27 de fev de 2015

The summer of skinny dipping — Amanda Howells

Sexta feira. Dia de resenha de livro gringo. Aqui. Oficial. É sério, pode cobrar.

Autora: Amanda Howell
Editora: Sourcebooks
ISBN: 9781402238628
Páginas: 304
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Nós moramos em partes muito diferentes do país. Quer dizer, talvez você seja meu vizinho, não sei (Oi!), mas muito provavelmente nós estamos em estados diferentes. Logo, eu não compartilho dos seus surtos de calor. Pode até ter chegado a 40ºC alguns dias atrás, mas estou escrevendo essa resenha pensando em chá, café e meias. Meias quentes. Por que eu estou divagando sobre o clima? Porque o livro de hoje, The summer of skinny dipping, é um livro para se ler no verão. Estava muito quente quando eu decidi ler para ser temática. Aí choveu. E continuou chovendo. E agora esfriou. E mais uma tentativa de ser temática deu errado. Isso é carma?

Enfim. The summer of skinny dipping é sobre (adivinhe!) um verão. Mia tem dezesseis anos e não pode estar mais ansiosa para passar o verão na casa de praia dos tios, em South Hamptons. Ela vai ver a sua prima/melhor amiga, Corinne, depois de três anos de apenas mensagens e emails, e ambas vão nadar e aproveitar tudo que a praia pode oferecer. Porém, quando lá, as coisas não são como ela esperava. Corinne está distante e egoísta, e nem um pouco animada a sair com inocente prima do interior. Mia deve, então, encontrar sua própria diversão - e é aí que conhece Simon. É aí que começa o melhor verão de sua vida.

É uma história clichê da estação. Por mais que o verão americano seja em julho, aquele feeling de recomeço e liberdade está todo lá. O verão marca o começo de um ciclo, e desde o começo do livro percebemos que é isso que Mia mais quer: algo novo, diferente, emocionante... Algo memorável, sabe? E, apesar de pouco fugir de um young adult comum, é isso que a personagem - e autora - consegue.

Mia é comum e apagada, e é logo isso que chama atenção de Simon. Esse é campo de abertura para o personagem mais belamente intrigante do livro. A autora abusa de frases de efeito bonitas para que ele pareça inteligente (de um jeito rebelde incompreendido) e se dá muito bem com isso. Simon faz o tipo "falou pouco, mas falou bonito", e seu jeitinho antissocial o deixa fofo. Ele e Mia nadam, conversam, beijam, e criam seu próprio mundo no verão dos privilegiados jovens inconsequentes dos Hamptons.

Pois é óbvio que esse é um tema que deveria ser abordado. Estamos falando de Hamptons e adolescentes ricos e você não precisa ter assistido Gossip Girl para saber que a liberdade rola solta. Assim como álcool e drogas. Howells faz essa abordagem mas não se dedica tanto a ela. Há comentários, muita gente usa drogas, outras abusam, mas não é um assunto explorado daquele modo mensagem-social-de-campanha-publicitária, entende? Foi simplesmente uma abertura para que não perdesse a oportunidade, mas deu a impressão que a autora não quis entrar a fundo para acabar com a atmosfera bonitinha de verão em que o enredo se encontrava.

Não que ela não faça isso depois. Bem para o final, as coisas mudam e The summer of skinny dipping deixa de ser um simples livro amorzinho e despretensioso de verão. Quando isso aconteceu, achei irritante e me senti enganada. Não quero entrar em detalhes para não ser spoiller, mas eu senti que a trama tinha mais do que deixava transparecer quando li a sinopse oficial e uma palavra me chamou atenção. Digamos apenas que o que era para me deixar chateada fez a história perder todo seu valor para mim. Tá, não todo, mas uma parte bem generosa. 

The summer of skinny dipping foi lido em uma semana chuvosa, e o irônico foi que só abriu sol quando, metaforicamente, na história choveu. E eu não gostei. Toda uma leitura doce e quotável terminou em cinco páginas que eu só li porque eram poucas, pois a vontade tinha acabado. Howells teve uma ideia interessante, mas executou de modo que o leitor se sentiu lesado. Eu me senti lesada. Eu posso não ser escritora, mas sei que isso não se faz com o pobre leitor inocente.
Nível de inglês: Fácil até Simon começar a poetizar. 

26 de fev de 2015

Filme noturno — Marisha Pessl


Autora: Marisha Pessl
Editora: Intrinseca
ISBN: 9788580575903
Páginas: 624
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Por mais que eu quisesse ler Filme noturno, eu abri o livro carregada de receio nas costas. Receio por várias razões:

a) Eu tenho preguiça de thrillers. O único que tinha lido e gostado até então era Garota exemplar, e justamente por ser diferente dos outros;
b) 600 páginas é um número muito grande para ficar presa em algo que não me prendesse;
c) Ninguém era claro a respeito desse livro, nem a própria sinopse. Cada resenha me sugeria uma coisa e nenhuma era sinônimo de certeza que eu ia gostar; e
d) Disseram que o final era aberto. Damn it, finais abertos!

Então, para lutar contra isso, estabeleci a meta de 60 páginas por dia. Não cansaria, e não ocorreria o risco de abandonar. O que eu não esperava era ser fisgada logo nas primeiras páginas e ter que abandonar a leitura por estar, hum, assustada. Filme noturno, apesar dos meus pesares, foi uma das maiores surpresas da minha estante, e me abriu um novo leque de possibilidades literárias.

A história é protagonizada por Scott McGrath, um jornalista investigativo que joga sua carreira na lama quando parte para cima de um recluso diretor de cinema que pode ou não ser realmente perturbado. Cinco anos após o incidente que faz todos os contratos de McGrath serem anulados, o assunto volta a tona quando a filha do diretor, Ashley, de 24 anos, é encontrada morta, um suposto homicídio. Junto de Hoppen e Nora, que tiveram contato com Ashley em seus últimos dias, McGrath retoma a investigação para descobrir quem é o verdadeiro Cordova e qual sua influência no suicídio da filha.

Filme noturno é um grande encontro de terror e suspense. É a trama que eu passaria longe no cinema, mas que eu quero ver genéricos na minha estante. Pessl constrói um enredo pensando sempre em viciar o leitor, deixando pontas e brechas para que se envolver com o mistério se torne inevitável. É como uma linha contínua em que cada descoberta leva a outra, que sugere outra, que apresenta um novo personagem disposto a falar. Tudo se mistura e as possibilidades vão a mil. É nessa parte que Filme noturno avança dentre os gêneros e mostra uma nova faceta de horror: o que Pessl acrescenta vai além dos limites do céu e da terra, com o perdão do clichê. É o novo misturado ao velho e, de repente, há setas apontando para todas as direções e tudo que você quer é mais tempo livre para desvendar logo essa charada.

