18 de mai de 2015

A filha do louco — Megan Shepherd


A filha do louco #1Autora: Megan Shepherd
Editora: Novo Conceito
ISBN: 9788581631547
Páginas: 418
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Quando você não tem bem certeza se vai gostar de um livro, o tamanho é algo decisivo. Você pode arriscar perder tempo com algo de 200 e poucas páginas, mas tem um certo de receio de fazer o mesmo quando o livro é equiparável a um tijolo e pode servir como levantamento de peso. Para mim, a solução tem forma de maratona e metas pessoais. Eu levo isso muito a sério. E com A filha do louco e suas 400 páginas, só foi preciso o empurrão inicial para o resto fluir e eu nem perceber que já estava trabalhando o bíceps por horas a fio (mentira, nem é pesado assim, só ganhei músculo com Battle Royale).

Ambientado em meados do século 19, a história vai focar em Juliet Moreau, que teve a vida arruinada após um escândalo que envolveu seu pai quando tinha 14 anos. Ele foi acusado de praticar medicina de forma desumana e, depois disso, sumiu do mapa. Por três anos, Juliet foi alvo de humilhação por parte da sociedade londrina, sendo jogada para as margens do luxo que antes era seu chão. Tudo está na maior completa pior quando ela reencontra Montgomery, um antigo criado de sua família, que lhe renova as esperanças de que o pai está vivo. Juntos, eles embarcam para uma ilha isolada em que o Dr. Moreau encontrou como refugio para continuar com sua medicina nada convencional.

Tudo isso acontece em questão de poucas páginas. Pela 100, o que parecia ser o plot para o livro todo, já está montado e fundamentado. Com isso, a autora tem a missão de colocar mais história para preencher aquele número pouco modesto de páginas. E aí é que está: A filha do louco é um livro complicado.

Complicado em termos que não vai agradar gregos e troianos - e não de uma forma normal de gosto é gosto que livros costumam dividir opiniões. É possível odiar o livro e argumentar a respeito - e ter razão. Esse é um livro bastante cruel que, acima disso, não tenta embelezar a situação com palavras leves. Há tortura com animais e descrição disso. Então eu aviso: não é recomendado para nenhum amante dos bichinhos. Juro para você, certos parágrafos quase me fizeram abandonar a leitura.

Porém, há uma discussão interessante aí. Parece muito tudo errado e desumano (concordo), porém é uma história retratada há centenas de anos atrás. Antes até da luz elétrica. Então a ciência deveria ser feita de alguma forma, não? Claro que é terrível, mas o que Dr. Moreau foi acusado de fazer não vai muito longe do que fez Da Vinci famoso. Do que deu material para a ciência evoluir ao patamar atual. Se fosse um livro dos dias atuais, eu super topava queimar exemplares, mas não é. Sad, but true.

Para fazer o livro funcionar, Shepherd precisou introduzir diversas brechas e fazer cada uma ser uma reviravolta. Você pode nem saber o que é, mas precisa desconfiar que cada mosca naquela ilha tem um papel importante para o desenvolvimento da trama, e vai fazer parte de algo maior. Confesso que criar teorias foi o mais divertido de tudo - e eu estava pronta para ficar bem chateada se a autora não desse importância para detalhes que eu achei dignos de gancho. Porém, Shepherd conseguiu compreender seu propósito com o mundo e surpreendeu até quem achava que estar a frente de tudo. Ver que ela não desperdiçou oportunidades é muito legal e enriquece bastante a trama como um todo.

A autora insere um triângulo amoroso, mas não se deixa levar para um lado romance histórico da coisa. Tudo faz parte de um plano maior. O foco sempre permanece em Juliet e as loucuras em prol da ciência que seu pai está disposto a fazer. As vezes faz parecer uma história sem tanto assunto para uma trilogia, mas é impressionante o que a autora conseguiu fazer com um só volume. Pela originalidade, A filha do louco é um livro muito bom. Sempre que a história começava a perder a mão e ficar cansativa, a autora aparecia com uma carta na manga e a narrativa volta aos eixos. Por incrível que pareça, as 400 páginas são muito rápidas e, por mais que não sejam "tranquilas", são cativantes.
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