23 de set de 2014

Dupla identidade: Tem serial killer e é nacional, minha gente!

"Que diferença faz uma pessoa a menos no mundo?"
É bem comum, quando assistimos seriados americanos, filmes americanos, lemos livros gringos e só música internacional, ouvir que "vivemos o estilo de vida americano e não damos valor para obras nacionais". Olha só: tudo mentira. Nós damos valor sim, mas precisa nos conquistar antes. Precisa ser original, falar de temas polêmicos, ter uma ótima direção e nada de medo de tabus. Precisa misturar tudo isso, flertar com a genialidade, e *pimba* temos amor, telespectadores, e título em português na grade do Banco de Séries. Viu, nem somos tão exigentes assim?


Serial killers são complexos, enigmáticos e uma das personalidades mais intrigantes do mundo. Edu é o Ted Bundy do Rio de Janeiro: advogado, estudante de psicologia, conselheiro de pessoas que querem cometer suicídio. Além disso, trabalha com o senador Oto e aspira carreira política. É um exemplo de cidadão, com a exceção que, no calar da noite, também é assassino. Tentando desvendar a mente por trás dos corpos de mulheres encontrados, está o policial Dias e a psicóloga forense Vera, recém chegada do FBI. 


A intenção não é fazer o mistério de "Quem matou" que a gente viu no mais recente exemplo da Globo, O Rebu. O assassino está ali, com o rosto amostra e mãos sem luvas, desde o primeiro minuto. A brincadeira da trama é mostrar como ele se insere na sociedade e passa despercebido, no maior estilo Dexter: "Lobo em pele de cordeiro". Quem desconfiaria do cara? Aquele que faz trabalhos voluntários, que estudou justiça e os mistérios da mente humana. Ele é o exemplo do moral e dos bons costumes, afinal de contas. Exceto que ele não é nada disso.

Além disso, o seriado vai abordar o enredo aliado a outros plots, como o clichê de investigadores que tiveram um passado romântico (saquei tudo: ele queria formar família, ela é fã de independência, eles terminaram, ela foi pros Estados Unidos, etc) e a intriga política, que vai dar muito pano para manda, já que vai interligar os vários núcleos.

Não consigo imaginar melhor ator para Edu do que Bruno Gagliasso. Por favor, quem não lembra do papel que fez como esquizofrênico em Caminho das Índias? Isso sem citar os outros vários personagens fortes que compõe o currículo do rapaz. O elenco vai continuar em alto padrão, como Marcello Novaes, Débora Falabella (saudades, Avenida Brasil ♥), Marisa Orth e por aí vai. Tem também Luana Piovani no papel da psicologa forense, e mesmo com sua atuação robótica, esse pode ser o papel que me faça derrubar a (grande) implicância que tenho com a atriz.


O pé atrás fica por conta da escritora que controla a obra: Glória Perez. Desculpa, mas o desastre que foi Salve Jorge e seus MUITOS furos de enredo continua vivíssimo na minha memória, e dá até medo de que uma premissa tão interessante dessas seja comprometida por detalhes falhos. A imensa pesquisa que a autora fez para escrever o seriado está até disponível na internet, porém logo no piloto, já vem um erro medonho: um assassino sem luvas e um corpo sem digitais. É tão básico que eu imaginei que seria explicado de alguma forma, mas ficou apenas ali, pairando no ar essa grande incompetência de enredo. É algo mínimo para pôr toda série a perder, mas são pequenas passagens como esta que podem fazer essa se tornar outro nome gerador de péssimas lembranças que foi assinado por Glória. E, francamente, nada de tweets como "Vocês não sabem voar" dessa vez. A não ser que Edu tenha uma espécie de mutação genética que faz seus dedos serem mais lisos que bochecha de bebê, tá errado isso aí sim.

Preciso reservar elogios para a fotografia e a edição. É um seriado bonito de se ver, sabe? A atmosfera vai sofrendo nuances como a personalidade de um psicopata e conseguimos passar de uma cena ensolarada na praia para uma rua deserta e sombria no meio da madrugada. Outra coisa é que fiquei admirada com a ousadia da direção em mostrar, sim, corpo desfigurado. Tem muito menos sangue do que o esperado pelos amigo da timeline (grazadeus!), porém eu sentiria falta se não tivesse aqueles flashes investigativos que são básicos para histórias do gênero, mas que acho geniais por algum motivo sei lá.


Os 40 minutos passaram voando e estou achando estranho ter que esperar uma semana por um episódio de produção nacional. É muito bem feita, com elenco de primeira, ótima edição de arte, e se não fosse pelo Edu e seus dedos lisos (de tanto esfregar os braços da moça?), seria A+. Por enquanto, vamos tirar o sinal e deixar as expectativas no alto: parece promissor. Sexta tá aí?

2 comentários:

  1. quando comecei a ver propagandas deste seriado não conseguia tirar Dexter da cabeça e perceber a semelhança...
    gostei da aposta, e, apesar de não ter assistido ainda, estou curiosa!
    sabe que também, desde o começo, não conseguia pensar em um ator melhor para o papel do que o Bruno? e acho qeu foi justamente por causa do personagem esquizofrênico dele! kkkkk

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  2. Hoje ele usou luvas! hehehe
    Concordo que as produções brasileiras pecam muito nesses pequenos detalhes (e pior nessa série q mostra uma polícia tão bem equipada), mas né...
    Achei o primeiro episódio genial! Espero que consigam manter o nível até o final!

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