O que mais gostei é que os personagens principais não são inteligencias sobre-humanas. Por mais que gênios como Sherlock sejam maravilhosos, são caras como McGrath que sustentam esse tipo de história. Ele pode não descobrir tudo só vendo um fio de cabelo fora do lugar, mas é capaz de notar o que está na sua frente, encontrar as pistas jogadas para que a investigação nunca pare e sempre tenha um direcionamento.

Gostei bastante que a vida pessoal dos personagens nunca é colocada como foco da narrativa. Embora tenha seu espaço, o que Scott, Nora e Hoppen fazem na privacidade não leva muitas páginas para começar e acabar. O assunto principal se mantem na investigação do caso de Ashley, e é isso que dá assunto para as 600 páginas. Nada além.

Pessl propõe reviravoltas, teorias alternativas e seu grande trunfo é fazer o leitor se sentir idiota, perdido sem saber no que acreditar. É na dificuldade de encontrar uma aposta para colocar as fichas que tudo parece ainda mais incrível. As alternativas são ousadas e algo menos que NOSSA parece decepcionante. É por isso que acredito que o final de Filme noturno não se encaixa completamente na label de "aberto". Há uma explicação coerente, você só resolve não acreditar porque suas expectativas são muito altas e você quer loucura. Eu acredito em qual é verdade, mas escolhi imaginar que a autora estava tirando com a minha cara e não quis contar toda aquela explicação de 200 páginas que meu cérebro pensou.

Algo me impediu de dar cinco estrelas para o livro, e talvez tenha sido o fato de eu estar muito envolvida com a história para vê-la terminar. Eu acredito que Pessl podia escrever muito mais e Filme noturno não teria se perdido. Podia explorar outros ângulos, acrescentar mais sites e pesquisar e recortes de jornais. Achar tão bom que 600 páginas foi pouco é um motivo ruim para não dar 5 estrelas? Talvez. Mas que gostei e quero mais? Verdade.

24 de fev de 2015

Paixão ao entardecer — Lisa Kleypas


Paixão ao entardecer — Os Hathaway #5Sem spoillerAutora: Lisa Kleypas
Editora: Arqueiro
ISBN: 9788580413557
Páginas: 272
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Essa sou eu numa épica batalha interna para decidir qual meu livro favorito da série de romances históricos Os Hathaways. Eu já sei que essa é minha segunda favorita dentro do gênero, porém um entre os cinco livros para eleger como "oh mestre grande supremo"... Err... Complicado. Só sei que o quinto e último, Paixão ao entardecer, está lutando bravamente pelo posto... E quando eu decidir dar a coroa, pode ser para ele.

No último livro de Os Hathaway, o foco vai - obviamente - para a caçula, Beatrix, a única que ainda não teve sua história contada. Ela sempre foi apaixonada por animais e seu relacionamento com bichanos é muitas vezes melhor do que com humanos. Isso foi notado pelo capitão Christopher Phelan, que, certa vez, disse que ela era mais adequada aos estábulos que aos salões de baile. Porém anos se passaram, Christopher está na guerra, e mantém correspondência com Prudence, amiga de Beatrix. Numa dessas cartas, o capitão cita um cachorro no campo de batalha e Bea sente a necessidade de respondê-lo, usando o nome (com permissão) da amiga. É muito sem querer quando essas correspondências inocentes evoluem para cartas de amor, com sentimentos muito mais reais do que Bea já imaginou sentir por alguém tão rude quanto o capitão.

Eu tinha grandes dúvidas com esse livro. O mais fraco da série tinha sido o terceiro volume, quando os personagens principais não estavam juntos da família Hathaway, como foi com os livros antecessores. O maior ponto forte de Kleypas é a proximidade da nobre família não convencional, e separá-los é tirar da obra o que tem de melhor para oferecer. Em Paixão ao entardecer, não é o que acontece. Bea conhece Christopher em alguma temporada em Londres, mas isso mal é citado. A proximidade entre eles surge nas cartas, para, só depois, eles se encontrarem em Hampshire, onde todos os Hathaways estão perto o suficiente para dar o ar de sua exótica graça. Então a autora também ganha pontos pelo equilíbrio, pois conseguiu inserir a família ao mesmo tempo que um dos personagens principais é alguém totalmente novo naquele cenário.

A forma como o romance evolui é uma graça. Kleypas não acelera a passagem de estranhamento entre os personagens para até sentirem afeição, é tudo muito coerente a forma como acontece. De inicio, eles mal se conhecem, só o suficiente para tirar opiniões precipitadas sobre o outro. Então a autora trabalha com isso: começa pelas cartas. até se encontrarem em Hampshire (quando Christopher nem sabe que, na verdade, se correspondeu com Bea). É muito incrivelmente fofo. Parece ser difícil, mas não levou muito para que a autora reconstruísse a imagem ruim e pré-concebida que eu tinha do capitão graças ao episódio do baile. Kleypas criou uma química incontrolável e uma ligação bem especial entre o casal, o que sustenta o livro com um pé nas costas.

Tenho a impressão que Kleypas estava em sua melhor forma quando escreveu esse livro (por isso me sinto inclinada a dizer que é o favorito... mas ainda estou indecisa). Há inúmeras tiradas maravilhosas, comentários sagazes, divertidos, vindo de todos os personagens. O humor da autora estava afiadíssimo, e acredito que ela guardou o melhor de sua capacidade para encerrar com chave de ouro.
[...] - Amelia, não posso conversar sobre isso agora. Ou vou me jogar no chão e começar a chorar.
- Santo Deus, não faça isso. Alguém pode tropeçar em você.
- Agora é a hora em que você saca um de seus malditos ditados ciganos. Algo sobre galos colocando ovos ou porcos dançando no pomar. É o que sempre faz. Vamos lá.
É um livro maravilhoso, sem dúvidas. É inteligente, romântico, engraçado e bem escrito. Paixão ao entardecer reúne todas as qualidades do gênero e brinda o leitor com um final digno para uma série excelente. Então me diga: muito cedo para reler?

19 de fev de 2015

Reflection está tão bom quanto uma farofa


Eu gosto de farofa. Se você está lendo isso aqui, você também gosta. Pode ser que você não queira levantar essa bandeira em praça pública, mas verdade seja dita: farofa é bom. Mais importante: ninguém rejeita uma boa farofa. Em termos midiáticos, farofa vende. E eu, como detentora dos poderes de detectora oficial de farofas, estou dando o prêmio farofento de 2015 para Fifth Harmony e seu álbum de estreia: Reflection.


Existe uma coisa que você precisa entender: fandom brasileiro não é parâmetro pra sucesso mundial. Não existe pessoal mais engajado com esse negócio de ser fã que os brasileiros, então se há muitos fandons tupiniquins no twitter, não é exatamente sinônimo de que, na gringa, esse artista bomba tanto assim. Fifth Harmony é um exemplo claro. As garotas saíram de um reality show musical, e isso é bastante parecido com o que acontece com os participantes dos Superstar da vida. Cantores de reality são facilmente esquecidos, e precisam se esforçar um pouco mais para consolidar o sucesso. A turma da Camila está nesse barco. Pode haver vários icons do twitter com o rosto da Camila seus rostos estampados, mas isso não está refletido em vendas, por exemplo. Não tão expressivamente como parece.

