31 de out de 2014

Maluca por você — Rachel Gibson


Autora: Rachel Gibson
Editora: Jardim de Livros
ISBN: 9788563420718
Páginas: 120
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Com um título que impossível ser mais cara de comédia romântica de Sessão da Tarde e que lembra outros inúmeros chick lits livraria a fora, Rachel Gibson aparece com mais lançamento em terras tupiniquins. Re-lançamento, se formos ser específicos, mas não vem ao caso. A questão é que a autora, dona de muitos (MUITOS!) elogios por leitores de romances, estava me apresentando outra chance de deixar a implicância de lado e finalmente dizer sem pensar muito que gosto dos seus livros. 

Então, Joana, você gosta da Rachel Gibson? 
Er... É, eu gosto.

Em Maluca por você, conhecemos Lily, conhecida na pequena cidade de Lovett, Texas, como maluca. Não que ela seja maluca. Claro que não, isso é apenas intriga da oposição. Lily é, você sabe, impulsiva. Vingativa, talvez. Ela cuida praticamente sozinha do filho de 10 anos, já que o ex-marido é um completo babaca (que mereceu quando Lily enfiou o carro na parede da sala!). É uma vida pacata, tentando manter sua imagem o mais intacta possível, porém isso é completamente ameaçado com a chegada do novo policial da cidade: Tucker Matthew, seu lindo vizinho oito anos mais novo. 

120 páginas é considerando Nota da Autora, Sobre a Autora, Outros livros da Autora e essas coisas, sabe? Porque, em termos de história mesmo, Maluca por você é ainda menor que isso. Logo, se tem uma coisa que afeta essa história, é seu tamanho minúsculo - e todas as decisões que a autora teve de fazer (ou não fazer, no caso) para que conseguisse contar um romance em pouco mais de 100 páginas. Poxa, qual foi a necessidade disso?

A história se tornou muito rasa e corrida. Se em um minuto Lily e Tucker estão apenas se conhecendo, no outro ele está cantando "entra na minha casa, entra na minha viiiida" para ela. É apressado e acaba ficando um pouco sem sentido essa paixão fulminante com uma base mínima. É comum de Gibson criar um bagagem emocional para seus casais, porém em Maluca por você, foi exatamente isso que faltou. É tudo na base de um piscar de olhos. Se a expressão fosse "um arquear de sobrancelha", poderia até dizer que foi literalmente.

Gostei e não gostei. O romance é bom e tinha potencial, porém a autora não soube (e nem quis) desenvolver. Ficou fraquinho, e cercado de clichês, acabou não rolando por completo. Maluca por você se torna uma história esquecível que não teve nada de diferente, nada de fofinho o suficiente para que ganhe label de shipável. Definitivamente, Lily e Tucker não são OTP. Contanto, se Rachel Gibson resolver escrever uma versão estendida...
Beijinhos ♥ 

30 de out de 2014

Resultado: Dark House

É um pássaro? Um avião? Uma abelha rainha? NÃO!, é a Joana finalmente admitindo que está atrasadíssima, ocupadíssima e quase nem tweeta mais. Você sente o nível em que chegamos? Enfim: não tenho tempo pra enrolar. Quem levou o sorteio de Dark House e está esperando desde domingo para saber o resultado foi...
Parabéns, Leci! - E obrigada a todos vocês que participaram ♥ Vou te enviar um email e você tem 72 horas para responder com seus dados completos. Enquanto isso, tem dois livros maravilhosos sendo sorteados. O banner continua velho, mas clica ali do lado que você será redirecionado. Participa, vai.
Beijinhos ♥

UPDATE

Então! A Leci não respondeu meu email, logo isso significa só uma coisinha: ganhador novo na parada. Agora a Luciana tem mais 72 horas para responder o email ou a sorte vai mudar de casa novamente. 

27 de out de 2014

Drinques para três — Madeleine Wickham


Autora: Madeleine Wickham
Editora: Record
ISBN: 9788501098160
Páginas: 352
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Acho que vou largar Madeleine Wickham de mão. Essa é mais uma autora que estou empurrando com a barriga, sempre pensando que uma hora vou virar fãzoca de verdade, e essa hora nunca chega. Na real, o caso é que ela já conseguiu arrancar de mim todo o amor que podia... Com seu pseudonimo, Sophie Kinsella. Essa eu amo. A grande mente por trás daqueles excelentes chick lits? Nem tanto.

Quando assina seu nome de verdade, Madeleine gosta de escrever romances dramáticos que são o total oposto das obras em que a capa estampa "Sophie Kinsella" em destaque. Esses livros são mais densos, menos engraçados e divertidos, mas, por incrível que pareça, anunciam todas essas características na quarta capa. Vou desmentir pra você: não há nada para comparar. É um caso de pseudônimo que parece mais transtorno de personalidade múltipla.

Em Drinques para três, terceiro livro da autora no Brasil, conhecemos Maggie, Roxanne e Candice, três amigas de, em média, 30 anos, que trabalham na mesma revista em Londres e estão em fases diferentes de suas vidas corridas. A pausa na rotina ocorre todo dia primeiro de mês, quando as três promovem um encontro do seu ~clube do drinque~ para beber e colocar a conversa em dia. Como só isso não é suficiente para sustentar uma sinopse, temos os problemas particulares de cada uma dessas mulheres, que se recusam a dividir com as amigas. Ninguém sabe que Maggie não está preparada para ser mãe (embora esteja nas últimas semanas da gravidez). Ninguém sabe o nome do cara casado com que Roxanne mantem um caso há anos. Ninguém sabe dos golpes que o pai de Candice aplicava no passado e como a doce menina se sente culpada por isso.

Ninguém sabe, também, que Candice é uma pamonha, mas vamos falar disso depois.

Esse seria um livro ok, até bonzinho, se não fosse de Madeleine. Se não tivesse o nome de Sophie atrelado na capa. Por si só, isso carrega muitas expectativas, logo, é impossível não sentir um fiozinho da esperança, que sempre (e por sempre digo SEMPRE!!!) se transforma em decepção. Se há senso de humor é tão sutil que chega a ser irritante. Se há drama, é tão mal estabelecido que não chega aos pés de ser tocante como Louca para casar, o até então último lançamento da autora por aqui.

Culpo, por essa falta de empatia, as protagonistas. É um trio absolutamente carente de qualquer traço de simpatia, que faça o leitor se afeiçoar. Nos primeiros capítulos, a impressão que tive foi que havia uma competição para qual das três seria a que eu menos ia gostar. Quero pensar que isso é uma artimanha proposital da autora, como se fosse sua real intenção mostrar um trio de pessoas reais: mulheres estressadas, egoístas e sem muito carisma para gastar com estranhos aleatórios (os leitores). 

