9 de jun de 2014

Austenlândia — Shannon Hale


Autora: Shannon Hale
Editora: Record
ISBN: 9788501403889
Páginas: 240
Nota: 

Até hoje, nunca li nada de Jane Austen - culpa daquela pequena aversão de clássicos que ganhei no ensino médio. Eu já assisti alguns filmes, sou totalmente obcecada pelas adaptações modernas do Pemberley Digital, mas abrir o livro e devorar as páginas? Hum, até hoje não. Quem sabe num futuro próximo. Até lá, vou ficar com livros modernos que trazem esse universo. O vestibular não deixou traumas para esse tipo de livro.

Austenlândia é o livro perfeito para quem é obcecado pelas obras de Austen. Sabe aquela coisa de identificação com o leitor? Pois então. Jane é a típica mulher que se agarrou na imagem de Mr. Darcy (ou Colin Firth) e ainda não conseguiu encontrar o homem ideal, que aja como um bom herói de Jane Austen deva agir. Todos os seus romances fracassaram e terminaram com maratonas de Orgulho e Preconceito e potes de sorvete. Isso até sua tia-avó falecer e deixar uma viagem de herança para a sobrinha. Jane então parte para umas férias de três semanas na Inglaterra, usando espartilhos e jogando cartas como uma dama de um romance de Austen. Se apaixonando como uma personagem de Austen também.

Eu conheci o trabalho de Shannon Hale através de Academia de Princesas, um livro pra lá de decepcionante. Isso colocou dois pés atrás na hora de ler Austenlândia, pois mesmo que eu gostasse da premissa, já tinha visto ela ter uma ideia legal e não saber aproveitar. Colocando a expectativa ainda mais para baixo, estava o filme, que eu não consegui passar do minuto 33 (segundo 33 também, aliás). Eu não tinha grandes esperanças para esse livro, mas alguns comentários positivos e o número relativamente pequeno de páginas são suficientes para ser uma leitura... tranquila. Não empolgante, não emocionante, mas tranquila. 

Jane é uma piriguety literária. Não vamos julgar, somos todas, não? Ela idealizou o homem perfeito na forma de Mr. Darcy e a realidade ao redor é tão não-romântica... Nós, no papel de bookaholics, nos identificamos com a protagonista, e esse é um ponto muito forte a seu favor. Imagine poder passar um tempo no cenário dos seus livros favoritos e ter todas as experiências que aqueles mesmos personagens que você tanto admira tiveram nas páginas dos livros? É um sonho se tornando realidade! Pfvr, se alguém me mandasse para Idris, eu iria correndo. 

O que entra em questão nesse livro, e que motiva a trama ao longo das 240 páginas, é a diferença entre atuação e realidade. Em Austenlândia, Jane está convivendo com atores interpretando seus familiares, nobres visitantes e assim por diante. Ela pode ter a experiência de se apaixonar enquanto joga criquete, mas deve manter em mente que isso não passa de um teatro nas férias. É muito difícil para a protagonista, e consequentemente para o leitor, separar todos aqueles galanteios do roteiro. Você não sabe se deve acreditar ou se aquilo não passa de encenação, mas você torce para que Jane se dê bem. Que os personagens de Austenlândia se apaixonem por ela como Mr. Darcy se apaixonou pela Srta. Bennet. É pedir demais?

O ponto alto da autora é o triângulo amoroso que criou. Contudo, precisa-se considerar duas coisas. A) se tudo não passa de um teatro, como falei no parágrafo acima; e B) Como Jane realmente se sente. Ela é bem cética em relação aos atores, ela sabe que Austenlândia é um pedaço de ficção no mundo, mas as vezes tende a duvidar dos reais sentimentos dos nobres senhores (ou nem tanto) por ela. Hale conseguiu estabelecer a dúvida da protagonista de uma forma que o leitor se junta a ela, e, dessa forma, o final do livro não se torna previsível. Ou se torna, mas você volta atrás e muda de ideia. Para depois mudar de novo. A autora conseguiu conduzir muito bem sua trama para ninguém adivinhar o final antes de estar perto de acabar. Para um romance com cara de comédia romântica, esse é um ponto muito positivo e inesperado.

Austenlândia é, sem dúvidas, um livro muito melhor do que eu imaginava que seria. Se isso significa lá grandes coisas, não dou muita certeza. É um livro rápido, divertido, com uma narrativa legal e boas tiradas, mas serve apenas como entretenimento mesmo. Talvez quem seja mais familiarizado com os livros de Austen vá amar, pois tem inúmeras referências que eu não peguei (e estou me corroendo por não ter entendido a de Emma). Agora vamos ver se eu tenho animação de assistir o restante do filme. Hm, não hoje.
Beijinhos ♥ 

2 comentários:

  1. Eu não li o livro ainda, mas vi o filme um dia desses e adorei, é exatamente como vc descreveu o livro: leve, divertido, com uma narrativa rápida! Acho que vou ler o livro tb só pra me divertir! XD

    Bjs, Michele

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  2. #tocaaqui também tenho pavor de clássicos. tudo culpa do ensino médio!!!
    tenho muita curiosidade em ler este livro, já vi algumas resenhas positivas dele
    mas estou com um pé atrás porque também tentei ver o filme e não consegui ir muito longe não :S:S
    vou tentar ler o livro!! :D

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