E Reflection, a estreia oficial dessas garotas (porque EP é EP, desculpa), é um álbum comercial em sua forma mais pura. Pode parecer que eu uso a palavra farofa de forma rasa, mas não - eu levo ela muito a sério. Quando eu digo que o álbum debut dessas garotas foi feito para vender, eu estou apenas repetindo o que todas aquelas batidas batidas querem dizer. É pop, é dançante, é o álbum que você adora. Uma festa com essas músicas tocando repetidamente vão fazer você dançar muito. Quem foi que disse que comercial é um problema?

O que é problema é que ficou óbvio. Reflection não é farofa apenas por ser pop, mas também por lembrar kibe. Palavra muito forte? Digamos apenas que essas músicas despertam lembranças de outras músicas. Certos momentos você até acha estar ouvindo uma repetição infinita de Sledgehammer, uma das melhores músicas do álbum, mas depois começa a perceber que essas melodias não são apenas parecidas entre si, mas também lembram vários hits dos últimos anos. Ao mesmo passo que todas as músicas são envolventes, todas vão lembrar outra que você já conhece. Ou você vai me dizer que já não tinha dançado no ritmo de Worth it antes desse álbum ser lançado? This is how we row, que tem várias mudanças de ritmo, me lembrava uma canção diferente a cada batida nova. E eu já estava cantando a letra de I've had the time of my life quando percebi que na verdade não era um cover e sim, Body rock.

Eu tenho uma teoria bem criticada sobre Camila dever investir em carreira solo. Vamos fazer um pequeno teste antes de você me jogar pedras: qual é a primeira garota que você pensa quando alguém fala em Fifth Harmony? Posso estar errada, mas acho que não. E Reflection não me dá nenhuma prova disso. A maior vantagem de uma girlband é fazer a jogada das várias vozes, de tom sobre tom, e isso é muito pouco explorado no álbum. Na maioria das vezes, o efeito coral poderia muito bem ser feito pelo amado sintetizador dos cantores solo, porque quase não há diferença.

Não quero tirar o mérito dessas garotas pelo álbum. É muito bom, Camila e as outras, parabéns! Mas, como todo álbum pop que não passa de batidas dançantes, depois de muito ouvir e dançar, ele se torna enjoável e esquecível. Não sou eu que digo isso, é a playlist do seu celular. Eu já escutei Bo$$ até cansar, estou fazendo isso com Brave Honest Beautiful, provavelmente vou fazer com Like Mariah. Com exceção da blergh Sugar Mama (como alguém pode achar que aquela era uma boa melodia?), todas as músicas de Reflection são ótimas para você aumentar o volume e fingir que está protagonizando um filme de high school. E assim será até surgir um novo merecedor do prêmio farofa, logo logo.

18 de fev de 2015

Simples perfeição — Abbi Glines


Simples Perfeição — Perfeição #2 — Rosemary Beach #5Sem spoillerAutora: Abbi Glines
Editora: Arqueiro
ISBN: 9788580413571
Páginas: 208
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Eu já falei bastante sobre Simples perfeição por aqui, não? Falei bastante, também, no twitter. Se por acaso você não tenha visto nada, clica aqui e vá para o post que discuti sobre o machismo de Abbi Glines, porque aquela é a base para esta resenha. Simples perfeição é um insulto a todos os ideais feministas que a internet tenta disseminar, e desculpa, mas eu não consigo não ficar irritada com isso.

A história vai seguir do exato ponto em que Estranha perfeição terminou e vamos ter aqueles mesmos personagens lidando com os mesmos problemas. É a família rica de Woods não gostando da pobre Della, que, por sua vez, continua lidando com seus traumas de infância. Boa parte da história vai dando voltas nesses dois plots, interligando-os e enchendo de momentos absurdos de superproteção e submissão. É a forçação de barra já costumeira de Abbi Glines conseguindo alcançar novos níveis. 

Eu dei duas estrelas para o livro porque chega um momento em que surge aquela luzinha fraca no fim do túnel. Depois de muito mimimi, a autora faz parecer que há esperança para esse relacionamento disfuncional e faz os dois personagens lidarem com os próprios problemas separadamente. Força a barra aí também, porém, no meu lugar de leitora, foi a única vez que consegui respirar pelos personagens - por Della principalmente. Eu senti, mesmo que por pouco tempo, que era possível o casal criar uma relação tranquila, igualitária, em que Woods deixasse Della tomar suas próprias decisões e que ela visse que é possível agir por si só. Funciona, mas por pouco tempo. É um romance, afinal de contas, e dizem por aí que o gênero exige que as pessoas trabalhem como duplas ao invés de solo. 

Então, depois que a luz acendeu e as coisas pareciam indo bem, houve uma bela frase que me fez perder qualquer resquício de expectativa para com o livro. Não havia mais luz, só breu. Por favor, atenção:
"Ele estava me monitorando. [...] Meus olhos se encheram de lágrimas e eu não me importei. Eu queria chorar. Eu estava feliz. Eu era amada."
Depois disso há uma sucessão de tiradas impagáveis, uma pior que a outra. Abbi Glines desfez seu pequeno avanço e cortou nossa relação de vez. A grande vantagem da autora é sua narrativa absolutamente fácil, que tornam seus livros uma leitura rápida, porém cinco livros foi o basta para mim. Quero essa escrita sem mensagens machistas, então talvez eu volte a ler Glines quando ela desistir dessa síndrome infinita de Malhação, que nunca inverte e sempre o cara é rico e a garota é virgem. 

12 de fev de 2015

Os 04 últimos filmes que assisti!


Estou assistindo mais filmes, olha que surpresa. Acredito que nessas férias vou esgotar a cota de paciência que tenho para longas e depois que as aulas voltarem esse tipo de post vai ficar jogado no cantinho. Vamos aproveitar enquanto dá, certo? Acho que terminar de assistir tudo que baixei será meu compromisso de carnaval, hum...

A Esperança - Parte 1

Assisti, mundo, finalmente. E então, vamos jogar limpo: Quem foi que em sã consciência disse que A esperança era tão bom quanto Em chamas? Mentira, gente, mentira forte e rude. Por melhor que o filme seja, ele é comparável com Jogos Vorazes, ou seja, uma adaptação ok. A minha impressão é que as quase duas horas serviram unicamente para preparar o terreno para só então, na parte 2, a coisa deslanchar como deve. As partes mais emocionantes do filme foram as cenas que envolviam o Peeta (poucas). Na verdade, a participação de Josh me lembrou muito Robert Pattinson em Lua Nova, quando forçaram a presença apenas para conquistar o público cativo do personagem (o que funciona). Então, se você for colocar esse filme ao lado do anterior, cujos todos minutos foram recheados de paradas cardíacas, A Esperança é um tédio danado, já que infelizmente dez minutos de Peeta e um discurso da Katniss não segura nada nas costas. Estou até mais conformada de não ter ido no cinema...

