ninguém presta.
Num universo paralelo mais polêmico e divertido, a família real britânica são essas belas criaturas da foto acima. O filho mais velho, herdeiro do trono, faleceu, deixando a responsabilidade (e a Inglaterra) para o irmão do meio, Liam, que até então estava levando uma vida ~comum~ de universitário. A outra princesa é Eleanor, que se afunda em festas e drogas para não precisar encarar a realidade enfeitada que precisa mascarar para seus súditos.

Como bom seriado jovem que se preze, os plots vão tomando forma ao redor dos romances impedidos e polêmicos. Liam vai protagonizar um triângulo amoroso com Ophelia, filha do chefe de segurança da Família Real, e Gemma, a ex namorada que quer uma segunda chance e a coroa de Rainha. Já Eleanor, que não quer nada com nada, vai viver algo entre amor e ódio com seu guarda-costas, Jasper, nem tão bonzinho quanto se imagina num primeiro momento.

EU SABIA QUE SERIA PAIXÃO, AMOR, FOGO E SEDUÇÃO!

É o encontro entre uma trama boa por ser trash com o atrevimento de uma produção de canal fechado. O seriado é ousado por natureza, e qualquer passo que der, se seguir a linha proposta, vai ser um passo certeiro. Esse tipo de enredo funciona maravilhosamente quando atinge o público alvo, e me colocando nesse papel, arrisco dizer que The Royals era justamente o que estava faltando por não ser mais produzido. É ouro e já quero para toda a vida!

Se você ainda não está convencido que a treta é boa, lá vai: criada por Mark Schwahn. O nome não diz nada? Mas garanto que nove temporadas de um seriado de sucesso deve dizer. Esse é a mesma mente por trás de One Tree Hill; foi ele que fez uma trama banal de ensino médio virar um drama lendário que se manteve quase uma década na televisão aberta. Ele manja dos paranauê. Imagine então o que ele pode fazer quando decide focar na família real britânica? Talvez tenha sido por isso que a segunda temporada foi confirmada antes mesmo do episódio piloto ir ao ar. O E! está apostando forte nesse novo formato e, se com dois meses de antecedência, já afirmaram que querem mais um ano dessa história, é sinal que tem muito plot incrível para esses personagens percorrerem.



Se estou ansiosa por mais? Você não faz ideia!

23 de mar de 2015

Objetos cortantes — Gillian Flynn


Autora: Gillian Flynn
Editora: Intrínseca
ISBN: 9788580576580
Páginas: 256
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Compre esse livro. Compre Garota Exemplar também. Compre tudo que essa autora lançar, vamos dar muito dinheiro para ela contratar muitos terapeutas, analistas, psicólogos e psiquiatras. Acredite, ela precisa. Em seu debut, que só recebeu o devido reconhecimento agora, Gillian Flynn nos brinda com sua mais notável habilidade: escancarar as nuances desagradáveis da humanidade. Mundos bonitos com arco íris e doces filhotes de cãozinhos? Não na visão dessa autora.

A protagonista é Camille, obrigada a voltar para sua cidade natal para cobrir um suposto assassino em série que matou duas garotas de mais ou menos 10 anos em um período de 9 meses. Esse pode ser o furo que o decadente jornal em que trabalha precisa, e Camille encara essa missão mesmo que voltar para a casa toxica da mãe  desperte fantasmas que ela achava ter enterrado.

Sinto que estou repetindo as exatas palavras que usei com Garota Exemplar, mas permita-me: estupidamente cruel e perturbadoramente genial. Objetos cortantes é a história que ninguém quer contar, que ninguém quer encarar. É sobre pessoas realmente problemáticas que precisam encarar a vida e, por consequência, seus demônios pessoais. Ninguém é 100% bom, e Flynn decide encarar a perspectiva pelos mais de 50% de genes vergonhosos e negativos que lidamos mentalmente. Seus personagens parecem ainda mais perturbados que quaisquer outros da literatura, e isso, cruelmente, é genial. Não há metáforas, floreios, belezas... É isso e fim. Encare ou abandone.

Aos poucos somos introduzidos ao mundo de Camille, dessa cidade pequena que tem mais problemas que habitantes, mas se esconde atrás dos tradicionais costumes sulistas. É de pouco em pouco que o leitor vai conhecendo a protagonista e seus fantasmas, e enquanto acontece, vai se sentindo sufocado junto dela. Flynn vai introduzindo as informações essências em momentos estratégicos, para que o choque venha em partes e constantemente. Quando você acha que todas as cartas já estão na mesa, lá vem algo novo E BOOM PARATIBOOM.

Eu descobri o mistério do assassinato bem cedo, mas não sei dizer se foi porque estava me sentindo particularmente ousada ou se estava na cara mesmo. Mas por mais que eu já tivesse a resposta por trás do serial killer, as informações/pistas jogadas ainda me deixavam surpresa. Eu queria gritar "nossa" e "eu sabia" ao mesmo tempo. 

A narrativa é muito parecida com a de Garota Exemplar. O modo como as coisas são largadas na trama me lembrou bastante o outro livro, o modo lento como Nick deixava o leitor conhecê-lo. Porém, em Objetos cortantes, essa escrita é mais crua. Combina mais com o enredo, funciona melhor. Desse modo, a autora é muito mais objetiva em expor seu ponto: que espécie curiosa esses humanos, não?!

Eu adorei, se você ainda não adivinhou. Se eu não fui clara o suficiente, olha só: sensacional. Flynn é brilhante, ousada e original, de um modo muito sádico e genial. Ela abraça vários tabus e gosta de discutir sobre pessoas que são mais do que demostram. É pra ser um triller policial, mas é mais psicológico do que qualquer outra coisa. Só não dei cinco estrelas porque estou guardando para o livro da autora que me faça abandonar a leitura de tão perturbadora. Abandonar por dez minutos, nem que seja. Com Objetos cortantes, eu só queria devorar de uma vez.

22 de mar de 2015

Playlist especial: Temporada final de Glee


ACABOU - e estou com dor! O episódio final de Glee foi ao ar na sexta feira, e depois de passar metade do sábado chorando, estou aqui, fingindo ter superado, para montar uma playlist especial com as melhores músicas dessa sexta, última e maravilhosa temporada do seriado. Vai deixar com saudades? Vai, sim senhor. Com sorte, ficamos com pastas recheadas dos covers favoritos. Mas quem agora vai me dar versões de coral de hits pop? POXA VIDA, olha a dor se aproximando novamente!!!!

