17 de jul de 2013

Divergente por Veronica Roth

Divergente #1
Numa Chicago futurista, a sociedade se divide em cinco facções – Abnegação, Amizade, Audácia, Franqueza e Erudição – e não pertencer a nenhuma facção é como ser invisível. Beatrice cresceu na Abnegação, mas o teste de aptidão por que passam todos os jovens aos 16 anos, numa grande cerimônia de iniciação que determina a que grupo querem se unir para passar o resto de suas vidas, revela que ela é, na verdade, uma divergente, não respondendo às simulações conforme o previsto. A jovem deve então decidir entre ficar com sua família ou ser quem ela realmente é. E acaba fazendo uma escolha que surpreende a todos, inclusive a ela mesma, e que terá desdobramentos sobre sua vida, seu coração e até mesmo sobre a sociedade supostamente ideal em que vive.

Autora: Veronica Roth
Editora: Rocco
ISBN: 9788579801310
Páginas: 502
Nota: 

Divergente é o livro do momento. Todos ouviram falar, todos tiveram a timeline invadida por notícias do filme e quem não leu ainda, tem na fila. Com livros desse tipo é realmente difícil conter a expectativa. Mas como lidar quando você diz que vai começar a leitura e chove mention no twitter (passa por lá: @JoanaArgenta) lembrando o quão sensacional é a distopia? Você embarca em Divergente esperando o mundo(!)... e então começam os choques de realidade. Antes de tudo, quero frisar ainda no primeiro parágrafo que gostei do livro. Contudo, não achei tudo isso, não.

No mundo que Veronica Roth criou, as pessoas são divididas em facções: cada uma com suas peculiaridades e forma de vida, de modo que contribua para uma sociedade (teoricamente) utópica. A protagonista é Beatrice, que vem da Abnegação, a facção que condena o egoísmo. Ela foi criada para colocar as necessidades das outras pessoas na frente das suas e ajudá-los o tempo todo. Porém, isso não é algo fácil, e Beatrice não se sente altruísta o suficiente para ser da Abnegação. Então quando passa por um teste que definirá seu futuro e dirá qual é a facção que pertence, ela é dada como Divergente, como um resultado inconclusivo que lhe permite ter aptidão para várias facções ao mesmo tempo. Entretanto, ser Divergente é quase como um crime aos olhos do governo e, nesse pensamento, Beatrice é um risco para a sociedade.

Existe uma falha muito grande no sistema de facções. Não falo pela autora, mas um erro do próprio governo. Não é como se existisse um gene mutante em todas as pessoas que as obrigasse por natureza agir daquele modo especifico. Esse é um sistema de crença cultural, são costumes reforçados por um código de lei moral. Vai uma dose muito relevante de psicológico, mas, de qualquer maneira, as facções não são algo interno do ser humano, não estão no DNA. O meu ponto é: assim como a nossa sociedade repleta de códigos de ética, as pessoas falham, discordam e não se submetem as leis. Não é o correto, mas acontece. Achei uma ingenuidade absurda por parte do governo acreditar piamente nos cidadãos, no seu sistema tão pseudo-perfeito. É mais do que um modo padrão de se vestir, de usar ou não as escadas. Afeta muito mais que isso.

Acredito que Veronica criou bons personagens. Beatrice, vulgo Tris, é bastante corajosa e curiosa, e eu gostei bastante dela. Mesmo assim, tem que reconhecer que força é uma qualidade quase obrigatória em todas as protagonistas do gênero - e sua capacidade de lidar com as situações não é esperada, é exigida. Preciso dar espaço para o ponto de interrogação encantador que foi Quatro, o treinador de Tris após a escolha da facção. O personagem foi me conquistando aos poucos, já que é nesse ritmo que vamos o conhecendo. Agora não sei se foram os inevitáveis spoillers que surgiam no twitter/facebook, mas o "mistério" que cerca o personagem quanto as suas origens não me convenceu em momento algum. Está óbvio desde a primeira deixa, ainda nas primeiras páginas.

Senti falta de uma trama palpável em que a protagonista realmente tivesse no meio desde o princípio. Não só pelo livro e sua distopia tomarem forma bem depois da metade (lembre que tem 500 páginas), mas para entender qual seria o motivador de uma continuação. Pelo que acontece até a página 350, mais ou menos, outros volumes se tornariam dispensáveis. Além disso, o status de Divergente de Tris é muito escuro por quase toda a história, o que faz dela só mais um peão comum, tão relevante - num aspecto geral - como qualquer outro membro curioso das facções. Veronica Roth não é perturbadora, nem em nível físico quanto psicológico. Para um livro desse porte, só consigo pensar em uma cena que pode verdadeiramente chocar as pessoas no cinema e subir a censura. Isso se não for cortada ou reformulada.

Existem dois subgêneros distópicos e, supostamente, Divergente deveria ir pro lado aventureiro e forte da força. Mas, para mim, não foi. Embora tenha bons personagens principais, achei a distopia pouco fundamentada, o que puxa alguns outros poréns. Foi legal de ler até a página 400 porque esse é um bom livro, mas é enrolado demais quando tinha potencial para ser *BOOM-BOOM-BOOM* quase que em tempo integral. Divergente está longe de ser a melhor distopia que já li (e estou até desconsiderando Jogos Vorazes da parada, pois esse já zerou a vida). No seu estilo particular, é das mais fraquinhas. Quero ler a sequencia, quero ver o filme, mas não estou nem perto de roer as unhas como imaginei que estaria nessa hora.
Beijinhos ♥

6 comentários:

  1. Olá, tudo bom?
    Não li Divergente ainda, mas estou bem curioso. Com essa onda de distopias, fico com certo receio de me decepcionar, mas acho que não seria o caso desse.

    Beijos
    Lucas
    ondeviveafantasia.blogspot.com.br

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  2. desde a primeira vez que vi a sinopse dele e as primeiras resenhas, não senti nenhuma vontade em ler :(
    distopias nunca me agradam, sei lá... mas desta serie só estou curiosa pelo filme:P

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  3. Ele é bom, mas não é magnífico. Gostei do ritmo do livro, é bem legal e trás uma boa história. Acho que melhora mais no segundo, apesar de que ainda sinto que falta algo pra ser bom e bom e bom. Só é bom...

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  4. Olá Joana (: Eu tenho vontade de ler, porque assim como Jogos Vorazes eu sei que vou pegar 183471893274 spoliers desse livro, não que eu me preocupe com elas, na maioria das vezes nem ligo, porque gosto de spoliers, desde que não estraguem o livro, mas enfim, eu tenho vontade, mas ela passa porque o livro é da Rocco haha, adorei a sua resenha, e talvez um dia eu leia.

    beijos, Lu
    Lendo ao Luar

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  5. Estou muito curiosa para ler Divergente!!
    Um livro q eu não achei tudo isso, foi A Seleção.
    Já vi otimos comentários sobre o livro e quero ler pra ter minha própria pois opinião... O fato de q o filme está sendo gravado também me deixa querendo o livro....

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  6. Sério que você não amou Divergente? Todo mundo fala tão bem desta história que jurava que era a melhor distopia EVER. rsrs
    De qualquer forma, acho a premissa do livro interessante e aparentemente a narrativa é boa e flui bem. Quero muito ler e espero chegar a uma conclusão diferente da sua. rs
    bjs

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