27 de ago de 2015

Lugares escuros • Gillian Flynn


Autora: Gillian Flynn
Editora: Intrínseca
ISBN: 9788580575910
Páginas: 352
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Eu tenho essa vontade de chamar Gillian Flynn para uma xícara de chá de melissa e uma tarde no psicólogo. Psiquiatra. Terapeuta. O grupo psicanalista todo! Em outras palavras: Gillian Flynn me assusta.

E mal posso esperar por mais livros dela!

Sempre tive essa coisa com literatura de terror. Eu gostava da ideia, mas não encontrava aquele livro que me aterrorizasse. Com Gillian Flynn eu aprendi que estava procurando pela forma errada de horror. Eu esperava por algo que me desse susto como se fosse um filme, do tipo estou lendo e “AHHHH”. Eu sei, uma cena ridícula. Depois de três livros da autora, descobri que terror literário é aquilo que faz a alma se contorcer e dá desconforto. Os livros de Gillian Flynn são a literaricação (substantivo, literatura + personificação) do que há de perturbador em estantes de livrarias. Esqueça Stephen King, essa senhora escreve coisas piores.

Em Lugares escuros, a protagonista, Libby, viu sua mãe e suas duas irmãs mais velhas serem brutalmente assassinadas quando tinha sete anos. Ela lembra ver seu irmão, Ben, cometer o crime, e testemunhou para sua prisão. Quase 25 anos depois, Libby enterrou essas lembranças onde chama de lugares escuros, e se vê desafiada a desenterrar quando, em troca de dinheiro, concorda em investigar seu passado para um clube de pessoas esquisitas que curtem histórias de assassinatos reais.

Acredite: a descrição da trama não faz jus nenhum ao nível de bizarrice que é o conjunto todo. 

É horrível. Do jeito genial de Gillian Flynn, quero dizer. Nem sei o que é pungente, mas, para mim, é a palavra que define a escrita da autora. As frases de Flynn são pungentes. É absurdo o modo como ficamos envolvidos e desconfortáveis com apenas letras alinhadas lado a lado. Mas é. Você abre o livro e conhece Libby, seu passado horroroso e sua personalidade pouco agradável. Credo. Aí você continua e descobre que os capítulos são intercalados entre Libby, no tempo real, e sua mãe e Ben na época do assassinato. Ah, amigos, é aí que a coisa pega.

Nos dois tempos há frases penetrantes e angustiantes. Nos dois momentos há situações e diálogos que faz você querer fechar o livro e ir aplaudir o sol. É a forma como as duas narrações se completam que faz a genialidade ganhar forma. Mesmo quando a narrativa é em terceira pessoa (caso do passado), você parece inserido na mente perturbada de todo mundo. 

Aí, frase chave: mente perturbada de todo mundo.

As cenas mentais que o livro provoca são fortes. Pungentes? Acredito que sim. Lugares escuros foi uma leitura difícil, complicada de tragar e ainda pior de digerir. Levei alguns dias para aceitar o final dessa história, a solução incrível e terrível de Flynn para todo o enredo enredado, mas ainda não tive coragem de assistir o filme. Como eu disse lá em cima: mal posso esperar por mais livros dela!

Um comentário:

  1. Toda vez que olho pra capa desse livro penso que é a Tris (insurgente) dufiugyu cara,não sei se teria a sua coragem de ler um livro assim! Nem o filme assisti :o

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