O principal argumento para provar que as personalidades desprovidas de agradabilidade são intencionais é Candice. Juro para você, nenhuma autora faz uma personagem tão panaca sendo que não era para parecer assim de fato. Sabe aquelas pessoas que caem na "qual a piada do pintinho"? Pois então. Candice parece ter prazer em ser feita de boba, e a vontade que dá é de entrar no livro para gritar na cara dela. Não de um jeito bonzinho.

São várias questões que cercam as protagonistas e colocam o livro para trás. Numa visão geral, nada convence - nem drama, nem romance, nem culpa... As vezes, nem mesmo a amizade. Dizer que Roxanne quer o bem de Candice como se fosse uma filha não me convenceu, e adicione isso para as inúmeras coisas que faltou uma verdadeira base para se tornar cabível. Drinques a três não tem nenhum grande atrativo e, se não fosse pela escrita razoavelmente fluida, seria um daqueles títulos que a gente deixaria abandonado na estante até quem sabe um dia. 

25 de out de 2014

|TAG| Dias da semana em livros

RÁ! Eu sumi, mas não por muito tempo. Hoje tem TAG nova! Dias da semana em livros foi criada pela Pam, do Garota It, junto de dois leitores do blog. A missão é encontrar um livro para cada dia da semana de acordo com a descrição da categoria. Quer saber o que eu escolhi? Dá play!
Se você gostou do vídeo, não esquece de dar joinha. Se não gostou, dá joinha também. Se inscreva no canal e me encha de elogios para que eu grave mais vídeos, ok? Beijinhos ♥
PS: Tem sugestão de vídeo ou perguntas para euzinha? Vem nesse formulário!

24 de out de 2014

Billy and me — Giovanna Fletcher


Autora: Giovanna Fletcher
Editora: Penguin
ISBN: 9781405909952
Páginas: 416
Nível de inglês: Médio
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Ver livros gringos em destaque em livrarias nacionais não é uma coisa muito comum. Menos comum ainda é ver, na página inicial, um livro que não tem filme, que não tem versão brasileira, que não é de nenhum autor com outras vinte publicações, nem nada do tipo. Um livro, até então banal, que tem algo de tão especial que merece ser encontrado sem precisar passar horas navegando uma páginas confusas. Você pensa que ele só pode ser a obra mais excelente de todas, né? Eu pensei exatamente isso quando encontrei Billy and me por preço bom na Saraiva depois de já tê-lo namorado na Cultura. O que eu não pensei duas vezes foi tentar descobrir o que porquê deste destaque todo. 

E se você foi mais ligado do que eu e reconheceu o sobrenome da autora, eu já grito "Bingo" porque você encontrou a jogada. Billy and me não é destaque por ser uma obra prima da literatura contemporânea. Não é destaque por ser um novo clássico. O destaque aqui é ser escrito pela esposa de Tom Fletcher, do McFly. RÁ, MARKETING.

E a maior jogada, ainda, é escrever uma sinopse sutilmente real, algo que ela conhece e viveu na pele. A história de Billy and me é o romance entre Sophie, uma garota comum que trabalha numa confeitaria, e Billy, um belo ator que tem o mundo aos seus pés. Ela não parece o tipo de garota que ele costuma sair, porém algo nela chamou atenção do astro e cupidos atiraram suas flechas, corações foram rabiscados pela volta... Você sabe, essas coisas.

Desculpa, mas não. Se você perguntar o que tenho de bom para falar nesse livro, vou ser obrigada a responder a capa. Quanto ao enredo, não há nada de bom o bastante para apagar as falhas - que não sou poucas nem pequenas.

Quero começar falando do romance, que é o ponto central da história. E, vamos combinar, se algo é para ser o ponto central, ele deve ser trabalhado completamente, da primeira página até todo sempre, se mantendo estabilizado e crível durante a obra inteira. É disso que se trata, não? É o básico, o mínimo, a única coisa realmente esperada quando começa um livro do gênero. Você quer ler um romance e quer acreditar nele. Coisa que em Billy and me não acontece: nem no inicio, nem no meio, nem no fim.

É tão apressado que não há tempo para o leitor se conectar com os personagens e a história. Quando você acha que Billy e Sophie estão recém se conhecendo, na verdade eles já estão fazendo juras de amor eterno, combinando os nomes dos filhos e abrindo uma conta conjunta no banco. Estou dizendo para você: é muito rápido! Tão corrido que perdeu a identidade, a credibilidade e o romance inteiro ficou inverossímil. 

Não acreditei em Sophie e Billy. Na verdade, eu terminei o livro e tenho impressão que ainda nem os conheço. Não sei se seu romance é real ou infundado. Não sei se eles se gostam ou só são atraídos pelas realidades opostas em que vivem. Quando a autora os faz brigar, algo que deveria vir como um drama, uma tensão, eu tinha impressão que era a primeira vez que via sentimentos de verdade entrando na parada, e isso não é algo bom. É o oposto de shippável, você não torce para vê-los juntos como num conto de fadas. Quando estamos falando de um livro do gênero, isso é algo inaceitável.

Aí temos Sophie. Péssima protagonista. Outra coisa que a autora não soube compor, não criou base nenhuma e quis fazer com que sua primeira palavra já valesse como a final. Não há empatia pela garota. Sophie é tão insegura que apaga seu carisma, se é que há algum. E como é praticamente obrigatório que a protagonista tenha um segredo, a autora faz um suspense danado para nada. Quando ela revela, você já não gosta de Sophie e fica indignada que houve todo um mimimi para isso? Sério? Você me jura que a chance de reviravolta era isso?

Se não fosse por Giovanna Fletcher ter sido uma pessoa comum na fila do pão e ter casado com Tom, esse livro não geraria metade do apelo que gerou. Na verdade, seria mais uma história massacrada pela crítica, pois os buracos são tão grandes que elogio nenhum pode chegar a tapar. Billy and me não é apenas mal escrito: é mal desenvolvido, mal trabalhado e, acima de tudo, inacreditável. 