Sinceramente, achei a temporada meio fraquinha musicalmente. Como eu comentei nesse post de expectativas, eu queria ver bastante pop atual, bastante Top 10 Shazam e assim por diante. Não teve muito. Glee se manteve nos antigões e entrou pouca coisa que eu já conhecia a letra de cor. É por isso que essa playlist não vai ficar das maiores. Entretanto, digo pra você, o que Glee fez bem nesses últimos episódios, fez maravilhoso.

Relembre: Melhores da quarta temporada, Melhores da quinta temporada

20 de mar de 2015

The real real — Emma McLaughlin e Nicola Kraus



Sexta feira. Dia de resenha de livro gringo. Aqui. Oficial. É sério, pode cobrar.

Autoras: Emma McLaughlin e Nicola Kraus
Editora: HarperCollins
ISBN: 978-0061720420
Páginas: 336
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Como toda seriadora que se honre, não existe uma série que se encaixe no meu perfil que deixo passar. Se tem algo que posso gostar, então vem pra cá. E claro que isso acaba refletindo em livros também. Se a obra fala sobre o mundo dos seriados, olha ele pulando para minha estante. Tem jeito melhor de descobrir sobre bastidores? Gente, não há revista nenhuma que se iguale a esses enredos - sejam eles fictícios ou não. Afinal de contas, se nem reality show é real, o que mais você pode pedir?

E The Real Real conta exatamente sobre isso. Narrado por Jesse, o livro foca num colégio de ensino médio que logo se transforma num cenário de TV. Na necessidade de uma trama adolescente interessante e real, uma equipe de Hollywood parte para o privilegiado Hamptons a fim de encontrar um cast para The Real Hampton Beach, e colocar na televisão o drama dos pobres meninos ricos. Mas então que Jesse não sabe porquê ela foi escolhida para fazer parte do reality. Seus pais não são viciados, não são metidos em coisas ilegais, muito menos, ricos. O que ela tem de parecido com os outros membros do elenco, afinal de contas? Porém, ainda assim é uma oportunidade que ela não poderia deixar passar. Se Jesse quer ser a primeira da família a entrar na faculdade, mais um emprego não deve cair mal, certo?

Eu já tinha visto esse universo sendo retratados em livros por L.A.Candy, da Lauren Conrad, mas gostei bem mais de ver isso tendo como base um seriado adolescente. Sejamos sinceros, se The Real Hampton Beach existisse na real, estaria na minha watchlist logo na primeira semana. É divertido ver toda a manipulação por trás das câmeras, como a realidade era distorcida e as pessoas mudavam para se adaptar. Principalmente Jesse, que nem amiga era de seus colegas de cena. De um minuto para o outro, eles se tornam melhores amigos com fotos de BFF na cabeceira da cama. Pelo menos quando a câmera está ligada.

As autoras conseguiram com méritos criar uma personalidade bem fundamentada para Jesse. Ela parece a garota inocente de inicio, mas logo já aprende a jogar como manda o figurino. Mas também, só assim para se encaixar nesse mundo que a abraçou tão de repente. Se Jesse começa o livro como a garota com poucos amigos que está só batalhando para entrar numa boa faculdade, só bastam as gravações começarem para ela se adaptar. E foi rápido. E foi manipulador. Não estou dizendo que ela se transforma numa Bitch com B maiúsculo, mas foi completamente diferente do que estamos acostumados a ver em protagonistas controladas por outras pessoas, que só abaixam a cabeça para continuarem certinhas. Vamos entrar na jogada, migas!

The real real é divertido, jovem, e cheio de tiradas legais. As duas autoras já são conhecidas na gringa por suas parcerias certeiras e essa é só mais uma, focando para o público YA. A narrativa flui, a história é muito bem apresentada e fundamentada, e tem aquela característica que faz parecer um filme na sua cabeça. Ou um reality show mesmo. Só tirei uma estrela porque não curti o final, achei incompleto... E queria mais intriga de imprensa sensacionalista!
Nível de inglês: Intermediário

19 de mar de 2015

5 motivos para assistir (e um para não assistir) The DUFF


Enquanto nenhuma distribuidora brasileira se encanta pela proposta de The DUFF, precisamos ver nossos amigos gringos comemorarem mais um filme adolescente no cinema. Não sei você, mas eu sinto uma falta danada desse tipo de produção longe do selo da Disney. Então, quando tem algo novo assim, o negócio é ser rata em site de torrent e torcer para os russos disponibilizem de uma vez uma boa cópia. E os migos da mafia nunca falham nessa missão. Você quer assistir de The DUFF? Eu te digo porquê.

1.Novo clássico adolescente? Possivelmente

Vários críticos já fizeram sua aposta e colocaram The DUFF ao lado de filmes como Mean Girls e Easy A. Você sabe, this means something. Esses filmes são conhecidos por contar clichês de um modo ironicamente original, e é o que esse filme faz. É a história sobre labels na visão de uma garota que não acredita nelas... até ganhar uma, e o que não definia sua vida, de repente, parece ganhar uma proporção enorme - assim como foi o plano contra as plásticas de Cady e a fama de ~fácil~ de Olive. Bianca era uma garota normal até descobrir que era a amiga feia do grupo E OPA SOPA, perai um minutchénho, vamos conversar a respeito disso.

2. Tem cena de makeover sim, senhor!

O que é uma das coisas que mais considero especiais em qualquer filme. Você pode me dar um documentário sobre a vida das árvores, mas se alguém fizer uma transformação, pode catar euzinha assistindo animadíssima! Em The DUFF, Bianca decide pedir ajuda para o babaca que a chamou de DUFF a deixá-la o tipo de garota que recebe elogios pela aparência. Claro que a ideia é bem imbecil, mas é um filme e eu quero cenas coloridas no shopping, obrigada de nada.

3. Os personagens são tão bons que até o esteriótipo é okay

É sério, isso existe. Todos os personagens do filme seguem aquele padrão que eu, você, a vó do seu vizinho conhecem. A surpresa é que isso dá muito certo, todos são únicos e divertidos ao seu modo. Até a ~vilã~, vivida por Bella Thorne, tem um certo carisma de modo tragicamente cômico.

4. Você acha que passou 15 minutos, foi uma hora

Eu já falei que filmes me entediam fácil, fácil, então jogo os braços pra cima quando assisto algo sem sentir. O diretor fez um trabalho maravilhoso na fluência da história, avançando rapidamente sem deixar de contar nada. Por mais curtas que sejam, as timelines são bem calculadas e se conversam muito bem. Parece bobo, mas é digno de nota.