Playing it cool

Uma comédia romântica com Chris Evans é uma comédia romântica com Chris Evans. Os produtores já sabem que a gente vai assistir independente da trama fraca, já que ele é lindo e, para o gênero, isso basta. Na história, ele é um escritor com bloqueio criativo que se apaixona por uma mulher comprometida. As piadas são pouquíssimas e o casal não me convenceu, porém os amigos escritores de Chris (esqueci o nome do personagem, yey!) são as melhores pessoas. Juro, eles são tão divertidos e disfuncionais que podiam ter um filme só sobre eles e eu assistia sem reclamar.

Quero matar meu chefe 2

Anote isso que estou falando uma verdade muito séria: comédias não deveriam ter continuações. Eu sei que a voz de Deus em Hollywood é a voz da grana, mas um pouco de bom senso não faz mal. O problema dessas comédias é que suas tramas foram inicialmente criadas para serem concluídas em 90/100 minutos e, mais do que isso, é colocar história onde não tem. Dobrar isso é pedir para cansar os outros. É o caso de Quero matar meu chefe, que embora tenho sido ok, a continuação só evidenciou onde o roteiro é apelativo e nível ruim de piada. As partes que mais tentam ser engraçadas são daquele jeito óbvio e ridículo de comédia, que parece zombar da inteligencia e senso de humor do espectador. 
PS: Eu salvo Pitch Perfect dessa coisa de continuação, esse pode ter quantas dezenas de filmes os atores toparem.

Love, Rosie

Sam Caflin e Lily Collins: ok, quero assistir. Porém é um livro ruim da Cecelia Ahern, então opa, pera lá. Love, Rosie me deixava curiosíssima antes de ler o livro, depois, fiquei receosa. Talvez seja por isso que assisti o filme esperando um tédio que só e gostei de ver algo nem tão blergh assim. Provavelmente o problema do livro tenha sido a narrativa em forma de correspondências e a longa passagem de tempo, e quando o diretor transformou a história em algo com tom mais contínuo e sucinto, funcionou. O filme consegue ser clichê e fofo, um pouco engraçado e bastante dramático. Tem um momento em que a amiga de Rosie fala que sempre que a vida dela está ruim, ela pensa na de Rosie e coloca as coisas em perspectiva. É exatamente isso. Eu fui dormir com uma depressão medonha, mas com sentimento de expectativas superadas. E a trilha sonora é excelente, então assista com o Shazam acionado.

11 de fev de 2015

A menina submersa — Caitlin R. Kiernan


Autora: Caitlin R. Kiernan
Editora: Darkside
ISBN: 9788566636253
Páginas: 320
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Doença mental é um tema muito interessante de ser abordado em young adults. São poucos os livros que fazem uma abordagem realista do assunto e direcionam para o público jovem, propondo uma discussão natural do que parece ser um assunto tão longe da realidade (o que não é). Por consequência, sempre que surge algum novo título, esse merece um pouquinho mais de atenção. Porém, com A menina submersa, esse destaque ficava escondido entre sereias e lobisomens. A sinopse sugeria um urban fantasy, para você só então se deparar com uma protagonista esquizofrênica cujas criaturas fantásticas são brilhantes metáforas da sua cabeça. 

O nome dela é India, mas todos a chamam de Imp. Ela é neta e filha de mulheres esquizofrênicas que se suicidaram, já que viver exigia mais do que poderiam aguentar. Há alguns anos, ela também foi diagnosticada com a doença. Em A menina submersa, Imp narra sua vida: memórias e fantasmas. Por fantasmas, entende-se coisas que a assombram, e entre elas está o quatro A menina submersa, seu pintor e as lembranças que a pintura representa.

Você precisa saber, primeiro de tudo, que esse não é um livro comum. Não é uma narrativa comum com enredos comuns. Ele é contado como se cada palavra ali tivesse sido escrita por Imp, uma personagem com problemas psicológicos e muitos assombros. Ela divaga, escreve sobre si em terceira pessoa (as vezes), mente e se desmente, não tem certeza se o que está falando é de fato real ou apenas uma ilusão de sua cabeça. É uma escrita que exige muito do leitor, principalmente de alguém acostumado com narrativas fáceis (aka euzinha). Cada palavra de Imp é muito forte e requer bastante atenção, para que o leitor consiga juntar as peças do quebra cabeça que formam a protagonista. É incrível, mas digo para você: cansa. O único jeito de que eu não desistisse foi intercalar capítulos com outros livros mais leves, que quebravam a atmosfera confusa de Imp e seus parágrafos gigantes e cheios de assunto.

A história aponta para todos os lados. A protagonista fala da relação com sua mãe, sobre a loucura de sua avó que nunca foi devidamente diagnosticada. Fala sobre Abalyn, uma mulher transexual, e como foi o relacionamento das duas até que as complicações de Imp ficassem demasiadamente fora do controle para a namorada. Fala sobre Eva, uma sereia que encontrou duas vezes pela primeira vez. Fala sobre pintar, escrever, se relacionar com o mundo e aceitar que nem toda lembrança é factual. Meu amigo, o que Kiernan criou nesse livro é muito novo e sem igual, acredite.

Mas como eu disse antes: é maçante. Tanto que se você for ver no skoob, esse livro tem um número bem relevante de abandono e notas baixas, se levar em consideração a quantidade relativamente baixa de lidos. A menina submersa se torna um livro difícil de agradar por não ser um livro fácil de ler. Precisa de muita paciência para se envolver plenamente com Imp e estar disposto a se deixar levar por seus parágrafos de mais de página. Eu gostei justamente por ser um livro que me fez sair da concha de conforto da simplicidade de young adults, mas ao mesmo tempo, está longe de ser uma narrativa que pretendo reler. Um conselho: leia o primeiro capítulo como teste - estão lá todas as nuances da narrativa. Se você gostar, vai nessa.

10 de fev de 2015

Desculpa, mas Abbi Glines é machista

            Paixão sem limites foi um dos primeiros new adults que li. O gênero era novo, e, naquela época, tudo se resumia em amor. Ninguém tinha certeza se aquela seria só mais uma febre literária como os sick lits ou se aqueles romances clichês e mais maduros que young adults tinham chegado para ficar. Então é essa minha defesa: era tudo novo e amor. Quando conheci o trabalho de Abbi Glines, me deparei com uma história de amor dramática como uma novela mexicana (e você sabe o quanto eu gosto de novelas mexicanas), e fui conquistada de cara. Eu não exigia nada da autora além de um OTP com química e muitos problemas. Foi exatamente isso que ela deu. Porém hoje, cinco livros após ter conhecido a autora, algumas coisas se tornam mais visíveis e dignas de nota. Algumas coisas que antes eu relevava, chegaram a um ponto que eu preciso discutir.