23 de out de 2014

Sorteio: Mar de tranquilidade

Livro amor, livro delicia e promoção amor e delicia. Vem, vem tentar a sorte de ganhar essa belezura que é Mar de tranquilidade ♥
Nastya Kashnikov foi privada daquilo que mais amava e perdeu sua voz e a própria identidade. Agora, dois anos e meio depois, ela se muda para outra cidade, determinada a manter seu passado em segredo e a não deixar ninguém se aproximar. Mas seus planos vão por água abaixo quando encontra um garoto que parece tão antissocial quanto ela. É como se Josh Bennett tivesse um campo de força ao seu redor. Ninguém se aproxima dele, e isso faz com que Nastya fique intrigada, inexplicavelmente atraída por ele.
A história de Josh não é segredo para ninguém. Todas as pessoas que ele amou foram arrancadas prematuramente de sua vida. Agora, aos 17 anos, não restou ninguém. Quando o seu nome é sinônimo de morte, é natural que todos o deixem em paz. Todos menos seu melhor amigo e Nastya, que aos poucos vai se introduzindo em todos os aspectos de sua vida.
À medida que a inegável atração entre os dois fica mais forte, Josh começa a questionar se algum dia descobrirá os segredos que Nastya esconde – ou se é isso mesmo que ele quer.

Regras:

  • É necessário endereço de entrega no Brasil;
  • Todas as informações requisitadas serão conferidas, e quem não estiver seguindo todas as regras será desclassificado;
  • O sorteio será feito pelo Rafflecopter e o resultado será divulgado no blog, em até 3 dias após o término da promoção, no dia 23/11;
  • O ganhador tem um prazo de 72 horas após a divulgação do resultado para entrar em contato com o blog e enviar o endereço;
  • O prêmio será enviado para o ganhador no prazo de 30 dias;
  • Não nos responsabilizamos por extravios cometidos pelos Correios.  
 a Rafflecopter giveaway

Beijinhos e boa sorte 

22 de out de 2014

Garota exemplar — Gillian Flynn


Autora: Gillian Flynn
Editora: Intrínseca
ISBN: 9788580576054
Páginas: 448
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Não leio thrillers, mas abro uma exceção sempre que a timeline fala mais alto que meus gostos literários pré estipulados em sinopses clichês. Não que muitas vezes isso tenha acontecido, claro. Contudo, isso me levou a encarar quase 450 páginas de um dos mais elogiados suspenses da atualidade, que acabou de estrear nos cinemas e tem feito milhares de pessoas se desmancharem em comentários perspicazes, inteligentes, e chamaram a autora de genial. Permissão para me incluir nesse grupo concedida? Não que eu vá esperar pela resposta.

Em Garota exemplar, conhecemos o casamento publicamente estável, particularmente fracassado, de Amy e Nick. No aniversário de cinco anos da união, a esposa desaparece e, como esperado, a principal suspeita recai sob o marido. Parece um livro simples, de uma sinopse comum e já batida a exaustão por seriados como CSI. Só que não é bem isso. Contudo, o que Garota exemplar é de verdade, eu temo não saber responder.

Dividido entre o ponto de vista de Nick sobre o que está acontecendo após o desaparecimento, e fragmentos do diário que Amy manteve durante os 7 anos que passou ao lado do namorado/marido, vamos conhecendo a realidade dos dois, o que realmente acontecia entre quatro paredes e o que levou ao suposto chá de sumiço de Amy. Por vezes são apresentados os mesmos fatos com versões diferentes de atitudes, e logo somos encobridos por uma névoa de mistério que torna impossível criar apenas uma dezena de teorias.

Garota exemplar é um misto de sensações. É um livro doentio e genial, que beira a esquisitice e se torna agonizante quando todos esses elementos de narrativa são misturados. A autora nos brinda com um exemplo perfeito para aqueles ditos populares de que "entre homem e mulher, ninguém mete a colher", e prova que, no fundo, seres humanos são incógnitas até para as pessoas que, supostamente, devem ser as mais próximas. 

O desaparecimento deixa de ser o ponto chave para dar espaço para o casamento. Diga o que quiser, mas, sem dúvidas, essa é a grande cartada de Flynn. Inverta o foco, crie suspense no feliz para sempre, reescreva o final que os romances insistem os nos afirmar serem possíveis por toda eternidade. Mais que isso, transforme esse livro em algo sobre pessoas, personalidades, alter egos, e quão destrutivo é um choque entre opostos. Não haveria suspense se a base de tudo, os personagens, não fossem bem fundamentados, e capazes de criar teias a respeito de si mesmos. Criar dúvidas, nuances, ganchos para reviravolta. Pronto, temos a humanidade no ponto de foco e, a partir disso, é delineado o suspense. Bingo.

Há psicopatia da forma mais pura e desmascarada sendo adicionada nessa mistura. Acredito que sociopatia também. Posso nem saber caracterizar com exatidão o que é uma pessoa sociopata, mas digo para você, tem isso em Garota exemplar também. É uma daquelas maravilhosas obras que mostram os deslizes e delírios da mente humana, uma essência assombrosa do que a gente prefere acreditar que não existe na rua ou na casa da frente. Para Amy e Nick, o casamento é uma bomba relógio, e não da forma explosões de amor que a gente vê pintado por aí. Definitivamente, não dessa forma.

Os capítulos de Nick servem para dar a visão geral, mas são as partes de Amy que fazem o especial do livro. Em seus diários? Senti seu medo, seu terror, suas suspeitas. Não senti simpatia (não gostei dela nem por um minuto, na verdade), mas fiquei aflita com a situação apresentada. E esse é mais um mérito de Flynn.

Só não é um livro 100% porque as coisas demoram a andar. A orelha promete, logo de cara, reviravoltas a todo segundo, e como não sou muito amiga do gênero, demorei a entender que esse logo de cara levaria um certo tempo para a história se estabilizar. Mas ok, começa. E é brilhante. Sadicamente brilhante. Estranhamente cativante. Perturbadoramente genial. Posso não ter muitos thrillers no meu histórico, mas Garota exemplar será, por muito tempo, o mais ridiculamente inteligente e estupidamente bem escrito que já frequentou a cabeceira da minha cama.

21 de out de 2014

Songs of innocence, o álbum que o iTunes nos fez engolir


Não houve aviso nem oferecimento. Quando a Apple anunciou o lançamento do iPhone 6, achou que seria de bom gesto dar um álbum de presente para cada usuário de iTunes. E você poderia escolher aquele CD exclusivo que só existe na loja da maça e custa um conjunto de rins e pulmões? Não. Uma hora você está escutando Ariana Grande e, na faixa seguinte, o shuffle manda U2 com alguma canção de seu novo álbum, Songs of Innocence. Boa jogada de marketing, não?

