30 de abr de 2014

1984 — George Orwell

Autor: George Orwell
Editora: Companhia das Letras
ISBN: 9788535914849
Páginas: 416
Nota: 
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É diferente julgar um livro e julgar um clássico. Você sabe, ele é um clássico. Não importa se é bom ou ruim, se é pequeno ou se é tijolo; várias pessoas se uniram e decidiram que aquele título deveria ser lido e ovacionado por gerações afim. Depois disso, quem é você para discordar? Você abre a mente, desliga a lembrança dos livros que foram obrigatórios no colégio, e abraça o autor que foi repetidamente chamado de gênio. Lembre-se: ele é um clássico. 

1984 é um distopia - mas não como o que estamos acostumados a ver na vitrine da livraria. Escrito em meados de 1950, a história se passa por 84, num governo totalitário, liderado pelo Partido do Grande Irmão. Essa sociedade cultua a guerra, a ignorância e condena a liberdade. Viver entre eles é não ter personalidade, não fazer escolha alguma e se satisfazer com isso. Fica muito visível nas palavras rancorosas do autor o quanto isso é uma semi vida, como esse mundo era um túnel sem saída ou vestígio de luz. E lá temos nosso protagonista: Winston, que aparentemente vive nos conformes e luta com uma rebelião nos seus pensamentos - o que é completamente proibido.

Quando eu falei que um livro como 1984 merece ser visto de modo diferenciado, era verdade. O que importa aqui não é o modo como é contado, como é o protagonista e se o enredo é atrativo em todas as páginas. Clássico se torna clássico por ter uma mensagem atemporal - e nesse quesito, George Orwell se mostra um visionário. Ele poderia ter previsto os números da megassena, mas decidiu escrever sobre a sociedade opressora que se tornaria o mundo nos próximos anos. Que se tornou o mundo nos últimos anos?

Winston não tem intenção de parecer um herói aos olhos do leitor. Não, ele é realmente detestável. Ele é fruto de alguém que vive nas mãos do Grande Irmão por anos e se condena por cada palavra que quer escrever e não deve. Ele tem um ressentimento interno que resulta em pensamentos degradantes e, embora as situações pelas que passe sejam péssimas, não é como se houvesse algo que desse ao leitor afeição por Winston. Sim, você consegue sentir na pele suas dores, mas gostar dele? Não, o personagem perdeu esse direito quando disse que a primeira coisa que pensou em fazer com Julia, mulher com que se encontra as escondidas, era estrupa-la e depois matá-la. Não, cara, dá meia volta e vá para o final da fila.

O livro tem cenas bem pesadas, mensagens sensacionais e revoltantes. 1984 conta com uma narrativa muito arrastada, muitas vezes maçante, mas que se compensa pelo resultado final: a longa crítica sobre repressão, abuso e tirania. É um livro muito bom que faz por merecer a label de clássico, que tem tudo para ser lido e debatido nas escolas, e se perpetuar nas estantes do mundo a fora por mais centenas de anos. Quer dizer, isso até o próximo governo opressor pegar as obras de Orwell e queimar em praça pública. Querem apostar quanto tempo vai levar para tal?
Beijinhos ♥

Um comentário:

  1. eu li este livro há muitos anos, quando ainda estava no colégio. ele era leitura obrigatória para mim, e lembro que na época eu detestei. mas acredito que se hoje eu lesse, ia ter ideias e sentimentos totalmente diferente para ele. na época eu que eu li eu era nova, então não intendia direito né...
    adorei a resenha, e ultimamente estou vendo bastante de 1984.
    acho que preciso ler ele novamente :P

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