17 de fev de 2014

Tabuleiro dos deuses — Richelle Mead

Tabuleiro dos deuses —  A era de X #1
Autora: Richelle Mead
Editora: Paralela
ISBN: 9788565530514
Páginas: 424
Nota: 
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Eu estava pensando no belo ditado que não devemos julgar um livro pela capa. Claro que quem falou isso estava tentando ser metafórico (e deu certo, parabéns), mas vamos pensar nessas palavras em seu uso literal. Não se julga um livro pela primeira coisa que você vê: ok. Mas então se julga pelo que? Pela sinopse? Só que a sinopse também não é exatamente o interior, e pode estar errada. E você deve então se basear no que? Instinto? Ou encarar de frente, independente dos independentes? Porque, as vezes, capa e sinopse podem conquistar, mas o julgamento vai estar precipitado. É muito confuso, não? E o mais incrível é que você só entra nessa nóia filosófica quando a capa e a sinopse enganam você. Pois é.


Quero dizer que eu amei a capa de Tabuleiro dos deuses. Foi amor a primeira vista, desde que a editora anunciou lançamento e apresentou a capa nacional. Foi pela capa, e já pode me julgar, que eu cliquei em "leia mais" para conhecer a sinopse. Então eu amei a sinopse também. Parecia uma união de coisas incríveis, mesmo estando explicadas muito por cima. O título sugeria mitologia, a contra capa falava um pouco sobre seitas num mundo pós apocalíptico e uma jogada genética no ar. Consegue visualizar o liquidificador batendo repleto de plots sensacionais? Pois eu consigo - e via ele na minha mão!

Mas então você imagina só o tamanho da expectativa da menina! Tabuleiro dos deuses pulou da estante como se eu tivesse pescado, e então foi. Foi um dia, dois, três, viajamos, acampamos, assistimos muitos episódios de One Tree Hill. E sabe o que era mais incrível? Que ele não saia da página 100. E foi uma semana, quase duas, e cadê Ruiva Mead conquistando como havia prometido?

Tabuleiro dos deuses é um livro narrado em terceira pessoa por, basicamente, três personagens. Conhecemos Mae, uma linda soldado de poucas palavras, designada para proteger Justin, investigador de seitas da República (RANU), que esteve em exílio no Panamá durante um tempo. Foi na America Central que ele conheceu a família que lhe deu abrigo e, numa tentativa de elevá-los de vida como agradecimento, ele volta para a RANU acompanhado de Tessa, uma das filhas. E então, voilá, temos nosso trio protagonista. Enquanto Tessa vai para a escola e tenta se adaptar ao estilo de vida luxuoso da sociedade, Justin e Mae são responsáveis para desvendar o mistério por trás de vários assassinatos que parecem trabalho de uma seita secreta. Além disso, o livro trás fantasmas do vírus genético que dizimou a humanidade e uma influência sobrenatural que o leitor pega no ar e ninguém dá detalhes por um bom tempo. Só aí o liquidificador já encheu, enlouqueceu, explodiu e fez a maior bagunça.

Eita livro confuso. Richelle teve uma ideia muito excelente e não serei eu que vou tirar o mérito dela, o problema é que não rolou. Junto da prova do livro, veio um glossário com termos usados pela autora, o qual eu ignorei até ser ignorada pela história. Sem ler aquilo, o livro é só uma bola de neve de informações sem nexo algum. Então, se você for ler Tabuleiro dos deuses, não ignore as explicações adicionais. Não é nem de perto o suficiente para tornar a história compreensível, mas é um começo. A trama é um emaranhado de coisas acontecendo ao mesmo tempo, personagens novos surgindo e coisas desconexas se conectando por uma força maior. Se minha resenha está confusa, é porque o livro é mais. E minha cabeça se embaralhou depois de passar tanto tempo desvendando aquele enredo.

Se tem romance, é algo mínimo que passa despercebido em meio a tanta coisa. Digo romance romântico. Não atração, desejo, vamos-lá-pro-meu-quarto-sim. Isso tem, só que sem o acompanhamento do sentimentalismo (que até hoje tinha sido a melhor parte dos livros de Richelle que li). 

E não foi por aí também que senti empatia pelos personagens. Tessa tem carisma, Justin tem momentos, mas Mae é uma incógnita gigante. Num momento, ela era a caladona, bad ass, ninguém se mete comigo, você está tão abaixo de mim que não é digno nem de oi. Em outros, ela conversava, fazia comentários, até um fio de espirituosidade surgia em sua personalidade. Não dava para saber quem era Mae, a autora não conseguiu consolidar uma identidade para ela. E você já viu que isso é sinônimo de erro, né?

Duas estrelas pela ideia, uma pelas 20 páginas que me lembraram MARVEL'S Agents of SHIELD, o que me deu garra de continuar mesmo estando enjoada do título na minha cabeceira de cama (e na bolsa, e na mesa do escritório, e embaixo do sofá da sala...). É uma boa ideia com uma execução que deixou a desejar. Faltou explicar mais, deixar a narrativa atraente e quem sabe deixar uns elementos de lado. Seitas já bastavam, Richelle, não precisava fazer uma montanha de assuntos. Minha mãe costuma dizer que tudo que é demais não dá certo. Uma frase muito mais certeira que não julgar um livro pela capa.
Beijinhos ♥

2 comentários:

  1. ah, eu sou de julgar pela capa. não gosto muito de ler sinopses, mas a capa para mim é essencial. só compro um livro se eu não gostar da capa se várias (tipo muitas) (tipo muitas mesmo!!) pessoas falarem bem do livro. senão não.
    já eu odiei a capa deste livro. acho capa com pessoas, normalmente, estranhas, e essa se mostrou muito estranha para mim =/
    já não compraria o livro pela capa, e depois desta sua resenha, não quero passar nem perto. vai que gruda nimim kkkkkk
    a ideia é interessante até, mas também não me agrada muito, então comigo, provavelmente, nem 2 estrelas ganharia hehe

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  2. Eu já tentei por diversas vezes não julgar um livro pela capa, mas não tem jeito! De qualquer forma a maioria dos livros que li com capaz que me seduziram foram realmente muito bons e não me arrependi de passar um tempo com eles.
    Eu amo a Richelle desde que li as series Vampire Academy e Georgina Kincaid, desde então ela se tornou uma das minhas autoras favoritas, me assusta o fato de você não ter curtido o livro, mas como eu ainda não li então não tenho o que argumentar quanto a isto, então por enquanto vou ficar quieta e apenas dizer que amo a Richelle e que pretendo ler esse livro para tirar minhas próprias conclusões.

    http://worldbehindmywall.fanzoom.net/

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