            Precisamos conversar, meu caro leitor, sobre Abbi Glines ser machista. E não cansar disso.

            Eu não pretendo colocar todos os livros do gênero no mesmo saco. Inclusive porque new adult, apesar dos apesares, ainda é meu gênero literário favorito. Existe muita coisa boa entre esses livros, mas também, e cito Glines novamente, existem muitas mensagens retrógradas que a gente tenta tão exaustivamente apagar em pleno século XXI. Mensagens que se tornam repetitivas ao longo de um livro e outro. O problema da autora não foi nem ter tido essa abordagem em determinados momentos de suas histórias. Foi ter repetido. Foi receber essas críticas sobre o machismo e não tentar contornar. Em insistir em objetificar a mulher e, cara, isso é muito errado. Que ano é hoje, afinal?

            São várias coisas visíveis durante a narrativa da autora que evidenciam um machismo indiscutível. Em certos contextos, o protecionismo do namorado pode parecer encantador, naquela ilusão de príncipe encantado do cavalo branco, mas isso é levado a exaustão quando as protagonistas parecem donzelas o tempo todo. Não, pior que isso, elas são tratadas como donzelas o tempo todo. Elas são capazes de se defender, mas preferem ter alguém olhando por elas e as envolvendo numa bolha de segurança muitas vezes insuficiente, pois é daí que vem os plots com que a autora trabalha. O cara só se sente bem consigo quando têm a ideia de estar salvando a garota. O herói da história quer honrar o título a todo custo e proteger a personagem de mosquitos, se esse for o perigo. Isso, por sua vez, leva a outro problema grandioso – e demasiadamente irritante – que é a possessividade.

            Essa não é a primeira vez que falo disso. Protagonistas masculinos, principalmente de new adult, tem aquela mania insuportável de bancar o homem das cavernas. Tem aquela garota e ela é sua garota (pausa para o cara bater no peito – expressão, inclusive, usada por Glines em um de seus livros). Essa moça não pode ser olhada por outros caras, não pode mostrar as pernas, e precisa afirmar O TEMPO TODO que é sua propriedade. Se isso não é transformar pessoas em objetos, eu juro que não sei mais nada. Parece romântico, mas não é. Definitivamente não é. É opressivo e sufocante e, na vida real, muitas histórias parecidas com essas terminam em casos de abuso. Parece romântico agora?

           Porém, a gota d’água com Simples Perfeição, foi justamente na parte mais debatida do machismo: a igualdade profissional. Se existe alguém que ainda acha a função social da mulher é cuidar de uma família e só, por favor, descubra uma máquina do tempo e volte para o século que nunca deveria ter saído. Isso é absurdo e grosseiro. Mas está lá, como um núcleo do enredo que a autora faz parecer muito natural. Eu devo parabenizar a protagonista por querer trabalhar ao invés de ficar com as pernas jogadas no sofá o dia todo? Porque, no meio de tudo, isso parece uma grande coisa. O problema mora no namorado, que não quer vê-la trabalhando, e só aceita isso – muito contra a vontade, aliás – quando a contrata como assistente, para poder mantê-la por perto e com olho em cima. Claro que Glines faz parecer uma atitude protetora por parte do rapaz, por causa do passado traumático da protagonista, mas a autora não lembra que pessoas com problemas psicológicos muito piores que os de Della trabalham normalmente, em qualquer função designada. Della trabalhava normalmente até começar a namorar Woods. Por que, justamente agora, é tão terrível que ela encontre uma ocupação?

            Tudo isso culmina na brilhante frase, dita por Della, que, em síntese, dizia: “eu preciso estar disponível para quando ele precisar de mim.”. QUERIDA, VOCÊ É O QUE? UM CELULAR? UM SINAL DE WIFI? Della é uma garota desse século que, segura essa bomba, tem as próprias necessidades. Não importa o quanto ela ama e é amada, deixar de seguir com a própria vida para servir como âncora para um cara é ir contra o que tantas e tantas mulheres lutaram ao queimar sutiã em praça pública.

            Por fim, se torna um conjunto de erros muitos fortes para livros focados para um público feminino e jovem. Por trás de todas aquelas paixões fulminantes, existem mensagens muito negativas sobre o papel da mulher na sociedade. Algo tão debatido, algo tão em voga, tratado de uma maneira muito, muito errada. Della, Blaire, qualquer outra personagem – seja de Abbi Glines, seja de qualquer outro livro –, não deveria abrir mão dos seus anseios em prol de um relacionamento que não é nem saudável. Nenhuma mulher deveria. Todas as pessoas no mundo tem o direito de trabalhar como e quando quiserem, ter a posse do próprio corpo e se relacionar com quem quiser sem ter medo da sombra do namorado que não aceita nem uma conversa amigável com um colega de trabalho.


           E, por favor, nem quero falar sobre beijos possessivos como demonstração de poder na frente de estranhos. De novo: que ano é hoje?

Os 05 seriados que eu mais aguardo o retorno!


A maior parte da vida de um seriador se resume em esperar hiatus acabarem. Seriados não são como novelas, com doses diárias e continuas por meses, até enjoar e esgotar. Seriados são trabalhados na arte de nos fazer esperar: uma semana, um break, uma estação ou um ano. Ou mais. É nos fazendo ansiar por um retorno que eles conquistam seus fãs - meio masoquista da nossa parte, não? Sad, but true. E você quer saber quais são os cinco seriados que estão marcados no meu calendário e estou riscando os dias até eles?

Young and Hungry

Março, migos, março! Young and hungry é uma das melhores comédias da ABC Family e, por estar no começo, está em sua melhor forma. Com poucos episódios na temporada de estreia, cada semana deixava um gostinho de quero mais até que, com o season finale, a ânsia por mais chegou ao ápice. Do fundo do meu coraçãozinho, não sei como aguentei até aqui. Cadê as pessoas vazando a temporada inteira como no Netflix? Acho maravilhoso, viu?

Bates Motel

Porque eu me sinto gente grande de verdade quando assisto séries bizarras. É a realização do meu sonho de criança: assistir terror e não passar mal de medo. Bates Motel é o único nome verdadeiramente bizarro da minha watchlist e mal posso esperar para mais suspense depois da season finale maravilhosa da temporada passada. Bates Motel, além de ter um elenco incrível, consegue ter um roteiro ainda melhor que está sempre em evolução. Sem falar que a timeline faz tantos comentários excelentes e carregados de spoiller que MINHA ANSIEDADE OI

Awkward

Embora a season finale de Awkward tenha sido tão fraca que só reparei que tinha acabado depois de semanas sem episódios novos, o seriado é tão carregado de amor que, não importa o que aconteça, você não abandona jamais. Uma coisa muito relevante é que haverá, no máximo, mais duas temporadas e the end. Os personagens amadureceram, os papos sobre faculdade já começaram e você já sabe que isso, para série adolescente, é sinônimo de tchau (ou desgaste seguido de tchau). Vamos aproveitar enquanto dura, né?

