21 de out de 2014

Songs of innocence, o álbum que o iTunes nos fez engolir


Não houve aviso nem oferecimento. Quando a Apple anunciou o lançamento do iPhone 6, achou que seria de bom gesto dar um álbum de presente para cada usuário de iTunes. E você poderia escolher aquele CD exclusivo que só existe na loja da maça e custa um conjunto de rins e pulmões? Não. Uma hora você está escutando Ariana Grande e, na faixa seguinte, o shuffle manda U2 com alguma canção de seu novo álbum, Songs of Innocence. Boa jogada de marketing, não?

Claro que deu polêmica e gerou muita discussão na internet sobre o fato de todos termos sido obrigados, apenas por ser usuários da Apple, a ceder cerca de 100MB de memória para uma banda que, talvez, nem estivesse na nossa playlist anteriormente. É como ganhar um par de meias de natal quando você não estava precisando, e, pior de tudo, é muito difícil rejeitar.

Por livre e espontânea vontade, eu nunca tinha ouvido nada da banda. Lembro que era febre entre meus colegas da quarta série, antes de RBD e de Forfun, e todos pareciam muito maneiros em gostar de uma banda de rock no auge de sua primeira década de vida. Se houve, de fato, uma fase U2 para crianças no inicio do milênio, eu fiquei do lado de fora, e não pretendia me inserir. Foi só um mês depois de tanto apertar o "próximo" quando me deparava com uma das músicas, que dei o braço a torcer e, né, pode não ser tão ruim.

Como, realmente, não é. Falei isso antes para que ninguém me julgue por falar sem conhecer antecedentes, já estou adiantando minha falta de moral para quaisquer comparações que pudessem vir ocorrer. Não é visão de fã; é ponto de vista de alguém que conheceu o trabalho desses caras irlandeses totalmente sem querer. Até então, Bono era bolacha, não biscoito e, muito menos, um astro do rock.

Então, olha só, o que eu me deparei não foi um rock conceitual, pesado ou sombrio, como eu sempre imaginei que deveria ser o de uma banda que foi sensação 15 anos antes da minha chegada ao mundo. Em Songs of innocence, o U2 é extremamente comercial. São melodias tão feitas para serem vendidas que se torna até engraçado o fato de ter sido distribuído gratuitamente pelos iTunes da vida. Não é nada novo, não parece ser uma banda cujos fãs fariam roda punk num show, e, posso ser sincera? Parece um álbum bem farofa.

E, com isso, quero dizer que gostei.

É algo óbvio desde a primeira canção. The Miracle (of Joey Ramone) é animada, divertida, e partilha de elementos bem clichês e populares: refrão forte, trechos chiclete e um bom coral de fundo. O que segue são refrões agradáveis e cativantes: seja em melodias que começam calmas e esquecíveis como Every breaking way, ou coro irritante Barbara, Santa Barbara com fundo de Lady Gaga meets The OC em California (There is no end to love).

A quarta música é minha favorita do álbum, quando as melodias suavizam e dão espaço para o violão que vai crescendo e se energizando ao longo dos quase quatro minutos. É notável como Songs for someone fecharia com uma cena final clichê de comédia romântica. Quer ver? Imagine um aeroporto. Mocinho está fazendo check in, mocinha está correndo atrás, em disparada. Em 2:13, eles a distância entre os dois diminui, o mocinho olha para trás e cena se torna em câmera lenta, deixando os cabelos da mocinha caírem demoradamente nos ombros depois da corrida pelo saguão. Em 2:50 eles se enxergam. Em 3:10 se aproximam até ficarem a poucos passos. Aí até a letra diz para se beijarem. Logo sobem os créditos. JOANA PARA ROTEIRISTA, VOTE 4.

Iris (Hold me close) continua nessa perspectiva mais calma e com uma mensagem por trás, o que deixou a canção crua e bonita. O refrão mais forte que qualquer outra parte da melodia? Continua ali. A sexta música, Volcano volta a animar as coisas. O baixo faz o fundo em tempo integral e o refrão convida o ouvinte a cantar junto, com um certo desespero na voz. A medalha de prata é, sem dúvida, para VOL CA NO. 

De resto? Esquecíveis. Apagáveis. Passáveis. Raised by wolves, Cadarwood Road, Sleep like a baby tonight, This is where you can reach me now e The troubles podem até ter seu charme, porém depois de seis músicas que já deram uma mostra clara do que o álbum se propõe e de como U2 funciona com diferentes melodias farofas de rock, essas cinco ganham a label de "só mais cinco uma na fila do pão". É o mesmo refrão servindo como chamarisco, mas incapaz de sustentar o que já se viu repetidamente nas faixas anteriores.


Sinceramente, estou relativamente contente que, se foi para gastar minha memória, pelo menos o iTunes tomou a preocupação de fazer algo que vende para pessoas sem muitos pré-requisitos musicais. Songs of innocence é bonzinho por não ter nada demais e funcionar com algumas melodias chaves e  refrões cativantes. Melhor álbum do ano? Nem. Melhor banda que eu descobri? Capaz. Melhor álbum que a iTunes me deu de presente sem eu pedir? Ok, verdade. 

Mas eu ainda preferia que fosse 1989, da Taylor Swift.

2 comentários:

  1. kkkkkkkkkkkkkk, okok
    não sabia dessa jogada de marketing ai... até porque essas tecnologias e lançamentos de celular não me interessam e eu nem acompanho.
    mas legal, e legal também o fato deles se preocuparem em colocar músicas realmente legais.

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  2. Tu é ótima! HAHAHA
    A única música que ouvi do U2 foi I'll Go Crazy If I Don't Go Crazy Tonight, isso porque meu irmão não para de ouvir. E qualquer música é chata pra mim quando não conheço... Eu ficaria bem brava se vivesse isso que a Apple fez, mas tentaria ouvir. Mas por serem músicas comerciais, não sei se iria gostar!

    Clara
    @clarabsantos
    clarabeatrizsantos.blogspot.com

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