5. E o gostinho de quero mais?

Existe e existe forte. O final de The DUFF é tão fofinho e cheio de amor que a vontade de que termine é nula. Você quer mais e mais, e vamos encontrar mais histórias para contar, por favor! Sabe aquele filme que você termina e pensa: "hum, quero rever"? This.

1 motivo para não assistir: "Quero ver meu livro favorito na tela grande!"

Não. Tipo não mesmo. Como adaptação, The DUFF é muito ruim. Aliás, nem pode ser chamado de adaptação: a história é completamente nova - em todos os sentidos. Com exceção da label DUFF e dos nomes dos personagens, tudo é diferente. Tudo. O clichê do filme não tem nada da proposta do livro, então se você quer ver o que leu, pode esquecer. Mas é bom mesmo assim.

18 de mar de 2015

O amor está no ar — Jennifer Echols


Autora: Jennifer Echols
Editora: Pandorga
ISBN: 9788561784836
Páginas: 398
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Estou repensando minha vida.

Pois é.

Até alguns dias atrás, eu tinha uma lista com autores que eu confiava plenamente, que sabia que esses não me decepcionariam com nenhum livro de sua carreira. Sou uma menina excessivamente positiva? Talvez. Sou uma menina que agora está decepcionada? Com Jennifer Echols, digo pra você, estou.

Such a rush. Esperei pela tradução desse livro por meses. Muitos. Quando O amor está no ar chegou em terras tupiniquins, nem me importei que a capa era feia e o título, brega. Eu queria ler, pois era da Echols e, para mim, bastava. Só que esse tipo de sustentação funciona apenas para expectativas. Um livro inteiro é uma história completamente diferente.

Não que O amor está no ar seja algo diferente. É clichê, do velho tipo característico da autora. A protagonista é Leah, que sempre foi apaixonada por aviões, já que morava nos estacionamentos de trailers e convivia constantemente com o barulho das decolagens. Aos 14 anos, ela falsificou a assinatura da mãe, juntou dinheiro e começou aulas de pilotagem. Três anos depois, quando está prestes a conseguir sua licença, o professor/dono da empresa de aviação da cidade falece e ela se vê obrigada a trabalhar para um dos filhos-herdeiros, o mau humorado Grayson.

A história não é ruim. Eu não sou o tipo de leitura que complica com clichês, você sabe muito bem disso. Você pode me entregar a história de high school mais batida de todos, com personagens chamados Ashley, Brittany e Luke, e as chances de eu gostar são bem consideráveis. Porém, com O amor está no ar, eu lutei contra a má vontade só em nome dos livros anteriores da autora. Se vamos ser sinceros, digamos apenas que Echols fez um esforço tremendo para que o conjunto de enredos e personagens não se tornasse cativante.

É tudo muito superficial: personagens, situações, elementos dramáticos. Eu passei metade do livro esperando melhorar e a outra metade, esperando acabar. É tudo muito fraco e mal trabalhado, como se Echols tivesse apenas jogado coisas no enredo e o leitor ficasse encarregado de imaginar os sentimentos para dar liga à história. Um ou outro momento mais aprofundado não foi suficiente para carregar 300 e tantas páginas nas costas.

O romance, que sempre considerei o forte de Echols, parecia uma enorme tentativa de dar certo que nunca saia do lugar. Eu via as aberturas para fazer funcionar, mas a impressão é que a autora dava para trás, fingia não ver, ou então adicionava um pequeno mistério (muito boring, se quer saber) para dar tensão sexual. Um aviso? Não dava. Me deparar com a trama da garota pobre que se envolve com o filho do chefe (novo chefe?) que também tem um irmão gêmeo muito gato... Eu não apenas já vi isso antes como também já fiquei entediada com isso antes.

Eu juro que podia funcionar. Eu, Joana, com a glória da minha habilidade de escritora, faria esse livro funcionar. O amor está no ar tem pouquíssimos pontos altos e, na maior parte do tempo, é tão profundo quanto o Cantareira em sua pior fase. É difícil de se apegar, de querer ler, de torcer por alguém ou ficar curioso com o mistério bobão que Grayson guarda. Quero muito saber o que aconteceu com a Echols que eu tanto gosto e espero. Se você nunca leu nada da autora, não se sinta desestimulado - só não comece por esse.

17 de mar de 2015

04 incríveis mashups de álbuns para cair o forninho!


Obrigada, coincidências da internet que nos apresentam coisas maravilhosas sem querer. Você sabia que mashups de álbuns existiam? Que pessoas talentosíssimas do youtube não faziam apenas covers de duas ou três músicas, como também conseguem misturar um CD inteiro num intervalo de 5 minutos e nos embasbacar? Se não, já fique sabendo: você não consegue cantar duas notas sem desafinar porque o mundo é injusto e outras pessoas já roubaram todas as doses de talento que você poderia querer dividir. Que coisa, né? Agora o que nos resta é dar o play e ver álbuns queridinhos se tornarem uma única música. Já falei que estou no chão?

X (Ed Sheeran) - Pheobe Walley: Essa menina parece tão jóvi que me sinto ainda mais aomilhada. Enfim: se as músicas do nosso ruivo favorito já são maravilhosas, imagina quando todas juntas? O álbum mais recente do moço se transformou em quatro minutos de voz e violão e um pouquito de beatbox. Deu certo. Incluir Don't mais de uma vez: QUE SENSACIONAL!

Ghost stories (Coldplay) - Kenzie Nimmo: Até eu, que não acompanho o trabalho do Coldplay muito de perto, fui rendida por esse cover/mashup pra lá de maravilhoso. Eu já falei antes que gosto bastante de duetos, e essa delicinha ao som de piano é um exemplo clássico de como o mundo é lindo. Minhas partes favoritas são quando duas músicas se sobrepõe. GENTE! ♥ 

1989 (Taylor Swift) - Sean Strums: Eu descobri que essas maravilhas de mashups existem quando me deparei com esse. Capaz que não seria Taylor Swift! Esse cover ficou lindo, como obviamente ficaria já que estamos falando desse álbum incrível. Minha parte favorita é o pequeno bônus no final que, junto de New Romantics, eles cantam velhos clássicos de Taylor: Love story, You belong with me, Trouble... 

Grammy Album of the Year - Berklee College of Music: QUE TIRO. É tudo que tenho a dizer.

13 de mar de 2015

Remembering us — Stacey Lynn



Sexta feira. Dia de resenha de livro gringo. Aqui. Oficial. É sério, pode cobrar.


