26 de fev de 2015

Filme noturno — Marisha Pessl


Autora: Marisha Pessl
Editora: Intrinseca
ISBN: 9788580575903
Páginas: 624
Comprar
Por mais que eu quisesse ler Filme noturno, eu abri o livro carregada de receio nas costas. Receio por várias razões:

a) Eu tenho preguiça de thrillers. O único que tinha lido e gostado até então era Garota exemplar, e justamente por ser diferente dos outros;
b) 600 páginas é um número muito grande para ficar presa em algo que não me prendesse;
c) Ninguém era claro a respeito desse livro, nem a própria sinopse. Cada resenha me sugeria uma coisa e nenhuma era sinônimo de certeza que eu ia gostar; e
d) Disseram que o final era aberto. Damn it, finais abertos!

Então, para lutar contra isso, estabeleci a meta de 60 páginas por dia. Não cansaria, e não ocorreria o risco de abandonar. O que eu não esperava era ser fisgada logo nas primeiras páginas e ter que abandonar a leitura por estar, hum, assustada. Filme noturno, apesar dos meus pesares, foi uma das maiores surpresas da minha estante, e me abriu um novo leque de possibilidades literárias.

A história é protagonizada por Scott McGrath, um jornalista investigativo que joga sua carreira na lama quando parte para cima de um recluso diretor de cinema que pode ou não ser realmente perturbado. Cinco anos após o incidente que faz todos os contratos de McGrath serem anulados, o assunto volta a tona quando a filha do diretor, Ashley, de 24 anos, é encontrada morta, um suposto homicídio. Junto de Hoppen e Nora, que tiveram contato com Ashley em seus últimos dias, McGrath retoma a investigação para descobrir quem é o verdadeiro Cordova e qual sua influência no suicídio da filha.

Filme noturno é um grande encontro de terror e suspense. É a trama que eu passaria longe no cinema, mas que eu quero ver genéricos na minha estante. Pessl constrói um enredo pensando sempre em viciar o leitor, deixando pontas e brechas para que se envolver com o mistério se torne inevitável. É como uma linha contínua em que cada descoberta leva a outra, que sugere outra, que apresenta um novo personagem disposto a falar. Tudo se mistura e as possibilidades vão a mil. É nessa parte que Filme noturno avança dentre os gêneros e mostra uma nova faceta de horror: o que Pessl acrescenta vai além dos limites do céu e da terra, com o perdão do clichê. É o novo misturado ao velho e, de repente, há setas apontando para todas as direções e tudo que você quer é mais tempo livre para desvendar logo essa charada.

O que mais gostei é que os personagens principais não são inteligencias sobre-humanas. Por mais que gênios como Sherlock sejam maravilhosos, são caras como McGrath que sustentam esse tipo de história. Ele pode não descobrir tudo só vendo um fio de cabelo fora do lugar, mas é capaz de notar o que está na sua frente, encontrar as pistas jogadas para que a investigação nunca pare e sempre tenha um direcionamento.

Gostei bastante que a vida pessoal dos personagens nunca é colocada como foco da narrativa. Embora tenha seu espaço, o que Scott, Nora e Hoppen fazem na privacidade não leva muitas páginas para começar e acabar. O assunto principal se mantem na investigação do caso de Ashley, e é isso que dá assunto para as 600 páginas. Nada além.

Pessl propõe reviravoltas, teorias alternativas e seu grande trunfo é fazer o leitor se sentir idiota, perdido sem saber no que acreditar. É na dificuldade de encontrar uma aposta para colocar as fichas que tudo parece ainda mais incrível. As alternativas são ousadas e algo menos que NOSSA parece decepcionante. É por isso que acredito que o final de Filme noturno não se encaixa completamente na label de "aberto". Há uma explicação coerente, você só resolve não acreditar porque suas expectativas são muito altas e você quer loucura. Eu acredito em qual é verdade, mas escolhi imaginar que a autora estava tirando com a minha cara e não quis contar toda aquela explicação de 200 páginas que meu cérebro pensou.

Algo me impediu de dar cinco estrelas para o livro, e talvez tenha sido o fato de eu estar muito envolvida com a história para vê-la terminar. Eu acredito que Pessl podia escrever muito mais e Filme noturno não teria se perdido. Podia explorar outros ângulos, acrescentar mais sites e pesquisar e recortes de jornais. Achar tão bom que 600 páginas foi pouco é um motivo ruim para não dar 5 estrelas? Talvez. Mas que gostei e quero mais? Verdade.

Um comentário:

  1. Oi!
    Tenho bastante vontade de ler esse livro, acho a capa dele fenomenal e parece ser um suspense super intrigante.
    Acabei de conhecer seu blog e adorei, li uma resenha sua de 2012 e gostei da forma como voce escreve.
    Um beijo!
    Guilherme - http://leituraforadeserie.blogspot.com/

    ResponderExcluir

E chegamos a parte maravilhosa em que vocês participam do blog comigo! Deixe sua opinião sobre o que leu/viu, só com alguns poréns:
- Comentários ofensivos à autora do blog ou outros comentaristas não serão aprovados.
- Comentários preconceituosos ou/e de caráter sexual não serão aprovados.
- Comentários anônimos não serão aprovados, a ferramenta só está ativada pela liberação de comentários com NOME+URL de pessoas não cadastradas no Google, etc.
- Comentários unicamente de divulgação não serão aprovados.
- As respostas serão feitas na página de comentários, em caso de mais urgência, utilize a ferramenta "Contato" na lateral.
Tirando essas pequenas regrinhas, fiquei a vontade! O espaço é de vocês :D Aliás, obrigada pelo comentário!