3 de jul de 2015

Sempre — J. M. Darhower, e a fórmula (não) secreta das fanfics


Forever #1Autora: J. M. Darhower
Editora: Universo dos Livros
ISBN: 9788579308475
Páginas: 544
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   Sempre foi um livro que me chamou atenção desde a primeira vez que vi, há bastante tempo. Como o título era em português, eu estranhava só encontrá-lo em sites gringos, e só fui me ligar que não temos monopólio do idioma quando vi o lançamento brasileiro. Com essa, eu decidi que pre-ci-sa-va ler o livro, que já colecionava uma horda de fãs ao redor do mundo.

   Para quem não sabe, Sempre surgiu de uma fanfic de Crepúsculo. Essa resenha vai ser com os itens essenciais e óbvios que são obrigatórios quando um livro nasce dessa forma.

  • Eita, a idealização

   É comum que new adults sejam idealizados. Porém, quando em fanfic, isso ganha proporções ainda maiores. Os personagens não são perfeitos, veja bem, mas seus defeitos são facilmente perdoáveis e justificados. Há um cuidado enorme em fazer dar certo, em não aprofundar algo o suficiente para machucar, em não tocar em alguma ferida que seja muito grande que não possa ser fechada logo.
   O problema nessa situação é que Sempre aborda temas como escravidão e máfia. São fortes e complicados por natureza. A autora não deveria apagar as partes mais pesadas - e, de certa forma, não o fez. Há várias coisas que Haven, a protagonista, fala que viu e viveu e dão embrulho no estômago. Porém essas mesmas coisas não retomam a narrativa e, se alguma coisa grande e dolorosa acontece, não são usadas muitas páginas para desenvolver, acabar e superar.

  • Livro meets tijolo
   Uma fanfic é alimentada com certa frequência. Uma que fez tanto sucesso quanto Sempre teve fãs enlouquecidos que enxiam o saco da autora para postar cada vez mais. O resultado é uma história enorme, cheia de plots que não acrescentam em nada. Darhower faz muitas ligações para dar uma base aos personagens e seus relacionamentos - o que acontece, mas não diminui o fato de que deveria ser enxugado. Entretanto, existe um motivo para uma fanfic dar tão certo: ela vicia. A escrita, mesmo sendo comunzaça, prende o leitor de uma forma muito danada. Então acontece aquela coisa básica de você saber que está lendo enrolação desnecessária, mas não. consegue. largar. argh*.
*Argh de "ai, como gostei do que não deveria".

  • Romance aquela "coisa"
   Some a idealização com um tamanho descabido de livro. Coisa é a melhor palavra para descrever o romance. De um lado temos Haven, escrava, do outro temos Carmine, príncipe da máfia e filho do mestre de Haven. É proibido e repleto de dor. O que, como sou ridícula, achei merecedor de "own". Seguinte: por mais que eu achasse algumas situações absurdas e com desenvolvimento bem forçado (o que é irônico, considerando que é um romance de fucking 540 páginas), eu shipei forte. Os personagens não são bons sozinhos (Haven é baseada na Bella, ou seja, eu quis por vezes dar com o livro na cabeça dela), mas são grandes sofredores que podem encontrar felicidade ao lado do outro. Eu tenho coração de vez em quando, sabe?

  • Erros amadores
   Não um, nem dois. São coisas pequenas e, em maior parte, irrelevantes, mas ainda assim geram estranheza. É como se a autora quisesse amarrar algo sem ter uma corda antes. Ou, então, ela tomar uma decisão mais adiante na narrativa sem lembrar que no meio daquelas tantas páginas ela já tinha vetado essa possibilidade. Não são problemas de tradução (embora tenha um de revisão nos agradecimentos), apenas coisas que foram passando despercebidas - aceitáveis numa fanfic para internet, merecedoras de edição quando se torna livro.

  • Edward era legal porque era vampiro, desculpa
   Como fanfic de Crepúsculo é o que mais tem por aí, lá vai: Edward era tudo isso e "proibido" porque, olha só, não era humano. Seu problema era esse. Tirando sua sede por sangue, pessoa maravilhosa que brilhava no sol, sem mais. Quando trazem um genérico desse personagem para o mundo real, criam alguém maravilhoso com algum desvio de padrão e fazem parecer aceitável, naquele esquema de idealizar tudo. O que não acontece, porque diferente de ser um vampiro, ser alguém grosseiro não é uma explicação capaz de perdoar automaticamente. Carmine passou por coisas ruins? Sim, várias situações horríveis. Precisa sair por aí distribuindo cara feia e mudança brusca de humor? Não com todo mundo, querido. Se toca.

Por fim, eu gostei porque não consegui largar, mas não gostei porque poderia ser tão mais. Não estou dizendo que o que foi feito não foi bom, mas Sempre poderia melhorar em vários aspectos - desde apresentar uma visão mais pertinente da escravidão (estou contente por nunca ter comprado no Aliexpress, btw), como desenvolver o romance e outros relacionamentos paralelos de forma mais crível e tranquila - porque páginas para isso não faltam. 
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