24 de set de 2013

Sobre Bling Ring, esteriótipos e uma bela fotografia

Com cinco filmes no currículo, Sophia Coppola carrega legiões de fãs. É só falar na diretora para surgir vários admiradores de seu trabalho, para ouvir que Marie Antoinette foi um marco da década passada, e criar certo furor na expectativa de um novo projeto. Foi assim que recebemos Bling Ring, seu mais novo filme, que estreou no Brasil mês passado. Com atores consideravelmente talentosos e famosos no elenco principal, como Emma Watson e Taissa Farmiga (que está em ascensão graças ao papel em American Horror Story), esse filme tinha tudo para levar uma quantidade significativa de pessoas para o cinema, se tornar queridinho da crítica e um dos filmes mais comentados de 2013. Uma soma de fatores simbólicos cujo resultado não poderia ser diferente... se houvesse uma história por trás de tanto nome importante e fotografia ryca.
A sinopse por trás todo mundo já sabe, assim como o desenrolar e o final. Essa é a grande desvantagem de se basear em uma história real que foi capa de jornais e revistas por quase um ano (mas chegamos nesse ponto depois). Basicamente, Bling Ring é sobre uma gangue de adolescentes de classe média alta que, por falta de coisa melhor para fazer, invade a casa de celebridades favoritas e leva peças de luxo, como roupas, bolsas e jóias. Impunes, inconsequentes, agindo como se tivesse o mundo nas mãos ao lado da Hermès Birkin encontrada no closet da Paris Hilton.
Isso foi o suficiente para os críticos caírem em cima e colocar a sociedade inteira ao seu lado. De repente, todo adolescente na Terra compra o life style norte americano, venera gangsters, usa drogas, abusa de álcool, ignora os pais e faz tudo isso com o intuito de ganhar likes no facebook. Não vou dizer que isso não existe, porém houve uma generalização muito grande. Em Bling Ring, Sophia Coppola abraçou essa causa em seus personagens extremamente confiantes, o que gerou um estudo por trás e uma pseudo análise que o mundo vai explodir porque toda essa nova geração - a minha geração - está fadada ao declínio por tamanha futilidade. Pode não estar errada, contudo, faltou o outro lado da moeda. O que realmente precisava explorar nesse caso, é deixado de lado. 
Ninguém acorda com vontade de ser gangster (até onde eu sei), e todos os cinco personagens principais tinham seus próprios demônios, suas causas para abusarem das drogas, para ignorarem as regras. Em momento algum o filme abordou o fato de Sam ter sido "abandonada" pelos pais e por essa razão morar junto de Nicki. Não falaram de verdade no fascínio que Marc tinha por Rebecca, ou porquê a garota saía por aí roubando coisas de luxo quando ela própria vivia nesse mundo. Era algo simplesmente de sair de uma festa e arrombar os carros estacionados na frente para pegar a carteira, a cocaína, qualquer coisa. Em suma, na tentativa de fazer um filme limpo, Coppola acabou deixando sua história pobre.
Não em termos de cenário e fotografia, obviamente. Mesmo tendo um roteiro muito fraco e um tanto monótono, a diretora soube destacar seus pontos fortes. É por isso que a fotografia era viva, era alegre, os figurinos eram caprichados. De certa forma, isso veio para complementar seus personagens fúteis. Pode ser que aquela cena não tenha fala nenhuma e só que o que você escute são grilos cantando/cricrizando, mas é algo que ficaria bonito num cartão postal, é um foto que você daria heart no We ♥ it e, principalmente, que os cinco membros da gangue levariam para casa se fosse um quadro encontrado nas paredes de Rachel Bilson. Bling Ring é um filme muito agradável aos olhos, que conseguiu captar momentos ótimos para montar um trailer sensacional que faz parecer que esta seria a estreia do ano. Entretanto, não é de hoje que digo que fotografia e figurino não seguram filme nenhum. Pode seduzir, mas é só a história por trás que sustenta. Então sim, esse filme falhou gravemente pra mim.

Mas ainda falando em pontos fortes que Coppola soube explorar, vale citar Emma Watson. Ela soube que ter a atriz no elenco seria suficiente pra chamar atenção de todos os potterheads órfãos que procuram Harry Potter em qualquer armário embaixo da escada. Sabendo isso, temos todo um espaço extra para Nicki, uma personagem que em nada lembra Hermione. Na Bling Ring real, a líder do grupo era Rachel, a.k.a. Rebecca, e mesmo que tenha sido ela que começou com os furtos no filme, a maioria das cenas focavam em Emma, o que se fosse uma transposição real, seria uma personagem tão escanteada quanto Sam e Chloe. Repare pelas fotos. Repare pelo poster oficial lá em cima. É Emma que desafia a mãe, é Emma que segura a arma, é Emma que vai até o chão na balada, é Emma que dá entrevistas e vai seguir carreira humanitária.
Bling Ring se jogou em esteriótipos e depois não sustentou sua própria história. Em todo filme, o roteiro é o grande alicerce e olha ele aqui falhando misericordiosamente. Ao mesmo tempo que Coppola quis se manter fiel ao Bling Ring original, acabou saindo nas partes mais importantes e significativas para o todo, e, desde o inicio, se tornou uma obra previsível. Não tinha aquela surpresa de "onde isso vai dar?" ou "como vão invadir tantas casas sem levantar suspeitas?". É tudo entregue nas primeiras cenas, junto de uma trilha sonora bacana. Faltou muita coisa, como um olhar menos acusatório e mais explicativo. Esse é um filme agradável de ver, não de assistir. Coisas muito diferentes.
Beijinhos ♥

4 comentários:

  1. Eu assistir ao filme ontem
    e não gostei
    achei vago, fútil, não exploraram a vida dos personagens e não tem emoção, como você não conhece a fundo o personagem você não sente nada por ele, nem pena, nem raiva... nada
    Enfim...

    Beijos
    www.lisz-tomania.blogspot.com.br

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  2. eu assisti ao Bling Ring original, mas ainda não vi este
    sinceramente, acho que o primeiro é bem melhor, mas não vou julgá-lo antes de vê-lo né ;x

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  3. oi? meu comentário foi? UAHSUSASAUHSAUSAH

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  4. Queria ver só por atores e atrizes. A trama mesmo vi que não faz meu tipo :S
    Sei lá se iria gostar...

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