Autora: Stacey Lynn
Editora: Montakle Romance
ISBN: 1494929708
Páginas: 305
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Li dois livros de Stacey Lynn e virei fã da escrita da autora. Depois disso, de duas experiências maravilhosas e que figuram a lista de favoritos de 2014, eu fiquei certa que precisava ler toda obra que ela lançasse na vida. Todos tem que ser tão excelente quanto os que eu já tinha amado, certo? Pois então: sim! Pelo menos Remembering us é (quase) tão amorzinho quanto Just one song e Just one week, aqueles lindos ♥

Amy tem a vida inteira planejada pelos pais. Ela entrou numa faculdade de prestígio, tem um namorado muito promissor, o futuro garantido e um armário cheio de vestidos. Só que, de repente, Amy acorda formada, trabalhando num café e morando com um desconhecido. Ah, e com muitas camisas xadrez no lugar de vestidos. Ela sofreu um acidente e perdeu a memória temporária, e agora precisa conhecer a pessoa que se tornou. E os motivos que a levaram a se tornar tão diferente de como se lembra.

Vários livros já apostaram nesse plot de fazer a pessoa esquecer uma parte da vida para então rolar aquela coisa de "como se fosse a primeira vez". É enredo de sessão da tarde, a gente já sabe. Mas, dependendo do autor e da criatividade, é algo que pode funcionar muito bem. Sophie Kinsella, por exemplo, acabou por fazer uma comédia excelente com Lembra de mim?. Stacey Lynn, que arrasa nos romances e uma pitada de drama, fez exatamente o que sabe fazer bem: encantar o leitor.

Particularmente, acho essa trama um pouco confusa. Essa experiência de perder parte parcial da memória é algo que, acredito, pouca gente vivenciou, então se colocar no lugar dos personagens se torna uma tarefa bastante complicada. Nós temos apenas a visão de Amy da história, e ela é uma garota que não se conhece. Ela não sabe nada sobre si mesma, sobre a pessoa com quem vive, sobre as escolhas que fez. Sua melhor amiga também não é boa em dar respostas - o que eu, sinceramente, achei duvidoso e irreal. Como assim você pode ajudar sua melhor amiga a recuperar lembranças, mas fica quieta para que ela se esforce? Dá um tempo, né.

Adam é totalmente uma incógnita. Eu já conheço a capacidade de Lynn de criar personagens masculinos sensacionais (ZAAAAACK ♥), então não saber qual é do Adam foi bem estressante. Eu queria confiar nele ao mesmo tempo que tinha uma lista de dúvidas. Ele não se abre para Amy, que, por sua vez, tem arrepios só de vê-lo. Adam não parece perfeito, não tenta ser, e quer que Amy pare de tentar também. Isso faz dele um personagem real, claro, mas ainda prefiro genéricos do Zack.

Dos livros de Stacey, posso dizer que Remembering us é o mais fraquinho. Ainda é cinco estrelas, porém passa boa parte da leitura sendo um livro de quatro - só no final que arrebata a quinta e o coração do leitor. Cada autor que apostou nessa trama fez alguma coisa diferente, então o que acho que me desanimou (um pouco) foi ver que o livro não tem nenhuma carta na manga. Just one song tinha. Just one week *fucking* tinha. Remembering us é apenas um romance. Um ótimo romance, sim, mas não digno de OMG!
Nível de inglês: fácil

12 de mar de 2015

A deliciosa maratona de Unbreakable Kimmy Schmidt


Da Netflix, só conheço a fama. Uma coisa é certa: em pleno 2015, é impossível ignorar o estrondoso sucesso da plataforma. E muito disso se deve as produções exclusivas, que conquistaram seu espaço nas premiações importantes e comentários do Twitter. Para ficar ~inserida~ no mundão, tentei acompanhar a famosa Orange is the new black, porém não rendeu. Minha segunda tentativa foi a novata Unbreakable Kimmy Schmidt e, aiqueótimo, essa sim funcionou maravilhosamente bem.

Produzida por Tina Fey (e Robert Carlock, mas quem se importa?!), a doce comédia sai do óbvio como toda boa produção fora dos canais abertos. A protagonista, que duvido você adivinhar o nome (Kimmy? Schmidt? Parabéns!), passou 15 anos num banker subterrâneo junto de outras três mulheres, quando lhes foi dito que o apocalipse tinha chegado e todos os outros seres vivos morreram. Depois de resgatada, Kimmy resolve abraçar o seu futuro e tentar a sorte em Nova York. E é dada a largada.

É uma delicia! O humor é inteligente e sutil, mesmo quando apela para situações batidas. O roteiro faz tudo parecer novo, até mesmo os personagens estereotipados - que não são poucos nem discretos. Basicamente todos os personagens tem alguma caraterística forte que é explorada a exaustão: a patroa-perua de Kimmy, seu colega de apartamento gay que deixou o interior para trilhar seu sonho na Broadway... Todo mundo é um elemento genérico da televisão, mas que se ajusta tão bem ao contexto geral que faz o conjunto parecer único. 

O roteiro brinca bastante com a inocência genuína de Kimmy, de sua ânsia por liberdade, justiça, igualdade. Ela pouco conhece a realidade do milênio, e é divertidíssimo acompanhar as aventuras de uma mulher de quase 30 anos descobrindo o século XXI. É bastante impressionante observar essa perspectiva de quão rápido mudamos e criamos novos costumes. E, acima disso, é a visão de Kimmy que faz essa diferença toda.

A parte visual também faz vários jogos inteligentes com o enredo. A inocência de Kimmy, por exemplo, que beira a infantilidade no começo, é retratada na cartela de cores da fotografia, bastante alegre, bastante viva. É colorido e brilhante, e novamente digo isso: novo. 

Doce e original, a maratona de Unbreakable Kimmy Schmidt é perfeita para fim de semanas preguiçosos. São 13 episódios de vinte e poucos minutos que você assiste sem nem sentir, mas depois repara que houve um crescimento visível em todos os personagens que acompanhou durante esse tempo. O seriado é agradável de assistir e termina deixando uma expectativa gostosa ao invés de um vazio costumeiro. Se você está na dúvida do que assistir quando seus seriados entrarem em hiatus, anote esse nome na sua lista.

11 de mar de 2015

Para sir Phillip, com amor — Julia Quinn


Para sir Phillip, com amor — Os Bridgertons #5Autora: Julia Quinn
Editora: Arqueiro
ISBN: 9788580413625
Páginas: 288
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Adoro que Julia Quinn escreva como uma máquina. Toda vez que quero ficar triste pela série Os Bridgertons ter passado da metade e se aproximar do final, lembro dos outros inúmeros livros da autora que já tiveram seus direitos comprados e serão lançados por aqui em breve. Não sei vocês, mas eu perdi as contas. Só sei que são muitos, são lindos, e podem ser lançados mensalmente para me dar doses certeiras de felicidade. Porque, vamos e convenhamos, os livros de Julia Rainha são isso: doses certeiras de felicidade.

