19 de fev de 2015

Reflection está tão bom quanto uma farofa


Eu gosto de farofa. Se você está lendo isso aqui, você também gosta. Pode ser que você não queira levantar essa bandeira em praça pública, mas verdade seja dita: farofa é bom. Mais importante: ninguém rejeita uma boa farofa. Em termos midiáticos, farofa vende. E eu, como detentora dos poderes de detectora oficial de farofas, estou dando o prêmio farofento de 2015 para Fifth Harmony e seu álbum de estreia: Reflection.


Existe uma coisa que você precisa entender: fandom brasileiro não é parâmetro pra sucesso mundial. Não existe pessoal mais engajado com esse negócio de ser fã que os brasileiros, então se há muitos fandons tupiniquins no twitter, não é exatamente sinônimo de que, na gringa, esse artista bomba tanto assim. Fifth Harmony é um exemplo claro. As garotas saíram de um reality show musical, e isso é bastante parecido com o que acontece com os participantes dos Superstar da vida. Cantores de reality são facilmente esquecidos, e precisam se esforçar um pouco mais para consolidar o sucesso. A turma da Camila está nesse barco. Pode haver vários icons do twitter com o rosto da Camila seus rostos estampados, mas isso não está refletido em vendas, por exemplo. Não tão expressivamente como parece.

E Reflection, a estreia oficial dessas garotas (porque EP é EP, desculpa), é um álbum comercial em sua forma mais pura. Pode parecer que eu uso a palavra farofa de forma rasa, mas não - eu levo ela muito a sério. Quando eu digo que o álbum debut dessas garotas foi feito para vender, eu estou apenas repetindo o que todas aquelas batidas batidas querem dizer. É pop, é dançante, é o álbum que você adora. Uma festa com essas músicas tocando repetidamente vão fazer você dançar muito. Quem foi que disse que comercial é um problema?

O que é problema é que ficou óbvio. Reflection não é farofa apenas por ser pop, mas também por lembrar kibe. Palavra muito forte? Digamos apenas que essas músicas despertam lembranças de outras músicas. Certos momentos você até acha estar ouvindo uma repetição infinita de Sledgehammer, uma das melhores músicas do álbum, mas depois começa a perceber que essas melodias não são apenas parecidas entre si, mas também lembram vários hits dos últimos anos. Ao mesmo passo que todas as músicas são envolventes, todas vão lembrar outra que você já conhece. Ou você vai me dizer que já não tinha dançado no ritmo de Worth it antes desse álbum ser lançado? This is how we row, que tem várias mudanças de ritmo, me lembrava uma canção diferente a cada batida nova. E eu já estava cantando a letra de I've had the time of my life quando percebi que na verdade não era um cover e sim, Body rock.

Eu tenho uma teoria bem criticada sobre Camila dever investir em carreira solo. Vamos fazer um pequeno teste antes de você me jogar pedras: qual é a primeira garota que você pensa quando alguém fala em Fifth Harmony? Posso estar errada, mas acho que não. E Reflection não me dá nenhuma prova disso. A maior vantagem de uma girlband é fazer a jogada das várias vozes, de tom sobre tom, e isso é muito pouco explorado no álbum. Na maioria das vezes, o efeito coral poderia muito bem ser feito pelo amado sintetizador dos cantores solo, porque quase não há diferença.

Não quero tirar o mérito dessas garotas pelo álbum. É muito bom, Camila e as outras, parabéns! Mas, como todo álbum pop que não passa de batidas dançantes, depois de muito ouvir e dançar, ele se torna enjoável e esquecível. Não sou eu que digo isso, é a playlist do seu celular. Eu já escutei Bo$$ até cansar, estou fazendo isso com Brave Honest Beautiful, provavelmente vou fazer com Like Mariah. Com exceção da blergh Sugar Mama (como alguém pode achar que aquela era uma boa melodia?), todas as músicas de Reflection são ótimas para você aumentar o volume e fingir que está protagonizando um filme de high school. E assim será até surgir um novo merecedor do prêmio farofa, logo logo.

Um comentário:

  1. Você é uma ótima crítica! HAHAHA
    Eu gostava da Fifth Harmony, aí passei a não gostar mais. Mas vim ver a resenha porque gosto de seus posts. Ouvi a primeira música e entendi do que você tava falando. Que pena que vozes tão potentes tão sendo "aproveitadas" assim...

    Clara
    @clarabsantos
    clarabeatrizsantos.blogspot.com.br

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