Claro que deu polêmica e gerou muita discussão na internet sobre o fato de todos termos sido obrigados, apenas por ser usuários da Apple, a ceder cerca de 100MB de memória para uma banda que, talvez, nem estivesse na nossa playlist anteriormente. É como ganhar um par de meias de natal quando você não estava precisando, e, pior de tudo, é muito difícil rejeitar.

Por livre e espontânea vontade, eu nunca tinha ouvido nada da banda. Lembro que era febre entre meus colegas da quarta série, antes de RBD e de Forfun, e todos pareciam muito maneiros em gostar de uma banda de rock no auge de sua primeira década de vida. Se houve, de fato, uma fase U2 para crianças no inicio do milênio, eu fiquei do lado de fora, e não pretendia me inserir. Foi só um mês depois de tanto apertar o "próximo" quando me deparava com uma das músicas, que dei o braço a torcer e, né, pode não ser tão ruim.

Como, realmente, não é. Falei isso antes para que ninguém me julgue por falar sem conhecer antecedentes, já estou adiantando minha falta de moral para quaisquer comparações que pudessem vir ocorrer. Não é visão de fã; é ponto de vista de alguém que conheceu o trabalho desses caras irlandeses totalmente sem querer. Até então, Bono era bolacha, não biscoito e, muito menos, um astro do rock.

Então, olha só, o que eu me deparei não foi um rock conceitual, pesado ou sombrio, como eu sempre imaginei que deveria ser o de uma banda que foi sensação 15 anos antes da minha chegada ao mundo. Em Songs of innocence, o U2 é extremamente comercial. São melodias tão feitas para serem vendidas que se torna até engraçado o fato de ter sido distribuído gratuitamente pelos iTunes da vida. Não é nada novo, não parece ser uma banda cujos fãs fariam roda punk num show, e, posso ser sincera? Parece um álbum bem farofa.

E, com isso, quero dizer que gostei.

É algo óbvio desde a primeira canção. The Miracle (of Joey Ramone) é animada, divertida, e partilha de elementos bem clichês e populares: refrão forte, trechos chiclete e um bom coral de fundo. O que segue são refrões agradáveis e cativantes: seja em melodias que começam calmas e esquecíveis como Every breaking way, ou coro irritante Barbara, Santa Barbara com fundo de Lady Gaga meets The OC em California (There is no end to love).

A quarta música é minha favorita do álbum, quando as melodias suavizam e dão espaço para o violão que vai crescendo e se energizando ao longo dos quase quatro minutos. É notável como Songs for someone fecharia com uma cena final clichê de comédia romântica. Quer ver? Imagine um aeroporto. Mocinho está fazendo check in, mocinha está correndo atrás, em disparada. Em 2:13, eles a distância entre os dois diminui, o mocinho olha para trás e cena se torna em câmera lenta, deixando os cabelos da mocinha caírem demoradamente nos ombros depois da corrida pelo saguão. Em 2:50 eles se enxergam. Em 3:10 se aproximam até ficarem a poucos passos. Aí até a letra diz para se beijarem. Logo sobem os créditos. JOANA PARA ROTEIRISTA, VOTE 4.

Iris (Hold me close) continua nessa perspectiva mais calma e com uma mensagem por trás, o que deixou a canção crua e bonita. O refrão mais forte que qualquer outra parte da melodia? Continua ali. A sexta música, Volcano volta a animar as coisas. O baixo faz o fundo em tempo integral e o refrão convida o ouvinte a cantar junto, com um certo desespero na voz. A medalha de prata é, sem dúvida, para VOL CA NO. 

De resto? Esquecíveis. Apagáveis. Passáveis. Raised by wolves, Cadarwood Road, Sleep like a baby tonight, This is where you can reach me now e The troubles podem até ter seu charme, porém depois de seis músicas que já deram uma mostra clara do que o álbum se propõe e de como U2 funciona com diferentes melodias farofas de rock, essas cinco ganham a label de "só mais cinco uma na fila do pão". É o mesmo refrão servindo como chamarisco, mas incapaz de sustentar o que já se viu repetidamente nas faixas anteriores.


Sinceramente, estou relativamente contente que, se foi para gastar minha memória, pelo menos o iTunes tomou a preocupação de fazer algo que vende para pessoas sem muitos pré-requisitos musicais. Songs of innocence é bonzinho por não ter nada demais e funcionar com algumas melodias chaves e  refrões cativantes. Melhor álbum do ano? Nem. Melhor banda que eu descobri? Capaz. Melhor álbum que a iTunes me deu de presente sem eu pedir? Ok, verdade. 

Mas eu ainda preferia que fosse 1989, da Taylor Swift.

20 de out de 2014

Onde deixarei meu coração — Sarra Manning

Autora: Sarra Manning
Editora: Galera Record
ISBN: 9788501095169
Páginas: 336
Nota:
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Sarra Manning na lista de melhores autoras do mundo. Estou batendo na mesma tecla pela sexta vez desde que conheci o trabalho de Sarra: cada dia que passa sem conhecer o trabalho dessa autora, é um dia que perdeu de se apaixonar por essas histórias clichês que funcionam de uma maneira totalmente surpreendente. Onde deixarei meu coração entrou para aquela lista de young adults que são favoritos da vida por simplesmente existirem. E olha que ainda nem comecei a despejar amor para cima dele.

A jogada da autora, perceptível desde seu primeiro livro, é criar personagens reais, onde defeitos e qualidades se apresentam de maneira equilibrada. Nós conseguimos nos irritar com eles, amá-los na página seguinte, e viver um ciclo de amor e ódio que o resultado final é sempre positivo. 

A protagonista da vez? Bea. Reprimida pela mãe, entediante, pacata, que sabe que é tudo isso e tem uma autoestima vergonhosa. Ela se dá tão pouco valor que quando o grupo de garotas populares do colégio a adota como membro, ela sabe que tem uma alguma coisa seriamente errada. Mas ok, ela ganhou convite para viagem de férias na Espanha, e talvez essas garotas realmente gostem dela. Até que a-coisa-seriamente-errada dá as caras e Bea acaba sozinha na Espanha, dormindo no trem até perder a parada planejada e encontrando um grupo de universitários americanos que estão fazendo Eurotrip.

EUROTRIP

Definitivamente, eis o meu fraco por qualquer livro. Falou em Eurotrip, Roadtrip, qualquer viagem, já tem boa parte do meu coração. Colocar a França no meio só serve para selar o pacote e ganhar coraçõezinhos completos. Sim, nesse caso, me vendo fácil. 