No quinto livro, reencontramos Eloise, a Bridgerton solteirona de 28 anos. Idosa, não? Ela, que sempre gostou de mandar e receber cartas, enviou condolências para sir Phillip, que perdeu a esposa (prima de Eloise) recentemente e acabou criando uma amizade. Um ano de carta vai, carta vem, sir Phillip convida Eloise para visitá-lo e, quem sabe, tornar-se sua esposa. Não é o romance que ela sempre esperou, mas nessa idade avançadíssima, não se pode ser muito exigente. Não depois que até sua melhor amiga solteirona já encontrou o amor de sua vida.

Eu sei que leio muitos livros parecidos, mas sempre fico meio ~assim~ quando encontro duas sinopses parecidas em um período pequeno de tempo. Para sir Phillip, com amor e Paixão ao entardecer são romances históricos que começam com correspondências. Porém, diferente de Lisa Kleypas, no livro de Julia Rainha não leva muito tempo para que ocorra um pedido de casamento e os personagens se encontrem para se conhecerem pessoalmente. Acredite: é bem diferente. E obrigada por isso.

Eloise é uma ótima protagonista para romance de época. Ela é a frente de seu tempo e, por mais que se comporte adequadamente, ela tem muito mais determinação do que as outras mocinhas típicas. Isso sempre foi uma característica da autora, mas nunca senti tão forte quanto com Eloise. Ela tem bastante atitude, o que fica visível quando ela foge no meio de uma festa para encontrar Phillip em sua propriedade e, quem sabe, aceitar um pedido de casamento (depois de rejeitar seis). É impossível não se encantar por ela.

E quando você gosta da protagonista, você quer que ela seja feliz. Apenas o melhor, correto? Então arrisco dizer que esse livro foi o que menos gostei da autora até agora. Porque Phillip, embora tenha seus momentos, não é exatamente o cara romântico que me acostumei com os irmãos Bridgertons. Ele é muito recluso, arisco e, em algumas partes, bastante egoísta. Eu não quero dizer machista porque tento não julgar livros históricos nesse aspecto, porém... Hum... Não é usual da autora, sabe? O jeito de Phillip é bastante justificável se somar a cultura histórica com sua criação, mas ainda achei bastante irritante a forma como ele vê Eloise como a solução para seus problemas domésticos, e that's all, folks. Ele consegue ser meigo em alguns momentos, mas em outros é simplesmente intransigente, o que se torna irritante. O problema não foi isso em si, mas sim o fato de vir de Julia. Eu tenho muitas expectativas com essa mulher, e seus outros personagens masculinos eram sempre cavalheiros e compreensivos, você sabe...

A melhor parte do livro fica por conta da interação familiar - tanto do lado de Eloise como de Phillip. Ele tem dois filhos gêmeos de oito anos que, né, são crianças na literatura e você sabe que crianças na literatura sempre tem certo carisma. Além disso, por mais que Eloise tenha fugido de Londres, os Bridgertons em peso tem sua participação na história e, não que seja novidade, mas eles são muito maravilhosos. Juntos, então, era amor de mais para pouco espaço. Talvez eu estivesse um tanto sentimental quando li, mas alguns diálogos ousaram molhar meus olhos. Ou então eram ninjas cortadores de cebola, nunca se sabe.

É incrível como o mais fraco dos livros ainda seja muito, muito bom. Para sir Phillip, com amor pode ter sua falha descrita numa só palavra: comunicação. Bendita seja, que cria problemas para tantos e tantos enredos. Se os personagens (a.k.a. Phillip) falasse mais sobre o que sente e espera, eu não teria ficado nem ligeiramente irritada. Mas bem, pelo menos temos Eloise para preencher diálogos já que ela tem uma eloquência invejável. Por um gênero com mais protagonistas como ela, posso pedir?

10 de mar de 2015

Piece by piece: Onde está a mulher que se fortalece com o que não a mata?


Você lembra de quando, não muito tempo atrás, o único meio de escutar músicas (além do rádio) era comprando CDs? E parece até coisa de outro mundo pensar hoje que, naquela época, você comprava o álbum porque gostava de uma única música e valia a pena. Hoje eu encaro álbuns como fontes de singles, com raras exceções. Então preciso pensar assim, nos álbuns que se faziam valer por uma só música, para evitar dizer que Piece by piece, novo trabalho de Kelly Clarkson, foi pra lá de decepcionante.

Kelly, para mim, é um marco musical. Ela foi uma das primeiras cantoras que virei fã e me fez sair da bolha de Sandy e Junior que vivia até então. E como ser o contrário? Você lembra das músicas que eram sucesso anos atrás? Kelly rainha! E isso tudo contribuiu para agora eu não achar esse novo CD uma grande cosia.

Porque Piece by piece é um álbum de músicas. Okay? Não, nada okay. Porque Kelly Clarkson, meu amigo, não é famosa por cantar música. Kelly Clarkson canta hinos. Since u been gone, Breakaway, Already gone, Because of you, até as mais recentes como Stronger, People like us, Dark side... HINOS. As músicas do novo álbum não são nem de longe tão marcantes e evocativas. Não são músicas que serão lembradas por mais de década, que serão cantadas com riqueza de notas como se ouvíssemos todos os dias. Faz algum bom tempo que não escuto Breakaway, mas sei todas as palavras da letra. Escutei o álbum nos últimos três dias e me pergunta se sei alguma coisa? E se quero aprender?

Várias coisas não contribuem. Começando pelo começo, literalmente, eu levo primeiros acordes muito a sério. Se eles me pegam, já são amor. Porém, se não rola, por mais que insista, dificilmente recupera aquela primeira impressão. Aconteceu isso com a boa maioria das canções desse álbum. Quase nada chamava atenção logo de cara, salvo Heartbeat song - faixa inicial que dá a impressão que tudo que seguirá é lindo. Ledo engano, né. Por mais que seja uma ótima sacada a abertura do álbum , assim como single de estréia, Heartbeat song não representa a essencia de Piece by piece. Bem que eu queria.

