15 de out de 2014

A escola do bem e do mal — Soman Shainani

Autor: Soman Chainani
Editora: Gutemberg
ISBN: 9788582351673
Páginas: 352
Nota: 
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Duas garotas, amigas de um pobre vilarejo afastado. Sophie, com seus vestidos cor de rosa e sorriso sempre no rosto, e Agatha, mal humorada com um guarda roupa unicamente preto, são completos opostos, mas surpreendentemente se dão bem. Isso porquê Sophie vê a amiga como uma boa ação, uma amizade que prova sua alma caridosa e é a passagem de ida para a Escola do Bem e do Mal, em que seria ensinada a ser Princesa. Ela não perderia o contato com Agatha, pois a amiga seria selecionada para ser aluna de vilania, na parte do Mal da Escola. Isso era óbvio no futuro de ambas. Exceto que, na hora da seleção (um sequestro na calada da noite por obra do diretor), Agatha é designada para a escola do Bem, e Sophie vai para o Mal. 

Você consegue ver por quê essa sinopse me atraiu?

Veja bem: a trama é muito original. Seria um conto de fadas, só que numa escola, um internato, que ensinaria os alunos a serem heróis ou vilões, com direito a aulas de magia que me remeteram a Hogwarts em questão de segundos. Apenas pela sinopse apresentada, você vê que tem mais do que um esteriótipo para Agatha e Sophie, e a escola deveria mostrar como as duas realmente são. *Pimba* Eu queria ler esse livro ansiosamente.

O problema foi que, ao me deparar com trama, encontrei algo muito diferente do que eu já tinha imaginado e composto para essas meninas. Na minha cabeça, Sophie se encontraria no Mal, e seria a maior vilã que alguém já viu (porque mesmo quando fingia ser boa, ela era bastante detestável). E Agatha seria o contrário, abraçando a bondade, a amizade e os animaizinhos fofinhos dos contos de fada. Foi isso que aconteceu? Não.

Shainani passou quase que todo o livro colocando as protagonistas para contestar a posição que ficaram na escola. São tantos "Ah, por que estou no mal? Eu sou boa! Veja minha beleza!" que chega um ponto em que este tipo de diálogo se tornava cansativo, repetitivo e extremamente maçante. A escola é tão presa em esteriótipos, como cores de roupa e sorrir ou não, que limita a liberdade poética do autor, mesmo que isso tenha sido obra dele. Frustra o leitor (digo: euzinha) que tinha criada uma imagem totalmente ozada para a história.

Agatha e Sophie são chatas de verdade. Sophie é egoísta, manipuladora, alpinista social, e acredita de verdade que é uma pessoa boa (tanto que a amizade com Agatha é puramente por motivos egoístas). Já Agatha, por mais que odeie sorrir e não goste de filhotinhos, é tão boazinha que se deixa enganar por qualquer um. Ela só quer que Sophie seja feliz. E se dizem que ela é má, deve ter um fundo de verdade, não? Ótima ideia a sua, Sophie, vamos trocar de lugar! Agatha não se importa de ser torturada na escola do mal para que a amiga busque o amor verdadeiro na escola do bem. Duas palavras para vocês: me poupe.

Enquanto o livro segue essa onda, ele se torna fraco e cansativo. Não explora todo o potencial disponível, sabe? A leitura tem alguns picos, quando as personagens assumem a personalidade que têm de verdade, e então se anima, mas não por muito tempo. Em questão de cinco página, tudo volta a ser como antes: repleto de esteriótipos. A escola do bem e do mal não é ruim, mas nem de longe é tão bom quanto poderia ser. A final pode até ser caracterizado como um "grand finale", mas não apaga as 350 páginas mal executadas.

3 comentários:

  1. Oi Joana!
    Puxa, eu estava ansiosa pra ler este livro... parecia ter uma história tão legal, tão diferente... que pena que ela decepciona! Este tipo de estereótipo acaba sendo bem chato, e pelo jeito as duas protagonistas do livro são difíceis de aturar, né? Já perdi a vontade de conhecer a obra...
    Bjus,
    Paty Algayer - Loucuras da Paty

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  2. muito Harry Potter essa sinopse, mas vamos lá né... kkk
    que pena que a autora não conseguiu fazer uma ótima trama, porque pela sinopose ela tinha tudo para dar certo.
    faz tempo que não leio livros neste gênero, mas este ai até que tinha me atraido... mas acabei desanimado

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  3. Ohhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh... Pense numa decepção??? Isso é um que estou sentindo agora aoler sua resenha. Esperava outra coisa desse livro.Fiquei empolgada com a sinopse e as quotes,mas agora vejo que a autora perdeu o rumo de uma história que tinha tudo pra ser fantástica...
    Ainda vou querer lê-lo,mas não tão empolgada como antes.

    bjs e parabéns pela resenha.

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