Esse é um livro sobre autoconhecimento. Bea está longe do olhar hiper protetor da mãe pela primeira vez na vida, sozinha numa estação de trem européia, com vários euros no bolso. É a chance perfeita de ir para Paris conhecer o pai, além de fazer todos os passeios de turista que sempre sonhou. Ao lado dos seus novos amigos americanos, que não sabem nada sobre sua postura cabeça baixa em casa, ela vai descobrir quem é, vai se virar sozinha pela primeira vez e vai conquistar seu espaço no mundo. É amor, gente, muito amor!

Os americanos são maravilhosos, o grupo inteiro faz maravilhas para a vida de Bea e, só por isso, merece o amor do leitor. Mas além disso, está Toph, que faz o papel de boy magya. Eu poderia descrevê-lo, falar sobre o quão incrível ele é, sobre como eu perderia as paradas do trem na Europa se fosse para encontrá-lo, mas né, acho que não há necessidade. Boy magya fala por si só.

Sabe Anna e o beijo francês? POIS. ENTÃO. Não digo que é uma história parecidíssima, embora tenha - em parte - o mesmo cenário encantador, mas me refiro ao despertar de todos aqueles sentimentos do livro de Stephanie Perkins. É lindo, mágico, doce, clichê, bem escrito, com personagens incríveis, e dá aquela vontade insana de reler assim que fecha a última página. Eu quero um livro de Sarra para cada dia do ano, porque eu garanto, a mim, ela não decepciona.

18 de out de 2014

Playlist da semana!

80. É esse o número de músicas que eu baixei antes de ouvir apenas na confiança do Shazam e suas músicas mais buscadas/encontradas. É por isso que a playlist não vai ter lógica alguma, enquanto escrevo isso nem sei o resultado que vai chegar no final. O que eu dou certeza que tem é músicas dos mais diferentes estilos.

2 on diz bang bang, mas não é da Skylar Grey. Vale a pena mesmo assim, Tinashe tem a voz tão doce e aguda quanto Ellie Goulding ♥ Depois vem Guts over fear a parceria de Sia e Eminem, que não é nenhum Monster, muito menos Love the way you lie, mas é bem okayzinha. Fade to love é um pop bem farofa, mas que funciona incrivelmente bem. A seguintes, Secrets, é animadinha e lembra manhã de domingo no verão... Ou tarde de sábado no verão também. Você entendeu, quero dizer que é ótima.

Esses quatro seguintes não foram escolhas aleatórias dos downloads. Don't, do ED MOZÃO SHEERAN, não é animada como Sing, mas é excelente também, de um jeito meio oitentista. Angel in blue jeans é a nova delicinha dos lindos do Train, aquela mesma banda que você enjoou quando cantava HEY SOUL SISTER repetidamente. A próxima banda também já figurou minha lista de favoritos na vida: The Script, que voltou com o single Superheroes, ainda naquele jeito soundtrack-de-One-Tree-Hill. Por último, Out of the woods, a música nova da Taylor Swift que me recuso a comentar pois faltam palavras para descrever quão SENSACIONAL será 1989. MELHOR ÁLBUM DO MUNDO ♥
Beijinhos ♥

17 de out de 2014

Amor sem limites — Abbi Glines

Amor sem limites — Sem limites #3
Autora: Abbi Glines
Editora: Arqueiro
ISBN: 9788580413120
Páginas: 188
Nota: 

Quando eu estava obcecada pelos romances de Abbi Glines e chegava a devorar dois no mesmo dia, acabei lendo Forever too far, último volume da trilogia Sem limites, mesmo querendo esperar pelo lançamento nacional. Claro que quando estamos lendo seguidamente, parece que as falhas não surgem, a empolgação com a história fala mais alto que o bom senso e todas essas coisas (é o mesmo esquema de assistir séries em maratona, como eu falei neste post). Depois de um bom tempo, de deixar a poeira baixar e então conseguir enxergar aqueles personagens com mais clareza, a nota cai. Se eu contar para você que, antes, tinha dado cinco estrelas para Amor sem limites, você acreditaria?

Esse é um livro desnecessário. Falei isso quando li pela primeira vez e agora, na segunda, só tenho mais certeza ao afirmar esse fato: não precisava. Abbi Glines, por favor, pare de ceder ao capitalismo! Não basta a trilogia ser composta por livros minúsculos que poderiam estar reunidos num único volume, o terceiro livro atinge um novo nível de dispensável. O enredo chegou ao fim em Tentação sem limites, e Amor sem limites é tipo a lua de mel. Só que antes do casamento, pois esse evento é outro plot da história.

Rush e Blaire estão felizes, apaixonados, começando sua vida a dois (ou a três) e tudo mais. É uma melação sem limites RÁ! que, para dar conteúdo para as quase 200 páginas, retoma assuntos que deram pano para a manga lááá atrás. Uma hora o pano acaba, sabe, Glines? Aquela história de Blaire se sentir minorizada quando perto de Rush e sua família, dele precisar escolher entre a noiva e a irmã... Tudo assunto que já deveria estar encerrado há eras. Mas está? A autora acha que não.

Há aquela estrutura típica e básica de romance clichezão mesmo: o casal que rejeita oxigênio desde que o outro esteja respirando e a vilã cujo objetivo de vida é ser a rainha do mundo daqueles pombinhos. Vamos dizer que Blaire e Rush estão insuportavelmente irritantes. Ela com sua necessidade de ser boazinha, docinha, nhenhenhé; Ele sendo absurdamente protetor de uma maneira obcecada. Gente, não, eca, espaço pessoal. Já Nan é uma Paola Bracho sem sofisticação, o que faz dela apenas mais uma vadia no mar de vilãs, e não uma vadia maravilhosamente cruel e fina, que consegue ser mais amada que a mocinha. E olha que dessa vez não é nem um parâmetro difícil, a única pessoa que ama Blaire é Rush. Verdade seja dita, o leitor apenas a suporta.

Quando está tudo terminado e não tem mais história para tirar de baixo do tapete, Glines faz sua última jogada para nos lembrar o que Paixão sem limites teve de tão excelente. A autora cruza o enredo com Estranha perfeição e trás um elemento da ~personalidade~ de Blaire que a gente só viu no primeiro livro e, depois, foi esquecido. O problema é que, para mim, foi tarde. Mais: foi mal desenvolvido, seja na cena ou na trilogia como um todo.