A maioria das músicas são lentas. Isso é problema por si só? Não. Se torna problema, comigo, quando essas canções não são evocativas. Se a melodia é lenta, ela precisa tocar o fundo do coração, ponto e basta. Pouco acontece. Os refrões tentam, brincam com sintetizadores, mas, novamente puxando a menção daqueles hinos, não são aqueles hinos. É isso que dói mais: saber que Kelly pode cantar o que canta e precisar nos satisfazer com Invincible, Good goes the bye ou, a música título, Piece by piece.

Das 16 canções novas, eu posso dizer que gostei de 3. É uma estimativa boa considerando a quantidade de CDs que comprei por causa de uma única música, porém, repito: Since u been gone. Meus destaques, além da faixa inicial, foram Bad reputation e Second wind, ambas da versão deluxe. São essas três músicas que vão ficar no meu celular depois que eu excluir o álbum por já ter escrito a crítica. Take you high é interessantezinha, mas o refrão com abuso de eletrônico não orna com o restante do álbum. Dance with me também poderia se sobressair... se não fosse tão parecido com a P!nk a ponto de perder identidade.

Se você não gosta tanto de Kelly Clarkson, pode gostar desse álbum. Se você gosta TANTO de Kelly Clarkson que vai reverenciar qualquer coisa que ela fizer, também pode gostar desse álbum. Fãs de Kelly old fashion Clarkson (oi, eu!) vão precisar de se contentar em mais dois anos de músicas para a chance do novo álbum trazer alguns hinos. Eu compraria Piece by piece se estivéssemos antes da geração da internet, entretanto, agora, só tenho certeza que daqui a dois meses vou nem lembrar que esse álbum foi lançado.

9 de mar de 2015

As confissões das irmãs Sullivan — Natalie Standiford


Autora: Natalie Standiford
Editora: Galera Record
ISBN: 9788501400024
Páginas: 352
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Uma senhora rica está prestes a morrer e quer ver o circo pegar fogo. Por isto, ela convoca a família, diz que vai deserdar todos e só pode mudar de ideia se alguém que lhe ofendeu se acusar. Então começa uma grande briga, todo mundo odeia todo mundo e quer desvendar segredos que se mantiveram guardados por anos. Escutar atrás das portas, colocar aparelhos de espionagens da FBI nos cômodos da casa... Um caos, uma competição, algo tão doido quanto aquele filme de corrida que passa na sessão da tarde. Que livro ótimo, não? Pois então vamos falar sobre a sinopse de verdade e não o que eu achava que era.

Leia novamente até o "alguém que lhe ofendeu se acusar". Até aí: verdade. Depois disso não tem o caos. A família Sullivan acredita que quem fez a ofensa à avó Poderosa (sim, é assim que todos a chamam) foi uma das três irmãs e as obrigam a se confessarem. O livro inteiro é dividido entre três partes, três cartas endereçadas à Poderosa, em que Norrie, Jane e Sassy contam o que fizeram para ofender a imagem da família. Nada de briga por aqui, meus caros.

O que é uma pena, pois eu quis ler esse livro por conta da sinopse caótica que minha mente criativa tinha previsto. Mas diferente disso, As confissões das irmãs Sullivan me lembrou muito aqueles livros de contos, como Deixe a neve cair e My boyfriends' dogs, em que as histórias são separadas, porém interligadas. Não é meu ritmo favorito, não consigo achar tão cativante quanto uma narrativa única comum, entretanto, como a história é com os mesmos personagens e num período relativamente igual de tempo, consegui me afeiçoar um pouco com o cenário. Não muito, mas o suficiente para saber o nome de todos para escrever essa resenha sem precisar consultar no skoob. Sim, minha memória é esse péssima.

Cada uma das irmãs Sullivan tem um clichê para chamar de seu. Pelo menos foi isso que pensei ao ler as duas primeiras confissões. Norrie, a mais velha, viveu um romance com um cara mais velho, nem de longe tão rico quanto sua família. Jane, a do meio, é rebelde e decidiu se tornar blogueira para dividir os podres de sua misteriosa família com relés mortais anônimos. A maior originalidade é com Sassy, a mais nova, que conseguiu ganhar de mim no quesito descoordenação motora e se destacar perto das histórias de suas irmãs.

Contudo, esse formato peca no dinamismo. Na falta dele, quero dizer. As histórias parecem não avançar, e quando chegam num ponto interessante, acabam. Eu entendo que esse seja o objetivo, mas não parece funcionar o tempo todo. Principalmente quando alguma narradora insere um comentário que renderia mais assunto e acaba sendo esquecido como um furo de enredo.

Esperava caos, comédia e chick lit. Encontrei young adult, clichê e nenhuma piada. Eu gostei, porém, se colocar em perspectiva, é bem óbvio que não teria como ficar tão empolgada depois de ter criado uma história ótima nas expectativas. As confissões das irmãs Sullivan é um livro para quem gosta de contos, de young adults, e que não espera nenhuma novidade. Dá uma pequena curiosidade para descobrir quem foi que ofendeu a avó, mas nada forte demais para considerar incrível a história como um todo. Standiford me frustrou, mas teve uma ideia capaz de se tornar favorita. Ah, expectativas...

8 de mar de 2015

Playlist da semana!


Playlist agora é no domingo porque eu sou muito preguiçosa para fazer coisa ligeiramente produtiva no sábado? SIM! Ou não, porque eu também sou preguiçosa demais para tomar decisões importantes em manhãs de domingo. Agora vamos as músicas porque se tem uma coisa que eu não tenho preguiça de fazer, é divagar.

Vamos de eletrônico? Começamos com You know you like it, Dare you e A sky full of stars, com um Coldplay bem mais animadinho que o usual. Depois disso, minha aposta para o Talk dirty de 2015: GDFR, a nova música do Flo Rida com Sage The Gemini. E continuamos dançando? Claro, com Masterpiece, o novo single de Jessie J que elevou minhas expectativas para com o novo álbum! Acalmando um pouquinho, Painkiller, essa belezura parceria entre Rozzi Crane e Adam mozão Levine. Por fim, Love me like you do - posso parabelizar novamente a produção de 50 Shades pela escolha da soundtrack?

6 de mar de 2015

Bliss — Lauren Myracle



Sexta feira. Dia de resenha de livro gringo. Aqui. Oficial. É sério, pode cobrar.


Autora: Lauren Myracle
Editora: Amulet Books
ISBN: 0810940728
Páginas: 480
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Alguns livros despertam a minha curiosidade de maneira que "hum, quero ler". Outros despertam a minha curiosidade de maneira "MEU SANTO DEUS CADÊ PRECISO". Esses são mais raros e mais especiais. Bliss foi um deles. O young adult de Lauren Myracle surgiu na minha frente por dias, nas mais variadas situações. Para mim, já estava no ponto de ser um sinal divino. Comprei, paguei o frete mais caro, algumas semanas depois já tinha matado a curiosidade. Tinha me afogado em expectativas também.

