4 de jun de 2014

O teste — Joelle Charbonneau


O teste #1
Autora: Joelle Charbonneau
Editora: Única
ISBN: 9788567028231
Páginas: 320
Nota: 
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Todo gênero sofre uma saturação com o tempo. Me responda: qual foi a última vez que você leu um livro sobre vampiros? Que você começou uma nova série sobre anjos? O tempo passou e você trocou de assunto favorito, é comum. O mesmo aconteceu com as distopias, que passaram de UP!UP!UP! para mais um na pilha de leitura. As vezes a gente tem impressão que já viu todas as faces que esse gênero pode tomar, e ok, ainda existem os guilty pleasures. Não há mais o sentimento de novidade, mas sempre se pode ter bons sentimentos com o já conhecido. A chance de não errar feio, talvez.

Muita gente comparou O Teste, primeiro volume da trilogia homônima, com Divergente e Jogos Vorazes. Seria uma label interessante se não fosse por todo diacho de distopia ser comparado aos grandes best sellers distópicos. Então vamos iniciar levantando o ponto que não tem como um livro do gênero, como eu disse: já saturado, se tornar algo original e surpreendente se antes de você começar, já tem Katniss e Tris na cabeça. De longe, esse é o ponto mais fraco do livro: a imagem inicial. Das duas, uma: ou você começa empolgado procurando referências (e as quer desesperadamente como se fosse um livro escrito por Suzanne Roth ou Veronica Collins*), ou então acontece o dito contrário: ops, não vai ser algo diferente de tudo que você já leu.
* Proposital, okay?

Mas tirando a primeira impressão, vamos falar sobre o que se trata. O teste vai focar no mundo de Cia. Ela terminou o ensino médio e foi selecionada para "O teste", a grande prova para a entrada da faculdade. Mais ou menos um vestibular que você pode morrer, sabe? Ser selecionada já é uma grande coisa, mas sobreviver às provas e à competição é diferente de tudo que Cia já passou. A pior parte é que nem dá para ter uma ideia do que esperar: seu pai, que passou por isso, teve a memória apagada quando aprovado - assim como todos os outros que já fizeram na faculdade. Tudo o que restou foram pesadelos... Sangrentos pesadelos.

A premissa é ótima. Não original, mas ótima. O livro de Charbonneau não foca na sociedade em si, mas na forma que os futuros líderes do governo são selecionados. Pois aí é que está: se você realmente quer ser alguém na vida e contribuir para a melhora do país, você precisa ter ido para a faculdade. Para estar lá, você precisa ter sobrevivido ao Teste. No geral, não parece um governo opressor cruel (na verdade, eles até lutam para acabar com a fome e os problemas de saúde em todas as facções), é só seu meio de entrada que pesa. Para compor uma sociedade realmente absurda, a autora precisará trabalhar muito em cima de seus governantes na continuação, pois eu não vejo uma grande maldade em suas personalidades.

Preciso elogiar a protagonista. Cia é muito inteligente, sagaz, e racional até demais. É difícil encontrar personagens que sejam tão lógicos quanto ela, e, as vezes, dava a impressão que: "sério que você pensou nisso? Reparou nesse detalhe?". Não que se torne irreal, mas é uma coerência que não estamos acostumados em protagonistas de YA. Ela vê as mínimas coisas, desconfia de qualquer brecha, repara em coisas que você nem tinha ousado pensar. Tenho uma lista de autores que quero que Charbonneau passe a fórmula.

É óbvio que o livro todo passa ~no vestibular~. Não avança disso, não conhecemos nada depois. É o teste. As fases. As provas. Os desafios. A competição é dividida em quatro partes oficiais para testar todas as áreas de habilidades dos concorrentes, incluindo sagacidade, liderança, desconfiômetro... Acho que não houve uma boa divisão de tempo para essas atividades: algumas eram corridas, outras acabavam focando em nada para matar tempo. É um livro rápido, curto, mas poderia ser melhor distribuído. Não que isso atrapalhe a classificação final, mas...

Eu gostei. De verdade. A história me prendeu, e mesmo sendo um enredo conhecido e batido, foi muito bom de acompanhar. A autora escreve bem, compôs uma protagonista genial, e conseguiu colocar a pulga atrás da orelha do leitor para duvidar de quem se deve ou não confiar. Se você procura doses de romance, vai encontrar um pouquíssimo cativante, mas que tem potencial que complicar vários plots que Charbonneau pode optar por seguir. Se você ainda não encheu completamente o saco dos derivados de Jogos Vorazes e Divergente, leia este que você pode gostar bastante.
Beijinhos ♥

2 comentários:

  1. aaaah, não vejo a hora desta febre de distopias passar --'
    não gosto deste gênero, já tentei ler diversos livros, mas eles nunca me agradam :(
    já vi umas resenhas boas deste livro, mas nem me interesso em ler não ;x

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  2. Já tinha visto falar do livro mas não tinha lido nenhuma resenha dele! Parece ser bom mas não tem um enredo que me convence logo de cara! Mas fiquei bem curiosa e vou marcá-lo na minha wishlist!

    http://alguns-livros.blogspot.com.br/

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