Se a formula de Abbi Glines é trazer uma novela mexicana para um livro new adult, ela perdeu a mão quando não percebeu que o último capítulo já tinha sido apresentado há tempos. A barra não foi forçada a exaustão porque não havia mais barra para forçar, e esse livro se tornou uma encheção de linguiça tão grande que as pequenas cenas fofinhas entre o casal principal não passa disso: fofinhas. E vamos combinar que, no começo da trilogia, um adjetivo comum no diminutivo não era o termo que a gente queria usar.

16 de out de 2014

Os 05 melhores covers de Shake it off

Taylor pode estar no segundo single de 1989, porém a gente ainda não esqueceu Shake it off? Por favor, né, como ignorar essa música que dá vida própria aos ombros? É um feitiço muito mais forte que Happy, e olha que aquele já era dose. Mesmo assim, como a gente ama de verdade a música, precisa de muitas versões para distribuir amor (e tentar continuar com esse sentimento sem enjoar). O post de hoje? Os covers delicinha que lotaram a internet desde que a música foi lançada. Quatro letras para você: A-M-O-R.
Alex G ft Alyson Stoner: Alex já faz covers engraçadinhos, então mistura isso com a divertida mensagem de Shake it off e temos um clipe cheio de dancinhas esquisitas que você reserva pro espelho do seu quarto. Já Alyson... Você lembra de Camp Rock? ALGUÉM ME DÁ RENEW POIS A IDADE VEIO!

Megan Trainor: Sabe a cantora do hit All about that bass? Ela fez um cover acústico que ficou uma graça! Ficou diferente da versão original pois perdão um pouco do ritmo animado constante, mas vou repetir para você: uma graça!
Ali Brustofski: A coreografia foi bastante discreta, mas foi no meio da rua, então a gente perdoa. Adorei a combinação da melodia com a voz super afinadíssima da garota, fechou tão bem - e as expressões faladas ficaram ótimas (diferente de todos os covers anteriores). Agora vamos falar sério: por que eu não encontro ninguém cantando e dançando Shake it off na rua? #VemPraMarte gente com talento!
Scott Bradley & Postmodern Jukebox: Posso não ter amado a música, mas achei a ideia GENIAL. Pegue Shake it off e leve pros anos 20, e deixe ser interpretada por um cantor maravilhosamente divertido. Impossível não sorrir no seguimento de "Shake it off" depois de "to this sick beat". Cadê a Broadway que ainda não recrutou esse moço?
Us: Chave de ouro? Ok, vamos fechar. Foca nesse clipe um pouquinho que eu quero que todo mundo me acompanhe nas lágrimas. A dupla Us (que é chique e tem conta na VEVO) fez uma versão lentinha que não seria tão chorosa se não fosse pelos vários depoimentos de pessoas que sofreram bullying, principalmente no colégio. No fundo, a música sempre foi sobre isso, mas o jeito animado deixava tudo alto astral... Essa dupla deixou lindo e tocante, de partir o coração e colar de volta no pequeno intervalo de 4 minutos. 

15 de out de 2014

A escola do bem e do mal — Soman Shainani

Autor: Soman Chainani
Editora: Gutemberg
ISBN: 9788582351673
Páginas: 352
Nota: 
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Duas garotas, amigas de um pobre vilarejo afastado. Sophie, com seus vestidos cor de rosa e sorriso sempre no rosto, e Agatha, mal humorada com um guarda roupa unicamente preto, são completos opostos, mas surpreendentemente se dão bem. Isso porquê Sophie vê a amiga como uma boa ação, uma amizade que prova sua alma caridosa e é a passagem de ida para a Escola do Bem e do Mal, em que seria ensinada a ser Princesa. Ela não perderia o contato com Agatha, pois a amiga seria selecionada para ser aluna de vilania, na parte do Mal da Escola. Isso era óbvio no futuro de ambas. Exceto que, na hora da seleção (um sequestro na calada da noite por obra do diretor), Agatha é designada para a escola do Bem, e Sophie vai para o Mal. 

Você consegue ver por quê essa sinopse me atraiu?

Veja bem: a trama é muito original. Seria um conto de fadas, só que numa escola, um internato, que ensinaria os alunos a serem heróis ou vilões, com direito a aulas de magia que me remeteram a Hogwarts em questão de segundos. Apenas pela sinopse apresentada, você vê que tem mais do que um esteriótipo para Agatha e Sophie, e a escola deveria mostrar como as duas realmente são. *Pimba* Eu queria ler esse livro ansiosamente.

O problema foi que, ao me deparar com trama, encontrei algo muito diferente do que eu já tinha imaginado e composto para essas meninas. Na minha cabeça, Sophie se encontraria no Mal, e seria a maior vilã que alguém já viu (porque mesmo quando fingia ser boa, ela era bastante detestável). E Agatha seria o contrário, abraçando a bondade, a amizade e os animaizinhos fofinhos dos contos de fada. Foi isso que aconteceu? Não.

Shainani passou quase que todo o livro colocando as protagonistas para contestar a posição que ficaram na escola. São tantos "Ah, por que estou no mal? Eu sou boa! Veja minha beleza!" que chega um ponto em que este tipo de diálogo se tornava cansativo, repetitivo e extremamente maçante. A escola é tão presa em esteriótipos, como cores de roupa e sorrir ou não, que limita a liberdade poética do autor, mesmo que isso tenha sido obra dele. Frustra o leitor (digo: euzinha) que tinha criada uma imagem totalmente ozada para a história.

Agatha e Sophie são chatas de verdade. Sophie é egoísta, manipuladora, alpinista social, e acredita de verdade que é uma pessoa boa (tanto que a amizade com Agatha é puramente por motivos egoístas). Já Agatha, por mais que odeie sorrir e não goste de filhotinhos, é tão boazinha que se deixa enganar por qualquer um. Ela só quer que Sophie seja feliz. E se dizem que ela é má, deve ter um fundo de verdade, não? Ótima ideia a sua, Sophie, vamos trocar de lugar! Agatha não se importa de ser torturada na escola do mal para que a amiga busque o amor verdadeiro na escola do bem. Duas palavras para vocês: me poupe.

Enquanto o livro segue essa onda, ele se torna fraco e cansativo. Não explora todo o potencial disponível, sabe? A leitura tem alguns picos, quando as personagens assumem a personalidade que têm de verdade, e então se anima, mas não por muito tempo. Em questão de cinco página, tudo volta a ser como antes: repleto de esteriótipos. A escola do bem e do mal não é ruim, mas nem de longe é tão bom quanto poderia ser. A final pode até ser caracterizado como um "grand finale", mas não apaga as 350 páginas mal executadas.

