23 de mar de 2015

Objetos cortantes — Gillian Flynn


Autora: Gillian Flynn
Editora: Intrínseca
ISBN: 9788580576580
Páginas: 256
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Compre esse livro. Compre Garota Exemplar também. Compre tudo que essa autora lançar, vamos dar muito dinheiro para ela contratar muitos terapeutas, analistas, psicólogos e psiquiatras. Acredite, ela precisa. Em seu debut, que só recebeu o devido reconhecimento agora, Gillian Flynn nos brinda com sua mais notável habilidade: escancarar as nuances desagradáveis da humanidade. Mundos bonitos com arco íris e doces filhotes de cãozinhos? Não na visão dessa autora.

A protagonista é Camille, obrigada a voltar para sua cidade natal para cobrir um suposto assassino em série que matou duas garotas de mais ou menos 10 anos em um período de 9 meses. Esse pode ser o furo que o decadente jornal em que trabalha precisa, e Camille encara essa missão mesmo que voltar para a casa toxica da mãe  desperte fantasmas que ela achava ter enterrado.

Sinto que estou repetindo as exatas palavras que usei com Garota Exemplar, mas permita-me: estupidamente cruel e perturbadoramente genial. Objetos cortantes é a história que ninguém quer contar, que ninguém quer encarar. É sobre pessoas realmente problemáticas que precisam encarar a vida e, por consequência, seus demônios pessoais. Ninguém é 100% bom, e Flynn decide encarar a perspectiva pelos mais de 50% de genes vergonhosos e negativos que lidamos mentalmente. Seus personagens parecem ainda mais perturbados que quaisquer outros da literatura, e isso, cruelmente, é genial. Não há metáforas, floreios, belezas... É isso e fim. Encare ou abandone.

Aos poucos somos introduzidos ao mundo de Camille, dessa cidade pequena que tem mais problemas que habitantes, mas se esconde atrás dos tradicionais costumes sulistas. É de pouco em pouco que o leitor vai conhecendo a protagonista e seus fantasmas, e enquanto acontece, vai se sentindo sufocado junto dela. Flynn vai introduzindo as informações essências em momentos estratégicos, para que o choque venha em partes e constantemente. Quando você acha que todas as cartas já estão na mesa, lá vem algo novo E BOOM PARATIBOOM.

Eu descobri o mistério do assassinato bem cedo, mas não sei dizer se foi porque estava me sentindo particularmente ousada ou se estava na cara mesmo. Mas por mais que eu já tivesse a resposta por trás do serial killer, as informações/pistas jogadas ainda me deixavam surpresa. Eu queria gritar "nossa" e "eu sabia" ao mesmo tempo. 

A narrativa é muito parecida com a de Garota Exemplar. O modo como as coisas são largadas na trama me lembrou bastante o outro livro, o modo lento como Nick deixava o leitor conhecê-lo. Porém, em Objetos cortantes, essa escrita é mais crua. Combina mais com o enredo, funciona melhor. Desse modo, a autora é muito mais objetiva em expor seu ponto: que espécie curiosa esses humanos, não?!

Eu adorei, se você ainda não adivinhou. Se eu não fui clara o suficiente, olha só: sensacional. Flynn é brilhante, ousada e original, de um modo muito sádico e genial. Ela abraça vários tabus e gosta de discutir sobre pessoas que são mais do que demostram. É pra ser um triller policial, mas é mais psicológico do que qualquer outra coisa. Só não dei cinco estrelas porque estou guardando para o livro da autora que me faça abandonar a leitura de tão perturbadora. Abandonar por dez minutos, nem que seja. Com Objetos cortantes, eu só queria devorar de uma vez.

2 comentários:

  1. que mulher eim?
    confesso que não li Garota Exemplar porque não dava um real para ele. achei que seria uma história bem sem pé e sem cabeça. acontece que, quando fui ao cinema assistir ele (achando que o valor do ingresso ia ser dinheiro jogado fora), sai chorando, desesperada e querendo me matar por não ter lido o livro primeiro!
    mulher genial mesmo, e totalmente fora da casinha! kkkkkkk
    ainda não li este, mas estou com as expectativas lá no céu! espero conseguir ler logo ;~~

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  2. Terminei este livro ontem e também acredito que Flynn necessite de um acompanhamento psicológico hahaha
    Assim como Garota Exemplar, fiquei maravilhada com Objetos Cortantes ( na verdade, li Na Própria Carne). A diferença é que quase larguei o primeiro no início, por achá-lo muito lento. Ainda bem que não o fiz.
    Também descobri logo quem era o culpado, mas creio que Flynn não quisesse "esconder" isso do leitor. Acredito que foi proposital, eu virava as páginas louca pra descobrir o MOTIVO dos assassinatos e acho que era isso mesmo que ela queria provocar. Algo surreal, completamente doentio. Até porque, já vimos em Garota Exemplar que, se tem uma coisa que a autora sabe fazer, é surpreender.

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