1969. Bliss é filha de hippies e vai morar com a avó para cursar o ensino médio depois que os pais mudam para o Canadá. A partir disso, você precisa saber de duas coisas:

  1. 1969 foi o ano do julgamento de Charles Manson no caso Tate-Labianca, transmitido ao vivo na TV. Essa também é a época do terceiro movimento racista Ku Klux Klan. Feito isso, contextualização histórica: check.
  2. A protagonista é a típica garota legal. É sério. Bliss entrou pra minha lista de protagonistas favoritas. Ela é muito eu e você - sem pender para ser excelente demais nem chata demais. Ela é determinada, simpática, esperta, tem iniciativa e se considera "amiga" como se fosse uma característica elogiosa. Como eu disse: eu e você.
Como Bliss é muito legal, ela não tem dificuldade em se misturar no colégio. Mimimi da garota nova? Não aqui. Ela faz seu grupo de amigos, se dá bem com a rainha do pedaço, mas também estende a mão para Sandy, que é excluída por todos por ser meio esquisita. É um sopro de ar fresco encontrar alguém assim em livros YA: que não faz de adaptação um grande dilema. O que é ainda mais interessando considerando a criação da personagem, já que hippies não eram exatamente bem vistos naquela época.

A ideia é que Bliss seja um livro de terror. Entretanto, a impressão que tive foi que Myracle não tinha bem ideia do que fazer para que a trama parecesse bizarra e acabou misturando várias coisas. No final, você não sabe no que se apegar. Há sobrenatural, referências ao caso de Charles Manson,  segregação racial pesada, relacionamentos esquisitos com gatos e uma amizade unilateral bastante sinistra. Porém o resultado é confuso. Todos esses plots são expostos mas nenhum deles é trabalhado para se tornar grandioso. Acho que a autora não quis pecar por dar força demais à algo em especial, mas foi aí que perdeu o encanto, pois nada chama atenção de verdade.

Ou, talvez, eu tivesse expectativas demais. Acredite, eu tinha muitas. Eu tinha acabado de ser surpreendida por Filme noturno e tinha colocado uma tremenda pressão para que Bliss fosse tão engenhosamente assustador quanto tal. Sem falar que um young adult, se bem executado, seria algo completamente fora da caixinha. Mas não é. Ele tenta, a autora se esforça, mas não se destaca. Para mim, Bliss foi diferente, mas não ousado. Foi interessante, mas não cativante. Foi bom, mas não incrível.
Nível de inglês: Intermediário 

4 de mar de 2015

True — Erin McCarthy


True #1Autora: Erin McCarthy
Editora: Verus
ISBN: 9788576863335
Páginas: 266
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Eu gosto de new adults porque são livros fáceis. Eles não exigem de mim e eu não exijo deles. Vivemos bem. Meu gosto literário jamais será o mais refinado e estou realmente de boa com isso - não leio para ganhar conhecimentos que mudam a vida, afinal de contas. Eu leio para não compartilhar aquele tweet que diz apenas "tédio" numa tarde de domingo. Eu leio porque sei, gosto, posso. E estou nem um pouco preocupada por estar montando uma extensa coleção de histórias parecidas.

True, de Erin McCarthy, é um encontro de Playboy irresistível e As batidas perdidas do coração. Você não precisa saber muito da história (a sinopse oficial é um grande spoiller), apenas que a protagonista é Rory, ela tem 20 anos e quer ser médica legista para não precisar lidar com os vivos. Resgatando-a de uma situação complicada (síndrome da donzela em perigo: check), está Tyler, badboy tatuado com muitos - eu disse: MUITOS - problemas familiares. Eles não combinam e, ao mesmo tempo, são parecidíssimos. E têm muito para aprender com o outro.

Uma das coisas que mais gostei no livro são as discussões sobre literatura que Rory e Tyler se envolvem. Como ela é bastante racional e ele, um leitor ávido, ele banca o tutor dela em literatura, o que rende alguns comentários bastante sagazes e interessantes. Num deles, o que mais me chamou atenção, foi que Rory reclamou que os personagens de livros são idiotas por insistirem em problemas que se resolveriam em 10 minutos se houvesse comunicação. O que Tyler respondeu não tem muita importância (embora seja verdade), mas o que causou o destaque é que foi exatamente isso que Rory (a autora?) fez ao conduzir a trama.

Os problemas do casal - ou o que você acredita ser, até certo ponto - são apenas palavras que não são faladas. Cada um fica remoendo o que acha que o outro está pensando, fica esperando por ouvir a resposta da pergunta que não fez, e tudo se torna uma grande bola de neve como plot. Bola de neve de coisas não ditas. Acima de tudo, isso é irônico por conta de Rory. Logo ela, tão lógica e racional, que percebeu isso enquanto lia, faz a mesma coisa e, quando reflete a respeito, tem a brilhante decisão de continuar no mesmo passo. Miga, me ajuda a te ajudar!

O desenvolvimento do romance é muito meigo e coerente. Fui conquistada por Riley logo de cara, quando ele fez um comentário não-ortodoxo quando Rory contou que a mãe havia morrido de câncer. Foi tão simpático sem ser óbvio que me fez acreditar piamente na capacidade de escrita de McCarthy. 

Outra coisa que merece comentários são as cenas hot. A autora já escreveu livros para Julia e Sabrina, então sim, fiquei com um cadinho de preconceito (desculpa decepcionar se você achava que sou um ser humano perfeito). Mas afinal, sejamos sinceros, com essa informação você começa esperando o que? Uma melação danada, né? Palavras bregas e cenas longas. Porém não. É delicado, não se estende nada acima do devido e com a mão muito equilibrada. É notável e, embora não devesse, raro também.

Eu gosto de quando livros me fazem entrar na madrugada e não notar (mesmo que minhas olheiras no outro dia sejam bem, hum, visíveis). True foi um deles. De "só mais um capítulo... e outro", se tornou uma leitura muito ágil. Eu adorei, gostei dos personagens, comprei seu romance, suas histórias e seus dramas. Só não considero cinco estrelas por conta do final corrido, tive a impressão que tudo aconteceu no último capítulo de menos de 10 páginas. Apesar disso, True é muito bom. Só, pelamordejesus, não vá ler a contracapa antes de ter passado da página 200.