14 de out de 2014

04 séries que ficam melhores em maratona


Maratona é uma coisa maravilhosa mesmo, não? Pode até nos esgotar e criar mais olheiras que semanas de provas, mas a gente ama essa maneira maravilhosa de assistir seriados. Parece mais enérgico, que conecta mais com o telespectador, que tudo é mais lindo e mais envolvente, etc. Maratonas são tão boas que eu acredito que todos os seriados deveriam ser como os do Netflix: temporada inteira liberada num só dia. Vai dizer que você nunca deixou acumular um mês de episódios só para vê-los consecutivos? Se você for pensar, tem vários seriados que funcionam melhor quando corridos, e eu listei alguns.

Downton Abbey

Assisti as quatro primeiras temporadas de Downton Abbey em duas semanas no inicio do ano. Em setembro, a trama retornou e a vontade de assistir um episódio a cada domingo sumiu. Mas como eu amo esses nobres do início do século passado, não abandono: deixo para acompanhar seus dramas inteiros numa única semana do verão. Downton Abbey é maravilhosa, mas é muito cheia de informações, de plots paralelos e, principalmente, de longos períodos de tempo pulados. É bom assistir tudo junto para não perder detalhes que, uma hora ou outra, se tornam importantes.

Nashville

Tem épocas que Nashville se torna um dos meus dramas favoritos, porém, normalmente, quando isso acontece, é porque fiz maratona. O problema da série é que personagens insuportáveis nascem em árvores, e quando você assiste direto, acompanha eles passarem de PFVR SAIA DA FRENTE DA CÂMERA para melhores pessoas. Sem falar que um episódio por semana é muito tempo para ficar sofrendo pelos ships que dão errado (o que acontece SEMPRE).

Da Vinci's Demons

Séries de 50 minutos são o meu terror. Sou preguiçosa, sabe? 20 minutos são amor, 40 são ok, 50... Ah, deu sono! Tenho uma teoria que quanto maior o episódio, mais tempo tem para enrolar, e isso cansa a minha beleza paciência. A segunda temporada de Da Vinci's Demons foi a primeira vez que tive a experiência de acompanhar com episódio novo todo sábado, o que resultou em duas opções: a) desapego do decote do Leo e abandono; ou b) vamos ver tudo quanto a temporada acabar. Escolher a alternativa b deixou tudo mais incrível. E JÁ QUERO A TERCEIRA PRA MARATONAR ♥

90210

Uma palavra: saudades! 90210 foi uma das últimas séries adolescentes que tinha como plot principal apenas ser jovem, e eu sinto uma falta tremenda de seus personagens com dramas desnecessários e intrigas por nada. O problema é que, como todo roteiro que não tem um objetivo consolidado, acabou se perdendo e foi cancelada ao terminar a quinta temporada. Mas deixa eu contar uma coisa: se assistir tudo junto, dá nem para reparar que Annie é mimizenta e Naomi rouba o brilho de todo mundo. Acharia legal a Netflix comprar e continuar produzindo. Acharia mais que legal, na verdade.

Agora me conta: tem alguma série que você só assiste em maratona?

13 de out de 2014

Mar de tranquilidade — Katja Millay

Autora: Katja Millay
Editora: Arqueiro
ISBN: 9788580413250
Páginas: 368
Nota: 

Mar de tranquilidade não tem capa de new adult. Não tem título de new adult. Não apela para os clichês do gênero. Provavelmente você cruzaria reto por ele na livraria se não tivesse ouvido ninguém comentar. Nos próximos parágrafos, quero convencer você do quanto isso seria um erro.

Claro, nós temos clichês. Começa com a garota nova na cidade que guarda um segredo e carrega um trauma. Nastya se esconde atrás de uma maquiagem pesada e roupas curtas, tudo para não atrair contato desnecessário com seus novos colegas. Ela admira a invisibilidade de Josh, um garoto do colégio que parece ter construído um escudo ao seu redor. Na verdade, Josh também tem um passado carregado e afasta a todos, afinal, quem quer ficar perto do garoto que perde a todos que ama?

O trunfo de Mar de tranquilidade é sua protagonista. Josh também é incrível, mas é a personalidade arredia, misteriosa e sofrida de Nastya que dá um toque especial. A garota tem uma aura tão bad ass que nem seus dramas que beiram a depressão se tornam irritantes. Você só quer tê-la como melhor amiga e ajudar a superar as lembranças que a aterrorizam.

Essas lembranças, falando nelas, fizeram a glória para o livro de Millay. Se só o new adult por ser new adult prende, o acréscimo de mistério, suspense e pistas soltas, que levam ao trauma de Nastya, deixam o livro impossível de largar. Fazia tempo que eu não sentia essa sensação de necessidade de ler acima de qualquer outra coisa. Eu fui dormir as três da madrugada já querendo pegar no sono logo para acordar de uma vez e continuar lendo. Eu coloquei o despertador para as 7h de um sábado, pelo amor de Deus!

O livro inteiro é uma mistura de sentimentos e sensações. Você pode chorar de rir e rir de chorar. Há drama, há comédia, há suspense e muito romance. Nastya e Josh são OTP, sabe? A autora desenvolveu com maestria o relacionamento dos dois, conseguindo passar por todos os estágios sem forçar ou correr. Há uma base para o sentimentalismo, o que deixou a química quase que palpável. Cada livro do gênero me convence mais que sofrimento é o melhor afrodisíaco. não pera

Eu quero agradecer do fundo do meu coraçãozinho, cheio de amor por Mar de tranquilidade, pela pessoa da timeline que comentou que esse livro de tratava de um new adult. Foi um daqueles casos que eu quis ler pelo gênero e me deparei com uma história muito mais encantadora, profunda e tocante do que esperava. Definitivamente, é muito mais que um romance qualquer. 

10 de out de 2014

05 coisas em que Reign se perdeu

Reign já foi uma das minhas séries favoritas da vida e chega a ser impressionante como conseguiu passar de maravilhosa para péssima em questão de uma única temporada. Foi mais repleta de idas e vindas que o próprio filme de Valentine's Day que leva esse nome. Reign estava boa, e ficava ruim. Melhorava, e caia ao abismo. Agora, que estou lutando para me manter fiel a segunda temporada (que tem apenas dois episódios!), resolvi listar o que, ao meu ver, é culpado por esse mar de lenga lenga que virou o seriado.

História real?

Um dos maiores problemas de Reign é sua base histórica verídica. De fato, aqueles personagens existiram e alguns acontecimentos, também. Só que, como precisa ter um pé de ficção para manter o enredo ~animado~, os roteiristas e produtores se jogaram de cabeça: colocaram gente que não existiu, filhos bastardos que não se tem notícia e, mais agravante, deram uma importância tremenda para eles. Tipo a Susana que nunca deveria ter saído de Narnia #voltaproarmárioSu!

