30 de jul de 2014

A verdade sobre nós — Amanda Grace

Autora: Amanda Grace
Editora: Intrínseca
ISBN: 9788580575378
Páginas: 208
Nota: 
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Existem motivos para que autores publiquem alguns livros com pseudônimos e outros não. Meg Cabot, por exemplo, que só lança romance histórico assinando como Patricia. Madeleine Wickham já avisa que não vai ser hilária se não tiver o nome de Sophie Kinsella na capa. Acredite, não é só questão de hoje estou com vontade de ser Fulana e amanhã serei Beltrana. Eu sabia que ao ler A verdade sobre nós, de Amanda Grace, não encontraria a Mandy Hubbard que me fez chorar de rir com Faça seu pedido. Pseudônimos da mesma pessoa é praticamente dizer que duas pessoas diferentes, capice?

No formato de carta, Madelyn escreve para Bennet, seu professor de biologia e paixão aguda, a verdade sobre o relacionamento dos dois - o que ele não sabia até tudo dar errado e a policia entrar na jogada. A verdade é que ela tem 16 anos, entrou para a faculdade num programa especial, e sempre foi mais madura que os outros adolescentes de sua idade. O fato de Bennet tê-la confundido com uma garota de 19, quase 20 anos, foi um mero erro de comunicação. Omissão. Isso muda tudo o que viveram? Muda, Bennet?

Vou ser bem sincera: eu achei que esse livro não seria lá grandes coisas. Verdade seja dita: Ezra e Aria já cansaram toda a beleza do mundo com esse lero lero de namoro entre professor e aluna. Só que em A verdade sobre nós, há algo de diferente. Algo de especial, algo a mais. Não é apenas aquela coisa de paixão fulminante e mal explicada que deixa o relacionamento raso. Porque mesmo Bennet não sabendo que Madelyn era menor, ele continuava sendo professor dela. Isso continuava errado. Foi por esse motivo que eles conversavam, passavam tempo juntos, comemoravam o aniversário de 26 dele e NUNCA cruzavam a linha. A autora fez uma base muito grande no "namoro", o que deixou mais crível e, consequentemente, muito mais fácil de se apegar à história dos dois. Torcer e querê-los juntos apesar da diferença de idade e tudo mais.

Vi muita gente criticando Madelyn (e a autora, por ligação) por sua imaturidade para a vida. 16 anos na faculdade? Pfvr, isso é irreal. Não é. Eu entrei pra faculdade com 16 e, por essa razão, me identifiquei bastante com a protagonista. Claro que os pais dela exercem uma pressão sufocante que eu nunca compartilhei, mas por conta própria, existe uma certa exigência silenciosa que fizemos com nós mesmas. É uma vontade de que o maior feito da vida não seja apenas ter entrado no ensino superior sendo a mais nova da turma. Só que a protagonista enxerga isso de um modo muito mais intenso (por culpa dos pais irritantes, claro) que quase não se reconhece mais, não sabe quem é e o que quer. É tão compreensível sua situação que, independente da burrada que faça, se torna explicável. 

A verdade sobre nós lida com dois tabus. Primeiro, está o relacionamento aluna-professor (o que realmente alimenta o problema, se me permite considerar). Por segundo, a diferença de idade, são 10 anos que separam Bennet e Madelyn. Como a própria garota uma vez cita durante a narrativa, isso só é algo grandioso se for ver pelo lado de 16 e 26. Se ela tivesse 20 e ele 30, não seria tão errado. A autora fez tantas jogadas que pedem reflexão do leitor, de um modo carismático e leve, que merece seus créditos.

Só não gostei da visão unilateral da história. Como é em carta direcionada para Bennet, só temos os pensamentos de Madelyn, as divagações da garota. De certa forma, é muito bom para compreender certos contextos, mas falta em algumas partes. Eu gostaria de ver o lado de Bennet, das pessoas ao redor. Para lidar com esse tanto de assuntos polêmicos, seria muito mais interessante ter uma visão ampla. Dividir argumentação e incrementar a discussão, sabe?

Mas, ainda assim, um livro ótimo. Não 100%, mas bem escrito, com uma história interessante, bem formulada, que conseguiu se destacar sendo de um assunto batido para o nosso público. Não é, nem de longe, engraçado como Faça seu pedido, mas continuo com o nome da autora anotado na lista para manter o olho. Agora, os dois nomes.
Beijinhos

7 comentários:

  1. caramba, eu olho para esta capa e vejo o Junior do Sandy e Junior ali! hahaha
    Capisco.
    acho que seria legal a autora criar um outro livro, com apenas o lado dele então.
    ainda não li este, mas estou bem curiosa pois parece tão bom!!!
    realmente, se fosse 20 e 30 não pareceria tão absurdo assim =/
    nunca li nada da autora, então não sei muito quanto a escrita dela, mas espero lê-lo logo! *-*

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  2. Gostei dos temas que o livro trata, mesmo com um clichê de professor e aluna. Alguns livros realmente pedem a visão de outros personagens, mas eu amei a capa e a sinopse então gostaria de ler

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  3. Eu já li várias resenhas desse livro porque assim que eu o vi nas cortesias do Skoob (que, infelizmente, não ganhei ): ) eu fiquei louca por ele, tanto pela capa como pela sinopse, mas desanimei um pouco depois de ler as resenhas. Mas agora lendo a sua resenha, eu resgatei essa vontade de lê-lo.

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  4. Gosto muito de romance entre professor e aluna, essa história parece bem interessante, estou doida pra ler esse livro,

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  5. Gostei da ideia da autora, parece teer uma premissa bacana, grande diferença de idade mesmo viu.. que complicado para ambos.
    Como você, acho que o livro poderia ter sido narrado pelos dois, podendo assim vermos os pontos de vista de cada um.

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  6. A história me conquistou. Por ser diferente do que estou acostumada a ler e pela intensidade da trama. Me parece ser bem emocionante e adoro quando os dois personagem narram a história. Dá mais emoção a leitura. Beijos.

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  7. Não consigo me decidir entre o final épico ("felizes para sempre !") ou esse final!
    Não consigo odia-los!
    Na verdade quase vomitei com ele ... mas ainda nao consigo odia-los! Apesar de um ter mentido e o outro sair correndo , foi a coisa sensata a se fazer... acho que um livro na versão dele preencheria algumas lacunas ... quem sabe um dia !
    Acho que espeva mais dele, talvez algo a mais do que sumir,novamente dizendo que ele não estava errado!

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