16 de out de 2015

Não olhe para trás • S. B. Hayes


Autora: S. B. Hayes
Editora: Bertrand Brasil
ISBN: 9788528620290
Páginas: 322
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Se você, assim como eu, busca pelo livro de terror da vida, com certeza se deixa levar muito pela capa. Se a arte gráfica assusta na primeira impressão, você sempre pode olhar para ela e associar a filmes de terror e outras coisas para dar um algo a mais à narrativa quando algum suspense se fizer necessário. Imaginação é tudo, caras.

E essa acaba sendo a chave para que Não olhe para trás, de S. B. Hayes, consiga ser mais que um young adult e mergulhe no horror com vontade. A história, que segue Sinead em busca de seu irmão, Patrick, acaba oscilando forte entre ser um romance clichê (e batidíssimo para nós que crescemos lendo Crepúsculos e todos os genéricos sobrenaturais) e um suspense maneiro com momentos bizarros. Então, cada vez que a narrativa perdia o fio da meada de ser assustadora, você vinha com a imaginação, dava uma conferida na capa e imaginava crianças fantasmas onde não tinha crianças fantasmas. Posso ou não ter dado uma conferida marota no quarto antes de apagar as luzes para dormir.

Como eu tinha lido a orelha do livro, eu sabia de mais da história. Na boa, não faça isso. As informações dadas pela sinopse são tão avançadas que podem ser consideradas spoillers, de modo que a caminhada até chegar no lugar X perde totalmente a graça. O que você precisa saber sobre o livro, basicamente, é que Sinead tem uma relação bizarra com o irmão mais velho, que é perturbado e gosta de fazê-la correr em círculos atrás dele. Numa dessas buscas por Patrick, Sinead acaba em uma casa estranha, comandada por uma freira mal humorada, onde outras coisas estranhas acontecem.

Parece muito mais American Horror Story Asylum do que é de fato. Não olhe para trás, como eu disse, dá muita publicidade para um romance comum e previsível. Sinead conhece James e tudo que que consigo pensar sobre o casal é bla bla bla. Eu não senti química (ou qualquer coisa, na verdade), e por mais que pareça importante para o enredo, achei muito fraco e supérfluo. Tire essa melação barata e me dê um pouco mais de descrição de cenário e THAT IS WHAT I'M TALKING ABOUT!
Porque, de longe, descrição é o ponto forte da história. Hayes introduz um cenário sombrio e coloca o leitor lá dentro. A simples frase "não olhe para trás" foi colocada num momento tão certo que tinha uma parede atrás de mim, mas vamos fazer o sinal da cruz e jogar água benta três vezes por cima do ombro direito porque nunca se sabe. Associado aos momentos sinistros com a família de Sinead, o relacionamento perturbado entre ela, a mãe e o irmão, minha nossa, caros, que livro sinistro. Mas daí encontrávamos James novamente e passarinhos cantantes, paixão fulminante, balela romântica. 

Com altos e baixos bastante definidos, Não olhe para trás é uma história que consegue assustadora e entediante num equilíbrio surpreendente. Se você estiver lendo e chegar em algum momento "nossa, que saco, não sou obrigada", continue, porque uma hora melhora e você fica com medo de alguma sombra. No geral, é uma história bem construída, que dá credibilidade ao suspense e não faz milagres ilógicos para agradar. 

Porém continuamos na busca do terror perfeito.
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