1 de abr de 2015

Garota online — Zoe Sugg (e a ghost writer não creditada)


Autora: Zoe Sugg (e a ghost writer não creditada)
Editora: Verus
ISBN: 9788576864158
Páginas: 308
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Como vloggers são a nova potência da década, nada mais óbvio que capitalizar em cima disso e levar essas novas celebridades para outras plataformas. Esses sucessos do youtube já tem um publico definido, cativado e, mais importante, pronto para consumir. Então vamos todos dar um abraço coletivo no capitalismo e aproveitar essa nova leva enquanto durar. Pelo menos os livros dessas garotas fofinhas que fazem vídeos de comprinhas e postam fotos de doces coloridos no instagram.

Vou jogar na roda, com licença: esses não são primores da literatura. Mais do que isso: nem devem ser. Garota online é um livro escrito justamente para ser best seller e vender para um público alvo já muito bem consolidado: os fãs da Zoella. Então já vamos dispensar todas essas histórias de que esse é um livro imaturo e adocicado demais: ele é o que é por precisar ser dessa forma. Ele fez sucesso assim, do mesmo jeito que Bruna Vieira virou best seller verde amarela ao escrever sobre uma mulher de 30 anos com mentalidade de 15. Isso é marketing, meus caros, vamos nos divertir com ele.

Garota online não foge muito do chão que Zoe Sugg conhece. É sobre uma garota inglesa de 15 anos,  Penny, com problema de confiança e frequentes ataques de pânico, que tem um blog anônimo para abrir o coração. Como ela conseguiu a disponibilidade do domínio de Girl Online é algo que quero entender, mas enfim. Depois de uma semana muito difícil no colégio, seus pais, organizadores de casamento, recebem uma proposta de trabalho em Nova York, e vão para a cidade que nunca dorme por alguns dias. A vida de Penny muda completamente ao pisar em solo do Tio Sam, então amadurecimento, blablabla, garoto novo, blablabla, enfrentar seus medos e sim, aqueles clichês todos.

Já aviso que o livro não empolga num primeiro momento. Talvez, nem no segundo. Penny é insegura demais para carregar a história nas costas enquanto está apresentando seu mundo, como nos primeiros capítulos em que o plot principal não foi realmente colocado em cena. Ela é a típica protagonista bonitinha, inteligente, talentosa, gente fina, que não sabe tudo isso e se deixa levar por amigos da onça que fingem ser dedicados quando obviamente estão segurando uma faca nas suas costas e prontos para colocar pressão. Eu posso entrar na história para ficar estalando os dedos na cara dessa menina até ela se tocar da realidade e adquirir um pouco de auto estima?

Porém, por mais que a protagonista seja sem sal e sem açúcar, ela esta cercada por bons personagens, o que faz a diferença quando a narrativa toma seu rumo. Sua família é ótima, Noah, o garoto que conhece em Nova York, é um amor e, seu melhor amigo, Elliot, é um ser humano maravilhoso que diz coisas como:
- Você deve ser uma das pessoa mais ineptas (procura no dicionário), insípidas (procura no dicionário) e burras (essa você deve saber) que eu já conheci. [...], eu não desperdiçado um único pascal (procura no dicionário) de ar com você.
Como o público desse livro não vai exigir nada além de uma meiga história fofa (Redundante? Quem? Eu?), muitas das situações são absurdamente convenientes. São tão programadas para darem certo que perdem a credibilidade e parece trabalho preguiçoso. Garota online é um molho de chaves em que a que você procura está pintada numa cor diferente e chamativa. Não é desafiador para o leitor, ou principalmente, para a autora. 

Achei bastante forçado (e fácil) a forma como a protagonista supera uma situação difícil, que fez um grande burburinho quando surgiu como plot. Em um capítulo é o caos, no seguinte, esqueceu, superou, virou a página (literalmente). Isso não apenas perde a credibilidade como também não combina com o que conhecemos da protagonista até então.

Eu estava com expectativas baixíssimas, esperando um livro fraco com uma protagonista graciosamente ingênua. Me surpreendi. Penny não tem graça, as reviravoltas são forçadas, mas o resultado final é bem encantador. Depois de cem páginas remando para ser introduzida, conheci os personagens a ponto de gostar deles e querer devorar o livro. Garota online não entrou para o hall de young adults que vou levar para vida, mas ele tem seu mérito.

Um comentário:

  1. não sei, ainda acho o livro sem graça demais e infantil demais.
    não estou nada curiosa para ler ele, apesar de já ter visto muitos blogueiros falando bem...
    mas, quem sabe né kkk

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