Finding Carter

A proposta de Finding Carter fugiu tanto do chão da MTV que ninguém apostou logo de cara que uma história mais séria poderia dar certo nas mãos dos produtores. E não é que funcionou? O seriado mesclou muito bem a temática mais séria das crianças desaparecidas com outros plots tipicamente adolescentes e fez isso dar super certo. O leque de possibilidades para a segunda temporada é infinito, e nenhuma aposta é segura o suficiente para o futuro dos personagens.

Sherlock

Dois fucking anos de espera entre temporadas de fucking três episódios. ISSO É DOR, GENTE! Isso também é muita força de vontade, porque vamos combinar que toda essa espera por tanto pouco tempo é, no mínimo, todo o amor do mundão. Mas, bem, Sherlock é isso mesmo. O seriado faz valer a pena cada minuto de espera, e são muitos. É um 2015 movido a expectativa do natal para o especial? É sim, senhor.

9 de fev de 2015

Alma? — Gail Carriger


Alma — Protetorado da sombrinha #1Autora: Gail Carriger
Editora: Valentina
ISBN: 9788565859042
Páginas: 305
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Steampunk na lista de gêneros que tiveram cinco minutos de fama e nada mais. Assim como os sick lit, os livros do estilo foram dados como a grande promessa editorial do ano (retrasado), mas acabaram sucumbindo aos clássicos de vendas, que ainda são, em maioria, continuações de séries antigas. Espaço para os novatos? Só se tiver o nome de John Green na capa. Mas alguns títulos merecem uma chance - principalmente esses que chegaram cheios de expectativa e não ganharam espaço. Como Alma?, por exemplo.

Acho que nunca tinha visto uma miscelânea tão grande de enredos acoplados num mesmo livro. Em Alma?, primeiro volume da série Protetorado da Sombrinha, que conta com cinco livros, voltamos alguns séculos no tempo e somos apresentados a Alexia Tarabotti, uma solteirona de 26 anos, meio italiana, que não tem alma. Sério. Ela é uma preternatural, parte de uma ~espécie~ de pessoas que nasceram sem alma, por herança genética, e conseguem anular os poderes de vampiros e lobisomens ao redor (que andam livremente por Londres). Foi por isso que ela acabou matando, sem querer, um vampiro que tentou atacá-la antes de ter suas habilidades anulada pela característica preternatural de Alexia. E, vamos combinar, é falta de educação atacar alguém, pelamor.

Temos romance histórico meets sobrenatural meets tecnologia fora de época que caracteriza steampunk. É tanta coisa acontecendo que ser introduzido na história não é a tarefa mais simples. Tem o conceito de preternatural, o fatos dos vampiros e lobisomens serem criaturas cotidianas, além das muodernidadys no meio da Londres vitoriana. Sinceramente, eu achei o inicio bastante enrolado e lento, tanto que eu desisti do livro na página 100, pegando ele de volta só meses depois, quando, então, não consegui largar.

Alexia é uma mocinha a frente de sua época. Protagonistas devem ser assim, não? Principalmente se tratando de um livro que se situa no passado, cercado por tanto machismo e submissão. Alexia, definitivamente, não se dobra para qualquer um. Ela é engraçada, divertida, e quer ajudar nas investigações sobrenaturais já que sabe que pode. Ela é uma peça rara com sua condição de preternatural, e ser impedida de ajudar os outros apenas por ser mulher? Por favor, né. Sou sua fã, menina ♥

Como eu não tenho juízo, vergonha na cara ou controle, preciso nem dizer que minha parte favorita do enredo foi o lado romance histórico. Foi o que me conquistou e arrecadou as cinco estrelinhas na classificação. Embora sugira um triângulo amoroso, o ship da vez é Alexia, com seu temperamento arredio, e Lorde Maccon, um lobisomem que vai investigar o caso envolto no vampiro que nossa protagonista incrível matou. Eles compõe aquele casal guilty pleasure que trocam mais farpadas que beijos, e deixam o leitor ansioso por algum momento mais "OMG, que lindos". Pode julgar, mas eu li a sinopse do próximo livro só pra pegar spoiller.

Por mais que o começo não tenha saciado todas as minhas expectativas com o começo da história, o desenvolvimento e final ganharam meu coração. Alma? é, a seu modo, tão único quanto um preternatural, e reúne os mais variados elementos para uma história diferente, ousada, e com humor afiadíssimo. É um livro tão ótimo que você deve ler mesmo que o gênero tenha surgido para morrer na praia. Garanto que essa série corre e vai mais longe. Alguém quer me dar a continuação?
Beijinhos ♥

7 de fev de 2015

Playlist da semana - Especial "A playlist da minha vida"


Ler A playlist da minha vida foi uma experiencia maravilhosa e cheia de referências musicais. O resultado disso é uma coleção de músicas novas e, duh, essa playlist que você (que é lindo) está lendo/ouvindo agora. As músicas citadas por Leila Sales são mais antigas, muito mais indies do que estou acostumada a achar cult, se diferenciam pelas melodias bem feitas e ficam excelentes em festas underground. Elise, miga, me convida para a Start!

6 de fev de 2015

The DUFF — Kody Keplinger

Sexta feira. Dia de resenha de livro gringo. Aqui. Oficial. É sério, pode cobrar.

Autora: Kody Keplinger
Editora: Poppy
ISBN: 9780316381802
Páginas: 320
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The DUFF seria lançado em terras tupiniquins pela editora Novo Século. Essa semana, descobri, muito por acaso, que não seria mais. Isso foi a gota d'água para eu parar de enrolar e ler logo esse young adult que todo mundo parece adorar. Por meio desta me declaro incluída nesse grupo.

A história é de Bianca, ela é a DUFF. Amiga feia do grupo, quero dizer. Ela vivia muito bem sua vida escolar, sem estar no topo ou no fim da pirâmide social, até que Wesley, o cara gato e rico do colégio, a aborda numa festa para esclarecer sua label. Como amiga feia, ela se torna a ponte para Wesley chegar nas amigas bonitas, e tudo que precisa fazer é conquistar a amizade de Bianca para garantir mais uns nomes na sua lista de ficadas. O que ele consegue com isso é um belo copo de Cherry Coke na cara. E então o enredo começa.

Se você viu o trailer do filme, deve ter uma imagem muito Mean Girls da história. Para isso, eu digo: não, nem se iluda. Nada de cena de makeover, meu caro. Muito diferente da proposta do filme (trailer?), a trama é um high school sem o clichê todo. Claro que há os pontos comuns, obviamente, mas o principal se baseia em plots mais reais e menos fotografia-colorida-com-fundo-musical-pop.

