21 de jan de 2015

Entre o amor e o silêncio — Babi A. Sette


Autora: Babi A. Sette
Editora: Novos Talentos da Literatura Brasileira
ISBN: 9788542802344
Páginas: 528
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É incrível como é fácil fazer comparações quando você acha semelhanças quaisquer. Desde aquele sucesso estrondoso que foi Entre o agora e o sempre, títulos que começando com Entre uma e outra coisa me remetiam diretamente ao new adult que colecionou elogios na blogosfera brasileura. Com Entre o amor e o silêncio não foi a primeira vez que isso aconteceu, que eu criei expectativas e esperei por J. A. Redmerski. Também não foi a primeira vez que essa ~conexão~ terminou catastroficamente mal.

Vamos esclarecer previamente que meu gosto literário nunca foi o mais requintado. Eu posso ser crítica dentro do que eu gosto, mas não sou crítica com o que eu gosto. Dá pra entender? Eu não me importo com mensagens poéticas, reflexões emocionais ou críticas sociais. Meus livros favoritos - se não fantasiosos - são romances água com açúcar que não ganhariam Nobel nem em um milhão de anos. Eu sei disso, e não me incomodo com tal. Então quero que você compreenda que, se eu não gostei nada de um romance, tem algo de muito forte acontecendo - e não apenas uma implicância boba.

Entre o amor e o silêncio é a historia de Francesca, uma escritora, que resolve ler para pacientes de um hospital. Entre eles está Mitchell, um empresário de sucesso que se encontra em coma. Ao ler para ele com frequência, ela acaba se apaixonando... Pronto, eis o plot principal.

Eu acredito que isso poderia funcionar. Acredito de verdade, pois eu sou o tipo novela mexicana de pessoa. A barra poderia ser forçada, desde que com jeitinho - e não sei exatamente onde começou a dar errado, mas deu e a pobre barra entortou. Quebrou, inclusive, já que não era a mais resistente. Começo por onde?

Ah, claro, se apaixonar por alguém em coma. Isso me lembra alguma novela das seis que foi tão ruim que meu cérebro bloqueou o nome. Imagine você lá, de boas em coma, e alguém lendo pra você. Então esse alguém se apaixona por você. Como isso funciona? Que linda e uniforme sua respiração, acho que você é o amor da minha vida? Não, gente, calma um pouquinho - imagino que isso é até antiético (se não me engano, na novela era). De qualquer forma, se não for, ao menos é esquisito. Eu não gostaria de acordar de um coma com alguém obcecado por mim, não gostaria mesmo. E é isso que Francesca faz: ela fica ob.ce.ca.da. Péssimo, cara, péssimo.

Mas então vamos avançar um pouco e quero liberdade para fazer outra referência: Cinquenta tons de cinza, que, se você não sabe, eu odeio de coração cheio de ódio. O casal principal me lembrou em muito os novos queridinhos de Hollywood e credo como isso não é legal. Francesca por vezes é pamonha como Anastacia, e não tenho palavras para dizer como não suporto Mitchell. Cara insuportável, possessivo, egocêntrico... Just like Grey. E outra semelhança: sexo. Um relacionamento baseado em sexo. A autora pode até tentar me convencer do contrário, inserir um pouco de romantismo ou sei lá qual artimanha, mas sempre acaba parecendo só isso: envolvimento físico. E possessividade. E lembrando novamente que meu gênero favorito é new adult.

A escrita da autora não é de todo ruim. Eu complico com alguns autores nacionais que escrevem para o público jovem com linguagem rebuscada, como se para provar que estudou português no colégio, e digo para você que esse não é o caso. Na verdade, foi a escrita que me segurou quando o enredo inteiro parecia estar desabando. Não consigo gostar da execução, dos personagens e alguns trechos tinham uma seta gigante e brilhante escrito "Eike machista". Infelizmente, eu só recomendo Entre o amor e o silêncio se você coleciona capas bonitas na sua estante ou se você gosta de Cinquenta tons e não se importa com namorado ridiculamente grudentos. Como diz minha vó, cada um sabe de si, né?
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