Então que a primeira temporada CORREU

E por "correu", quero dizer de uma velocidade que nem existia na época. Você tem noção na quantidade de coisa que aconteceu em meros 20 e poucos episódios? Plots que poderiam ter levado bastante tempo para se desenvolver, foram todos jogados na temporada inicial. Claro que foi interessante essa movimentação toda enquanto assistíamos, mas se for pensar, as coisas ficaram corridas, mal elaboradas e pecaram na lógica. Por exemplo...

Endgame? Assim?

Uma coisa muito importante sobre a França de alguns séculos atrás é que: NÃO EXISTIA DIVÓRCIO. Sabe, essa é uma concepção muito moderna, e esse tipo de coisa não acontecia em eras anteriores a da luz elétrica. Principalmente, não com a família real. Por isso que é tão errado fazer um endgame no episódio 13 de um seriado com uma boa audiência que poderia se manter por anos. Eu sou team Frary, achei lindo, mas qual o sentido disso tudo se cada episódio vai trazer um empecilho novo para o casal (e nem é o triângulo amoroso que foi pintado desde o pilot)? Sem falar que, retomando o ponto de que é uma história real, Francis morre. E se Francis morre, Reign morre junto. 

Aliás, cadê Clarissa?

Outra promessa do pilot que correu mais do que deveria. Clarissa era a garota encapuzada, misteriosa, que vivia nos arredores no castelo e servia como enigma para a trama. Aí ela mostrou o rosto, teve um plot conciso, revelou seus segredos, cabô Clarissa. Deixou gancho, mas parece que os roteiristas esqueceram. E assim sumiu um dos maiores diferencias que Reign tinha.

Mary badass e...?

A verdade é que protagonista sozinha não sustenta trama nenhuma. Pode servir como chamativo, mas depois que a história já está rolando, só uma garota fazendo cara de má e tomando ações não exatamente bondosas não é o que basta para manter o nível do seriado. Mary pode ser ótima, mas tudo ao redor dela não é. Já tivemos vários exemplos de personagens que carregam um cast inteiro nas costas, e queremos que a Rainha da Escócia e da França se torne uma nova Spencer Hastings?

Afinal, eu abandonei Pretty Little Liars por um motivo.

8 de out de 2014

Louco por você — Jasilda Wilder

Louco por você — Falling #1
Autora: Jasinda Wilder
Editora: Novo Conceito
ISBN: 9788581635316
Páginas: 271
Nota: 
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Eu leio todos os new adults que param na minha frente porque já tive um número tão enorme de boas experiências com o gênero que compensa as falhas. É por isso que nem entro na neura se livro X foi bom ou não, porque eu já tive outros 50 que foram muito excelentes. E quando decepcionam, esses livros servem para arrancar boas gargalhadas, pois quando new adults erram, é porque a barra foi tão forçada que beirou a hilaridade. Tipo Louco por você, de Jasinda Wilder (sim, aquele mesmo livro da polêmica capa feia que não vendia).

Por mais que new adult seja um gênero óbvio e esse ainda tenha dois irmãos lindos e sensacionais, pode respirar aliviado porque não tem triangulo na mistura. Conhecemos Nell e seu melhor amigo, Kyle. Sair da friendzone foi um questão de piscar os olhos, e eles viveram dois anos de amor intenso. Então Kyle morre. Nell se fecha, deixa de ser a garota perfeitinha e vai ser uma reclusa do mundo, consumida de culpa, em Nova York. Lá ela encontra o irmão mais velho de Kyle, o rebelde Colton. E o resto você já sabe.

Primeiro erro: Kyle. Conhecer Kyle, acompanhar o desenvolvimento do relacionamento, criar toda uma história para os dois personagens e depois matá-lo. Faltou equilíbrio na mão de Wilder, pois foi muito longe nessa história só para ser o ponto de partida. Vamos esclarecer uma coisa: ponto de partida leva, no máximo, 20 páginas; em caso nenhum, 70. Você me diz o que sobra para, só então, desenvolver um romance? Falta base. Falta tempo. Falta, principalmente, empatia.

Restam 200 páginas para conhecermos Colton e a nova-Nell-revoltada-com-tudo e shipá-los. Acredito que tinha como Wilder criar um romance crível, só que novamente ela perdeu tempo, ironicamente, enquanto avançava a passos largos. Você não sabe de onde surgiu esse romance, essa melação toda, mas está tudo lá: com páginas e mais páginas de cenas hot, que só serviram para me lembrar do porquê odiei tanto Cinquenta tons de cinza. Se estivesse com tempo de contar, eu provaria para você que tem mais páginas de sexo do que diálogo. Amiga Jasilda, NÃO CONVENCEU.

Ah, e o drama. Como esquecer o drama, essa característica tão intrínseca nos livros do gênero, que são capazes de partir o nosso coração e deixar partido mesmo depois do livro ter acabado? Novamente: 505 error. Uma palavra para você, Wilder: CONTINUIDADE. É tão difícil assim? Por mais fútil que o gênero seja, new adults estão servindo como abertura para vários tabus, já que se conectam como o público jovem. É óbvio, portanto, que quando um tema é abordado, ele não pode ser deixado de lado de uma forma tão blasé. Pelo amor de Deus, você não fala de cutting e depois esquece o assunto, simplesmente não. Além de deixar o livro raso, é um erro muito básico e coloca a trama toda a perder. E eu digo para você: perdeu mesmo. Quando o tema apareceu, eu dei um pulo de empolgação porque achei que, finalmente, o enredo iria engrenar. Pelo que eu vi, não fui a única. Também não fui a única que murchou na cadeira quando viu que, aparentemente, Wilder esqueceu que sua protagonista era uma garota tomada pela culpa, etc. Isso não se faz.

Louco por você é cheio de falhas: de construção, de continuidade, de character development, tudo junto e misturado. O ponto forte da autora é que ela tem um gosto musical excelente e acertou toda vez que misturou música com o enredo, mas é impossível que só isso sustente o livro como um todo. A leitura vai rápido, correndo com os acontecimentos enquanto Nell faz mimimi. O resultado final é que algumas cenas ok não mudam o fato que tem muita coisa que precisa ser reescrita nesse livro, e cá entre nós, acho que aquela primeira capa feia representava muito mais a essência dessa trama. Interprete como quiser.