A trama tem como ponto de partida Bianca e seu ódio Wesley. Ele é um mulherengo inconsequente e arrogante e acha que era só sorrir para Bianca para que as amigas, Casey e Jessica, se jogassem a seus pés (e na sua cama). Ledo engano, amigo. O feitiço bate e volta para feiticeiro, e quem acaba sendo usado é Wesley. Bianca está passando por maus momentos em casa e o garoto está lá, como uma bela distração. Como uma bela distração que, mais importante, beija bem e não fala bobagem enquanto usa a boca para outras coisas. Acho que esse é o grande diferencial do livro, o que conquistou todo mundo: quem assume as rédeas é Bianca. Os primeiros passos são todos dela, e isso não é muito comum nem entre os mais girl powers young adults.

O que eu gostei em Bianca é que ela lida muito bem com o fato de ser DUFF. Claro que aquilo fica na sua cabeça e gera muita divagação, porém não de um jeito sinto pena de mim e blablabla. Bianca aceita que é DUFF e ao invés de ficar neurótica para mudar isso, ela liga (com o perdão da expressão) o foda-se e "quem se importa com o que você pensa sobre mim? Eu sou a DUFF mesmo". E estranhamente não são como um caso de baixa autoestima. Ela segue em frente e, por mais que isso magoe um pouco, isso não é o centro da sua vida.

Só não digo que é um livro 100% porque, bem, eu esperava um livro 120%. As altas expectativas atacaram novamente. É uma história gostosíssima, com narrativa muito delicinha, mas não vai além disso. Não tem cena de makeover e o final é corrido. A autora poderia pender para assuntos mais sérios, como os problemas familiares de Bianca, mas acaba só introduzindo o plot para dar uma solução fácil no capítulo seguinte. Contudo, The DUFF é como outros livros de high school e, ao mesmo tempo, não é. É algo parecido com o que você já viu, mas é novo. E isso é muito, muito bom.
PS: Separe o livro do filme. Se a adaptação seguir as coordenadas do trailer, não vai ser uma adaptação - será uma história diferente com personagens de mesmo nome. Não se encane, divirta-se!
Nível de inglês: Fácil.

4 de fev de 2015

A playlist da minha vida — Leila Sales


Autora: Leila Sales
Editora: Globo Livros
ISBN: 9788525057549
Páginas: 312
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A playlist da minha vida parece um young adult comum. Parece uma história de high school clichê, com hierarquia social definida e uma protagonista que vive abaixo do final do triângulo popular. Mas não, é mais que isso. Com base nessa estrutura típica de livro juvenil, Sales entrou a fundo em temas realmente persistentes sobre adolescência: bullying, estratégias adaptativas, cutting, suicídio, distúrbios alimentares... Garanto que você não esperava isso com base na capa meiguinha e cor de rosa, né?

A protagonista é Elise. Ela não tem amigos. Nenhum, nem pra trocar um oi no corredor ou no whatsapp. Elise não é apenas ignorada; Ela é humilhada, feita de boba e alvo de inúmeras piadas diariamente. Como seu refugio, está o iPod. Com os fones de ouvido, ela pode fugir um pouco e não estar tão sozinha. E é nesse amor pela música que Elise acaba encontrando, bem sem querer, uma boate underground e, bem sem querer também, começa a encontrar a si mesmo.

Como eu disse antes, não parece novo. Definitivamente não parece tão espacial. Mas é - muito! Logo nas primeiras páginas, Elise conta sobre seu projeto verão: ter amigos. Ela estudou a fundo revistas adolescentes, trocou de visual, teve coragem para sentar na mesa de outras garotas no refeitório. E isso acabou num plano de suicídio que envolvia uma playlist de duas horas e alguns cortes para treinamento. Isso dói. A autora começa com tiradas tão irônicas que beiram a graça, porém quando você nota que aquilo é sério, machuca. É real. E, mais importante, isso não é ficção para muita, muita gente.

Eu me identifiquei tanto com Elise que a escrita de Sales ganhou um tempero a mais. Preferia que tivesse me encontrado em uma protagonista com uma história mais feliz, mas bem, acontece. A forma que a autora narra o bullying e como alguém se sente quando sofre é muito concreto e verdadeiro. Quando tem alguém que faz da sua vida um sacrifício todo bendito dia, tudo que você quer é ser aceito. Parece idiota, mas é verdade. Você quer que a pessoa que faz você se sentir tão mal te admire por alguma razão. Normalmente é o que você se esconde atrás. Para Elise: sua música. E seria seu momento de glória quando a escola inteira soubesse que ela tem algo de especial, que existe um lugar em Elise não apenas tem amigos, como é admirada por seu talento. Tão verdade, tão real, tão queria-eu-ter-escrito-esse-livro-para-mandar-pra-casa-daquelas-babacas-do-fundamental. Fazer o que, né?

A autora soube muito bem mesclar as atmosferas e equilibrar quando pesar a mão e quando deixar levinho como um young adult comum. Além da narrativa ser super fluida, essa sensação de que coisas boas podem vir a acontecer faz você seguir em frente com o maior afinco mesmo quando não dá para acreditar que tal coisa está acontecendo com Elise. Verdade seja dita, a escola da garota é a maior (MAIOR) reunião de imbecis por metro quadrado, chega a impressionar.

A única coisa que me incomodou é que tive a impressão que Elise nunca assistiu um filme adolescente na vida. Ela nunca leu um livro sobre high school também. A fase que ela se encontra, a tentativa de se adaptar e se conhecer... Ela discute tanto sobre isso quando é muito óbvio saber quem é ela na fila do pão. Essa paixão por música indie, o talento natural para fazer pessoas ficarem felizes com base no que escutam... Essa é Elise. Saber isso é um processo naturalíssimo para qualquer um que saiba como funciona a vida para garotas abaixo do fim da piramide social que tem uma paixão realmente forte sobre alguma coisa. 

É ótimo, de verdade. A playlist da minha vida é um livro sincero e, algumas vezes, doloroso. Ao mesmo tempo, ele consegue ser doce e divertido. A narrativa é deliciosa, muito envolvente, e se torna impossível cansar dos comentários perspicazes e irônicos da protagonista. A autora desenvolveu maravilhosamente bem os personagens, e você consegue amá-los e odiá-los com uma intensidade danada. Se não fosse pela dificuldade de Elise em enxergar o óbvio, seria um cinco estrelas com toda certeza do mundo. Não é, mas eu ainda queria muito tê-lo escrito.

3 de fev de 2015

As 07 melhores estreias da mid season!


Se a fall season de 2014 já não foi grandes coisas, não será a mid season de 2015 que vai melhorar o status dos seriados estreantes para essa temporada. Talvez seja pessoal (é pessoal), mas os novos enredos da televisão pouco parecem diferentes entre si, e faz mais de ano que reparo que só as mesmas coisas vendem - logo mesmas coisas são renovadas e mesmas coisas são produzidas. Poucas se destacam e ainda menos merecem ser comentadas. Mas ok, ok, já que não há material suficiente para um post de estreias mensais, vamos no trimestre inteiro. Sete nomezinhos me chamaram atenção no projeto mid-season do Banco de Séries e pode ser o que tem de mais não-sobrenatural-não-superheroi-não-descendente-de-CSI dessa temporada de estreias. Como eu disse: não lá essas coisas.

