1 de out de 2014

Quem é você, Alasca? — John Green

Autor: John Green
Editora: Intrínseca
ISBN: 9788580575996
Páginas: 272
Nota: 

Mesmo sendo o primeiro livro da carreira de John Green, Quem é você, Alasca? foi o último que li. Pode parecer que isso não é importante para a classificação no geral, mas digo para você: é. A escrita do autor em seu debut foi muito comparada com um diamante bruto, e o que eu conheço de Green é esse talento já lapidado. Em partes, pelo menos. Falando de Green, é relativamente importante que você acompanhe a carreira na ordem certa, para poder ver o desenvolvimento. Mais que isso: para não comparar com a ordem errada. Eu poderia dizer que Quem é você, Alasca? é quase Cidades de Papel, mas quem foi que veio depois? Exato.

Vejam bem, nós temos aquele protagonista característico: inteligente meio nerd, deslocado, magrelo. Por favor, deem um olá para Miles, esse garoto descrito acima que é obcecado pelas últimas palavras de personalidades famosas. Partindo em busca de conhecer a si mesmo e viver aventuras (descrito de modo filosófico como uma busca pelo Grande Talvez), Miles decide trocar a realidade que conhece por um colégio interno. É aí que a história começa.

Não é um plot, não é um cenário, Quem é você, Alasca? é uma história composta por personagens, de personagens, para personagens. São as simples personalidades que dão forma para trama, então o que importa mais é “quem é fulano” ao invés de “o que fulano fez”. Para isso, entram mais os dois personagens característicos do autor: o melhor amigo Chip, vulgo Coronel, que é definitivamente a melhor pessoa. E, claro, A Garota. Assim, em maiúsculo. Alasca. A garota que é tudo que Miles não é. Inalcançável. Reverenciável.

...Só quero abrir um parêntese antes de entrar em detalhes sobre a trama. Estou achando muito esquisito chamar Miles pelo nome. Você já leu o livro, numa das muitas edições da Martins Fontes, e o conhece por Gordo, certo? Então, para a Intrínseca, Miles é apelidado como Bujão. Achei estranho ao ponto de largar o livro e correr pro whatsapp quando vi pela primeira vez, mas depois acostuma...

Enfim: voltando. Alasca é inalcançável, é linda, é divertida, descolada, fuma like a chaminé e é adepta ao carpe diem. Em outras palavras: ÍDOLA – para Bujão, pelo menos, que conheceu a garota e criou uma paixão platônica num piscar de olhos. E aí está a jogada: paixão platônica é a mais pura idealização. Alasca não é tudo isso. Alasca é contraditória, enigmática e, cá entre nós, bem chatinha. Mas não para Bujão: ela é perfeita. Posso falar? Perfeito é você, Coronel, SEU LINDO!

O livro é dividido em duas partes: antes e depois. O meio? Um clímax cheio de spoiller que algum engraçadinho no facebook fez questão de me contar (quero dizer nada, não, mas não desejo coisas boas pro seu futuro). E daí que podemos dividir em: Bujão obcecado pela chata da Alasca, e chato do Bujão ainda mais obcecado pela Alasca. Querido, essa moça não é o sol para você girar em volta dela, hein. E se fosse, ainda assim não seria saudável. Personagem obcecado já não é legal, e ainda quando fica obcecado por uma paixão platônica cuja base está somente em sua cabeça e nem é essa coisa toda? Erro detectado, querido amigo Green.

É a primeira aparição do talento de Green para o mundo, mas, na minha visão, essa é apenas a fórmula do sucesso repetida mais uma vez. A gente gosta dela, eu sei. Mais importante: ela vende mais que água e cerveja em festival de verão. Só que não é nova, a menos que você não conheça ainda o trabalho do autor. Não considero Quem é você, Alasca? a melhor obra do autor, nem sozinha, muito menos em comparação. Não gosto de Alasca e o fascínio que cria no Bujão também não conta seu favor. No mais, ainda fico com A culpa é das estrelas e O teorema Katherine.

PS: Me perguntaram e concordo: Quem é você, Alasca? e Cidades de Papel anula a necessidade de leitura um do outro. 

10 comentários:

  1. aaah, a minha decepção foi gigantesca com Cidades de Papel, e saber que Quem é você Alasca? foi escrito primeiro, aumenta o meu medo em ler mais ainda...
    por isso eu odeio o fato de mais de uma editora traduzir o mesmo livro. enfim né...
    ainda não li este livro ai, mas quero ler, só para ficar com mais vontade de reler A Culpa é das Estrelas! haha

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  2. Comecei a ler o livro por ebook mas não terminei então até achei estranho quando você falou que nessa edição o apelido é Bujão(oi?) Mas tudo bem, sua resenha me deu vontade de largar a preguiça e continuar. E sim é uma fórmula repetida, mas eu não me importo

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  3. Quem é você, Alasca? foi o primeiro livro de John Green que li. A história prende. Achei que foi muito bem desenvolvida. Eu recomendaria a leitura, pois a história é bem interessante.

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  4. John Green...preciso urgentemente ler...! =)
    Adorei a resenha ...s2

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  5. Nossa, já tinham falado que Cidades e esse eram parecidos, mas lendo a sua resenha agora tô tipo "Ei, é Q e Margot, não Bujão (WTF?) e Alasca!". Eu sei que anula, mas mesmo assim vou ler, porque sou teimosa e porque, cara, eu realmente gosto dos livros do Green, são tão crus, simples e sei lá, sabe? hahaha

    Beijos,
    Ceile.

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  6. "quem e voce, alasca?" e um dos livros(do john green) que prende o leitor. e mudando de assunto, eu gostei da forma como vc escreve a resenha. bem descontraida. rs'

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  7. Li este livro e fiquei encantada com a história que John escreveu. Os personagens são perfeitos e bem elaborados. Apaixonada cada vez mais pelos livros de John. Beijos.

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  8. Fico tão desanimada c as comparações que fazem c Cidades de Papel. Esse último é um dos meus favoritos, mas mesmo assim... kkk E o pior é q to com Quem é você, Alasca? comprado e já li vários spoilers. :/

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  9. Tenho esse livro em inglês, que comprei no BookDepository e ate agora não li. Acho que porque soltaram um (suposto) spoiler....rs.
    Em questão de critica, acho que fica meio a meio. Metade gosta e metade odeia. Por isso que fico enrolando pra lee

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  10. Eu li esse livro e gostei da forma que o John escreveu, não é o meu preferido dele. :D...foi uma surpresa saber que esse foi o primeiro livro dele... E realmente dá pra se ver uma diferenças na forma de escrever..gostei muito da história, ela me prendeu bastante... Realmente não entendo pq várias editoras publicam o mesmo livro num curto espaço de tempo..Parabéns por sua resenha,ficou ótima.
    bjs

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