3 de mar de 2015

Cinquenta tons de abuso lapidado


Essa é a quinta vez que começo essa crítica. Provavelmente é a décima segunda, considerando as que fiz mentalmente e não anotei no papel. Eu simplesmente não sei o jeito de começar. Que tal assim: eu venci. Não consigo pensar em expressão melhor para definir meu sentimento de mérito por ter assistido Cinquenta tons de cinza até o final

Cinquenta tons de cinza é a história do cordeiro que se apaixona pelo lobo. Sim, aquele lobo e aquele cordeiro. Quando dizem que a história é um Crepúsculo para maiores, vai além das ligeiras semelhanças características de uma fanfic. É a essência de um refletido no outro. É tão absurdamente parecido, em tantos âmbitos diferentes, que passei duas horas esperando Christian revelar que era um vampiro - a única coisa que, veja só, faria aquele enredo ganhar o mínimo de coerência na minha cabeça. 

Posso falar na real? Degradante, ofensivo e insultante. Eu me recuso a acreditar que um relacionamento tão abusivo quanto o representado seja vendido como uma das maiores histórias de amor da nossa geração. Se isso é sinônimo de casal saudável, eu quero ser a tia solteira dos gatos, obrigada de nada. 

Ao meu ver, o problema nunca foi Christian ser rico e Anastacia ser virgem. Não vejo isso como um paradigma machista por si só. É só quando aliados com outros elementos e as personagens "cativantes" dos protagonistas, que o problema se forma e tudo aquilo chega ao ápice do erro.

Quero ilustrar isso como uma cena maravilhosa que representa exatamente o que quero dizer. Christian e Anastacia estão jantando com a família dele. Ao ser perguntada de seus pais, Ana comenta que a mãe mora na Georgia e ela vai visitá-la no dia seguinte. A reação do parceiro? Um surto. A brilhante frase "You're mine. You're all mine.". Nessa parte eu cheguei a pensar que o próprio diretor estava zoando a história, pois não existe imagem mais retrógrada que o cara colocando a mulher sobre os ombros, o que Christian faz. Isso, meu amigo, é pré história. Isso é homem das cavernas. Isso é romance nesse século, sério?

2 de mar de 2015

Sem esperança — Colleen Hoover


Sem esperança — Hopeless #2Sem spoillerAutora: Colleen Hoover
Editora: Galera Record
ISBN: 9788501065124
Páginas: 320
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Se eu tenho uma danada implicância com continuações que, na verdade, são apenas diferentes pontos de vista, a grande culpada é Colleen Hoover. Pausa me fez repensar enormemente os meus sentimentos por Métrica e fiquei deveras ressabiada com essa artimanha capitalista. Porém, como sou brasileira e tenho garra no DNA, eu dei uma segunda chance para a autora e fui ler Sem Esperança, que nada mais é que Um caso perdido (esse chuchu) na visão de Holder. 

E se Colleen Hoover conseguiu se desculpar? Muito. Se você não conhece a história, saiba apenas que os protagonistas são Sky e Holder, e ambos precisam lidar com os seus traumas de infância. Como, dessa vez, a narrativa é contada por ele, encontramos Holder alguns anos antes da história começar, antes de conhecer Sky. O livro já começa na dor: a morte de Less, sua irmã gêmea. E da dor evolui, e da dor não saiu.

Acho que nunca vi um livro de POV tão bem escrito. Chega até ser surpreendente que a minha melhor experiência com mesmo-livro-narrador-diferente seja justamente da mesmo autora da pior experiência. Parece que Hoover leu todas as críticas e soube exatamente o que fazer, sem se deixar levar. Diferente de Pausa, em Sem Esperança não há uma desconstrução dos personagens. O que você já conhecia do enredo, permanece lá - só é acrescentado. E é incrível como isso acontece.

Como a construção do relacionamento de Sky e Holder é primordial para a história, e Hoover já tinha detalhado tudo em Um caso perdido, as cenas continuam as mesmas. Os diálogos são repetidos com as mesmas vírgulas. Apesar disso, é como se estivesse lendo um livro diferente. Não parece repetitivo e cansativo, você entra novamente naquela história repleta de dor e se angustia nas exatas mesmas páginas, porém com motivos diferentes. O modo como a autora conseguiu aprofundar ainda mais o drama dos personagens seria brilhante se não fosse tão doloroso. Tudo que eu queria durante as 300 e poucas páginas era sentar e consolar Holder, porque ai meu coração!

Dessa vez, me apeguei a detalhes que, até então, nem tinha reparado. Por exemplo, Métrica. De uma forma muito sutil, Colleen Hoover introduz seu outro livro na história - como um livro e não personagens cruzados - e é simplesmente genial a forma como ela fica se dando elogios velados. Cá entre nós, creio que me detive mais nesses detalhes para me concentrar em algo que não fosse dor. Por mais que alguns momentos sejam bastante engraçadinhos, como qualquer vez que Daniel, melhor amigo de Holder, abria a boca, nada conseguia apagar que, por trás de tudo, Sem esperança tem sua estrutura montada em cima de uma base bem dramática.

Eu juro que não sei escolher entre Sem esperança e Um caso perdido. Também não sei se sofro mais por Holder ou por Sky. Hoover é uma senhora muito dextruidora e sem coração que consegue escrever histórias lindas e maravilhosas sobre tabus dolorosos. Por isso, recuperei a confiança na autora e voltei a acreditar na sua habilidade de escrever new adults com um quê a mais. Só espero que ela escreva um novo livro sobre esses personagens, avançando para uma parte feliz da vida, como uma forma de perdão depois de toda essa sofrência.

Resultado: Trilogia Feita de fumaça e osso


Está se sentindo com sorte? Pois, digo pra você, é uma boa hora para se sentir assim. Será que foi você que levou para casa a trilogia Feita de fumaça e osso? Vem ver!

1 de mar de 2015

Playlist da semana!


Por dois fim de semanas, fiquei sem notebook. O que isso significou? Duas semanas sem playlist e uma infinidade de prints do Shazam na minha galeria do celular. Ah, meu caro, temos assuntos para muitos posts! 

Começamos com a nova farofa de Selena Gomez e seu novo date, seguida pela minha aposta para Clean Bandit depois do flop pós Rather be; Depois uma seleção mais alternativa: tem indie pop delicinha e animado, indie rock de fossa, indie eletrônica que provavelmente foi tirada de uma série da MTV. Por fim, dobradinha de Beyonce: XO e a nova versão de Crazy in love, a única coisa que eu realmente não tenho o que reclamar sobre 50 Shades. Aumente o volume!