Younger

A.K.A. nova série da Hilary Duff. Younger vai ser uma comédia super clichêzinha sobre uma mulher de 40 anos que volta ao mercado de trabalho após ter se divorciado. Na história, ela vai tentar se passar por uma makeover (YEY!) para fingir ter 26 anos e conseguir emprego em uma editora, como assistente de uma carrasca muito temperamental. Parece ser bom, mas sejamos sinceros, o publico vai ir atrás da Hilary e é até surpreendente que não a tenham colocado como protagonista logo de cara.

Hindsight

Mais comédia, dessa vez ambientada nos anos 90... Ou kind of. Hindsight é sobre uma mulher que, na véspera de subir no altar pela segunda vez, volta ao passado (sabe se lá como) para retomar contato com sua melhor amiga e corrigir o ponto em que a amizade delas deu errado. Não sei se foi a foto no metrô, mas... Lembra ou não 2 Broke Girls?

Galavant

Galavant já estreou e caminha para o final. O que é meio louco, porque eu ouço falar dessa estreia há muitos meses e nem vi quando foi ao ar. Mas enfim: Galavant é uma série musical sobre um cavaleiro pobre homônimo abandonado pela mulher que ama para ela ficar com o rei. Por essa razão, Galavant decide se vingar... cantando. O comentário que ouvi é que o seriado é uma agradável surpresa e aí digo pra você: baixas expectativas. Por mais bem feito que seja, a trama vai flertar muito com o ridículo, e talvez seja isso que faça funcionar. Porém, uma coisa: quem foi que inventou essa coisa de falas cantadas? E, pelo amor de Jesus, quem foi que disse que isso era legal?

Eye Candy

Das listadas, Eye Candy é a única que já entrou para minha watchlist logo de cara. A trama, protagonizada por Victoria Justiça, vai misturar hackers, serial killers e uma espécie fictícia de Tinder (sim, o app). Tudo isso com o jeito jovem da MTV, ou seja: soundtrack a cara do amor e a maior quantidade de boys magyas por metro quadrado que a TV já viu. A emissora tem se mostrado muito bem com tramas mais sérias e policiais e está aí outro nome para colocar nos favoritos. QUERO SÉRIE NOVA DA MTV TODO DIA, obrigada.

The Whispers

Crianças bizarras e um apocalipse eminente. Nem precisa ir muito além: The Whispers parece o exato tipo de trama estranhamente envolvente que parece tão original quando nem é. Explico: toda temporada de estreias tem um genérico dessa sinopse. Nenhum vai para frente. Acaba que eu sempre fico curiosa.

Big time in Hollywood, FL

Acho que nunca acompanhei uma produção da Comedy Central? Elas são de fato engraçadas ou engraçadas-idiotas? Porque, veja bem, a sinopse de Big time in Hollywood, FL pende para os dois lados. A comédia segue dos irmãos que se autodenominam cineastas e são expulsos de casa para seguir seu grande Hollywood dream. Hollywood, Florida. Parece legal, mas parece boba, sabe? O que vai ser?

Unbreakable Kimmy Schimidt

Garota vai pra Nova York: até aí, cadê a novidade? ARRÁ, é uma garota indo pra Nova York numa produção da Tina Fey para Netflix TUM DUM TSSS. I rest my case, só com base nisso já vai ser incrível.

2 de fev de 2015

Sonhos com deuses e monstros — Laini Taylor


Sonhos com deuses e monstros — Feita de fumaça e osso #3Autora: Laini Taylor
Editora: Intrínseca
ISBN:9788580576375
Páginas: 560
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Laini Taylor é uma das autoras mais talentosas da minha estante. Em época que anjos eram hype e existiam as mais diversas e iguais histórias, ela entrou na literatura young adult com algo extremamente original. Feita de fumaça e osso foi seguido por um livro ainda mais bem escrito, para fechar com outro ainda melhor. Você acha que o dourado nessa capa é coincidência? Pois digo para você: não é. O dourado é uma alusão a chave de ouro que Sonhos com deuses e monstros é. Taylor sabe criar, conduzir e fechar uma trilogia. Ela sabe ser uma escritora maravilhosa, isso sim.

Eu acredito de verdade que livros finais devem ser escritos para concluir a história e deixar gostinho de quero mais. Em casos sobrenaturais, os últimos volumes são reservados para batalhas sanguinárias, disputas épicas entre o bem e o mal, um clima de tenção danado para saber quem sobrevive e quem se sacrifica em nome do bem maior. E, meu caro amigo, é exatamente isso que Taylor faz durante as 560 páginas desse livro. Karou, Akiva, quimeras e serafins. Outros serafins. E uma guerra de tirar o fôlego.

Sinto que estou me tornando repetitiva, mas o que precisa estar bem claro é que Sonhos com deuses e monstros não acrescenta nada à história, apenas conclusão. A autora recupera ganchos dos volumes anteriores para amarrar e tudo estar no seu devido lugar quando chegar o último ponto final. O que acontece, e Sonhos com deuses e monstros apresenta uma desenvolvimento incrivelmente satisfatório para um livro com tantas páginas. Os rodeios que a autora faz enchem a trama de tensão e o leitor, de agonia. Cada plot foi trabalhado nos mais ínfimos detalhes para que a demora até a finalização total alimentasse uma vontade tremenda de descobrir o que ia acontecer com cada personagem.

E nisso, Taylor introduziu novas pessoas que estavam intrínsecas ao ambiente, mas se mantiveram apagados até então. É bastante conveniente o modo como todos se encontram uma hora ou outra, totalmente por acaso do destino, mas dentre tanta coisa, isso é só detalhe. Além disso, a autora continuou equilibrando os espaços e não focando sua narrativa inteiramente em Karou ou Akiva, por mais ótimos que fossem. Desde o principio, boa parte do meu amor por essa série foi por mérito de Zuzana, Mik, e suas tiradas completamente excelentes. É ótimo ver que mesmo durante uma batalha épica iminente, ainda era possível rir de sarcasmo.

Outra coisa que achei absolutamente genial foi a chegada de anjos na Terra, ainda no começo do livro. Esse é o ponto de partida do livro e chega a ser engraçado (e digno de nota) o quão real é a escrita da autora. Parece que estou vendo aquilo acontecer e ter as mesmas consequências. Igrejas lotadas, fés renovadas, todo mundo se batizando... Os humanos não são mesmo uma espécie sensacional de se observar?

Sonhos com deuses e monstros foi feito para agradar os leitores da série. Foi escrito para que a legião de fãs de Laini Taylor se consolidasse. É um livro muito bem estruturado com uma narrativa de ritmo frenético. Tem ação, tem fantasia, comédia e muito romance. Já estou esperando spin off com a história de Eliza. Beijo e obrigada.

Extra

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